
A Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre (EHTP) encerra o ano letivo 2025/26 com 97 alunos e prepara-se para assinalar o seu 18.º aniversário com novidades na oferta formativa. Em entrevista à Rádio Elvas, o diretor da instituição Nuno Miranda fez o balanço das atividades, anunciou a abertura do novo curso de Técnico de Turismo e destacou a aposta em formações “fora da caixa”, como o birdwatching, para atrair visitantes de maior poder económico ao Alentejo.
O ano letivo que agora termina é classificado pela direção da EHTP como globalmente positivo, sustentado pela dedicação dos alunos, que são “o foco da atividade”. Atualmente, a instituição conta com 97 estudantes, distribuídos entre o nível 4 (equivalente ao secundário com dupla certificação, cerca de 40%) e o nível 5 (pós-secundário, cerca de 60%).
No nível 5, a vertente internacional assume um peso esmagador: “Cerca de 70% são alunos internacionais, que vêm maioritariamente dos PALOP (Países Africanos de Língua Portuguesa) fazer a sua formação e depois seguem para o mercado de trabalho. Muitos até se mantêm por Portugal e fazem falta na nossa economia”, revela o responsável.
Novo curso de Técnico de Turismo abre horizontes
Historicamente focada nas áreas de cozinha, restaurante e bar, a única escola de hotelaria da rede sediada no interior do país vai alargar o seu leque formativo já no próximo ano letivo, introduzindo uma resposta que escasseava na região.
“Vamos abrir o curso técnico de turismo. É uma resposta que não existe aqui, quer em Portalegre, quer nos concelhos à volta. Vamos apostar para ver se conseguimos ter pelo menos 15 alunos para arrancar com a turma já este ano”, avança o diretor Nuno Miranda, lembrando que o turismo representa já mais de 12% do PIB nacional e é um motor crucial na criação de emprego.
O responsável lamenta, contudo, que Portugal ainda apresente níveis de certificação profissional muito abaixo da média europeia (cerca de 40% face aos 70% registados no norte da Europa), justificando a importância estratégica da EHTP.
Birdwatching e o turismo que “gasta mais dinheiro”
Para além da formação inicial, a escola tem expandido o seu raio de ação na formação contínua de ativos, abrangendo agora os distritos de Portalegre, Évora, o norte de Beja e, recentemente, uma fatia significativa de Castelo Branco. É nesta área que a instituição está a desenhar ofertas direcionadas para nichos de mercado altamente rentáveis, como o curso de observação de aves (birdwatching) no Alto Alentejo, desenvolvido em parceria com a Comunidade Intermunicipal (CIMAA) e os municípios locais.
“Queremos disponibilizar aquilo que está a começar a despontar. Se pensarmos que alguém que seja observador de pássaros traz uma câmara fotográfica que, das mais simples, custa 2 mil ou 3 mil euros, percebemos que são turistas que trazem um valor acrescentado maior”, explica. Sem argumentos de “sol e praia”, o diretor Nuno Miranda defende que o trunfo do interior reside na diferenciação: “O que nós temos para oferecer é um turismo de cultura, de natureza, de sentar à mesa, comer uma boa refeição, um bom vinho, e essas pessoas não se importam de pagar um bocadinho mais se tiverem um bom serviço.”
Emprego garantido e aposta na fixação de talento
Questionado pela Rádio Elvas sobre a procura por parte do setor da hotelaria e restauração, o diretor assegura que o mercado tem capacidade para absorver todos os formandos. “Se tivermos a terminar o ano com 20 ou 25 alunos para ir para estágio, eles todos têm sítio. Mas se tivermos 250, eles todos têm sítio para fazer estágio e grande parte deles tem sítio depois para trabalhar”, garante Nuno Miranda.
Esta dinâmica transforma a escola num polo de atração para territórios de baixa densidade, fixando não só estudantes que optam por permanecer na região após o curso, mas também quadros técnicos e docentes que escolhem Portalegre para assentar arraiais e construir vida.
A entrevista completa para ouvir no podcast:














