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Elvas: “Pândiga” leva reflexão sobre acolhimento e diversidade ao Jardim das Laranjeiras

O Jardim das Laranjeiras, em Elvas, recebe na próxima sexta-feira, 10 de julho, às 22h30, o espetáculo “Pândiga”, uma criação da associação cultural Um Coletivo em parceria com a Actos Íntimos.

Inspirada na “Farsa das Ciganas”, de Gil Vicente, a produção propõe uma abordagem contemporânea à obra vicentina através de uma linguagem artística atual, marcada pelo diálogo entre diferentes culturas e formas de expressão.

Segundo uma das responsáveis da Um Coletivo, a atriz Cátia Terrinca, o espetáculo divide-se em dois momentos distintos. “O primeiro é a ‘Farsa das Ciganas’, que foi um texto de Gil Vicente sobre a chegada do povo cigano a Portugal há cerca de 500 anos. Depois há uma outra parte construída por nós, em que refletimos sobre as questões do acolhimento, que eram verdade há 500 anos e que continuam a ser verdade agora, não só em relação às comunidades ciganas, mas também às pessoas e comunidades migrantes”, explica.

A atriz sublinha que o espetáculo termina num ambiente festivo, em sintonia com o próprio significado do título. “Acabamos em festa. ‘Pândiga’ é mesmo isso, é fazer uma festa para celebrar algum acontecimento positivo. Entendemos que essas chegadas de outras pessoas a qualquer lugar também são acontecimentos positivos e, por isso, o espetáculo termina com uma celebração”, acrescenta.

A criação surge na sequência do projeto “Lungo Drom”, desenvolvido com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e que deu origem à exposição atualmente patente na Casa da Cultura de Elvas. No entanto, Cátia Terrinca esclarece que “Pândiga” não é uma continuação direta desse trabalho, mas nasceu das reflexões que este suscitou. “A ‘Pândiga’ surgiu depois de o projeto ‘Lungo Drom’ nos ter despertado mais vontade de trabalhar não propriamente a história e a cultura das comunidades ciganas, mas sim esta questão em particular do acolhimento, que também se relaciona muito com a nossa atualidade cívica e política”, afirma.

A atriz destaca ainda que o espetáculo alarga essa reflexão à realidade vivida atualmente no Alentejo, marcada por uma crescente diversidade cultural. “Enquanto pessoas que vivem no Alentejo, percebemos que a região é muito diferente hoje do que era há 20 ou 30 anos em termos de acolhimento de pessoas de outras culturas. Abrimos o leque à questão de quem continuamos a chamar ‘outros’ e porque tratamos tantas pessoas como se fossem muito diferentes de nós, quando também há outros que nos veem dessa forma. É tentar beber dessa diferença, mais do que apontá-la como um caminho negativo ou de exclusão”, conclui.

A produção, que estreou muito recentemente no Festival de Teatro de Cáceres, reúne em palco Cátia Terrinca, Santi Senso, Cheila Lima, Edla Barros, Guiomar Sousa, Ousmane Thiocone, Carlos Mil-Homens, Diego El Gavi, Marian Yanchyk e Sina Shirazi.

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