
O desfecho foi inglório para a equipa algarvia. O Moncarapachense empatou a zero frente a “O Elvas” SAD, no Campo Patalino, num resultado que sentenciou a descida de divisão da formação de Olhão. Num jogo onde a vitória era o único caminho para a salvação, a equipa de Moncarapacho não conseguiu furar a organização defensiva dos elvenses, que controlaram a partida com serenidade.
No final do encontro, o técnico José Bizarro não escondeu a frustração, mas focou a sua análise na falta de discernimento emocional da equipa na reta final do campeonato. Para o treinador, o problema não residiu apenas no jogo de hoje, mas na incapacidade de lidar com a pressão nos momentos decisivos.
“A responsabilidade tirou-nos esclarecimento”
Zé Bizarro destacou que a ansiedade foi o maior adversário dos seus jogadores. «A questão não vem de hoje, vem dos últimos dois jogos. Sentiu-se muita ansiedade, não conseguimos pensar, é só o coração. E quando não se consegue pensar é complicado», afirmou o técnico, recordando que, após uma excelente recuperação com quatro vitórias consecutivas, a equipa “tremeu” quando se viu perto da manutenção: «A partir daí a equipa meteu os pés para dentro; a responsabilidade dos pontos tirou-nos esclarecimento».
O treinador lamentou ainda o azar de ter perdido uma solução ofensiva logo no primeiro quarto de hora por lesão, mas foi na atitude competitiva que centrou a sua crítica mais dura.
O “estranho” registo disciplinar
Um dos pontos mais curiosos e críticos da intervenção de Zé Bizarro foi a análise à agressividade — ou falta dela — dos seus atletas num cenário de “vida ou morte”. O técnico utilizou um dado estatístico para ilustrar a falta de “garra” da equipa nos jogos decisivos.
«Três jogos são 270 minutos. Uma equipa que está a jogar a vida nos últimos três jogos e levamos apenas um cartão amarelo. Isto, se calhar, diz muito. No futebol moderno, seja em que escalão for, isto é impensável», desabafou. Zé Bizarro esclareceu que não pedia jogo sujo, mas sim outra entrega: «Queria que fossem mais agressivos na disputa da bola, no ataque… estamos a jogar a vida!».
Com este empate, o Moncarapachense encerra um ciclo difícil. José Bizarro, que chegou a meio da época para tentar o “milagre”, reconhece que o calendário final era exigente, enfrentando candidatos à subida, mas acredita que com mais lucidez o desfecho poderia ter sido diferente. «Agora é pensar no futuro e pronto, está feito», concluiu.















