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Bruno Dias após manutenção de “O Elvas” SAD: “Tivemos o manual de tudo o que de mal pode acontecer numa época”

No rescaldo do empate a zero frente ao Moncarapachense, que garantiu a continuidade de “O Elvas” SAD no Campeonato de Portugal, o técnico Bruno Dias fez uma análise mas extensa e emotiva a uma temporada de extrema exigência. Em declarações à Rádio ELVAS, o timoneiro dos “azuis e oiro” lamentou a falta de eficácia no jogo decisivo e o infortúnio que perseguiu a equipa ao longo de todo o ano.

Confira a entrevista na íntegra:

Pergunta: Como é que viu o jogo “O Elvas” – Moncarapachense?

Bruno Dias: «Eu creio que o resultado é injusto. Não gosto da palavra injustiça, mas não retratou o que se passou no jogo. Nós tivemos cinco claras oportunidades de golo, além de várias aproximações, devíamos ter ganho o jogo e por uma margem confortável. A verdade é que quando não fazem golos, não se ganha. Foi uma das grandes pechas ao longo da época, uma equipa que criou muito, sempre, e não fazendo golos. Obviamente, abre a possibilidade do adversário ganhar o jogo que ficou em aberto até ao fim, mas creio que não há dúvidas nenhumas que fomos a melhor equipa em campo, que existia uma ideia muito clara para o jogo, que a soubemos implementar e não fomos eficazes na finalização.»

P: Atingindo o objetivo mínimo que era a manutenção perante a situação de hoje, porque era tentar evitar que fosse ultrapassado pelo Moncarapachense? Bruno Dias: «Sim, obviamente ninguém está satisfeito com a época que foi efetuada, as expectativas eram muito grandes e obviamente com tudo o que se passou, tudo o que nós queríamos era que a época terminasse com o Elvas no Campeonato de Portugal, porque obviamente o Elvas tem que estar no Campeonato de Portugal, tem que continuar a crescer e tem que ser uma equipa capaz de dar o passo em frente porque tem todas as condições para isso. Eu penso que sim, obviamente que não interessa agora, não é momento para falar sobre isso, mas penso que a cidade merece, o clube merece, o projeto merece. Nós procuramos mostrar uma equipa com um futebol muito positivo, dominadora, capaz de empurrar os adversários, e eu creio que isso em 80, 85% dos jogos aconteceu. Não fomos tão eficazes na finalização como gostaríamos de ser, porque eu creio que se nós fizermos um balanço final da época, a média de oportunidades criadas pela equipa do Elvas é quatro oportunidades por jogo e consente duas. Os adversários muitas vezes foram mais eficazes que nós, mas realçar aquilo que foi o carácter e a forma como conseguimos sempre nos unir em todas as adversidades e garantir o tal objetivo mínimo, como disse, que eu concordo, era mesmo o objetivo mínimo.»

P: Em termos de época, falou aqui que a equipa não foi eficaz em alguns lances, até criou muitas ocasiões, mas também há o aspeto negativo de não ter tido sorte em alguns lances com os guarda-redes, que acabaram por fazer com que a equipa perdesse alguns pontos. Nas contas, talvez o Elvas, se esses erros não tivessem acontecido, estava neste momento a disputar a subida? Bruno Dias: «Pois, só que os “ses” no futebol não contam, não é? Esse é o ponto. Mas eu penso que toda a gente viu a época, percebeu que houve muitas situações que são anormais, que não é usual acontecer tantas vezes na mesma época, à mesma equipa. Às vezes quando queríamos aqui tentar tirar as nuvens negras que pairavam no sentido dos resultados com a equipa, nós até em termos de equipa técnica brincávamos no sentido de dizer “temos aqui o manual de tudo o que é possível de mal acontecer numa época”. E a verdade é que aconteceu na mesma época, eu não quero dizer tudo, mas praticamente tudo: as lesões dos guarda-redes, essas situações de infortúnio (golos mal sofridos). Foram tantas coisas que aconteceram, quem acompanhou todos os jogos do Elvas percebe que a classificação não reflete o que a equipa produziu em campo. Há épocas assim e temos que aceitar, aprender e crescer nesse sentido.»

P: Não quer terminar sem dar uma palavra à formação? Bruno Dias: «Eu não quero terminar também sem dar aqui uma palavra à equipa de Sub-23, aos nossos Sub-19 e aos nossos Sub-18, que foram campeões, porque tiveram sempre disponíveis para ajudar a equipa. Tivemos mais de 25 jogadores das camadas mais jovens que vieram treinar com a equipa principal. Muitas vezes não se têm noção disso, estrearam-se, por exemplo — e foi uma coisa que me deixou muito triste — um miúdo como o Diogo Carlos, daqui (de Elvas) estreou-se no Campeonato de Portugal, fez um golo como central, fez uma série de jogos a titular da equipa, e houve muito pouca valorização disso. Houve muito pouca valorização de todos os miúdos que se estrearam, mas eu quero deixar-lhes essa palavra porque seguramente eles são o futuro do clube, do projeto.»

P: Esta última parte final com dificuldades até do ponto de vista financeiro para os jogadores, foi um desafio ainda a esta partida e a ponta final do campeonato?Bruno Dias: «O contexto estava muito desafiante, obviamente, não escondemos que foram momentos delicados para nós, mas eu senti sempre um grande carácter por parte de toda a gente e uma vontade muito grande de dar o melhor todos os dias, dentro do treino e dentro do jogo. E a verdade é que eu creio que ninguém pode apontar o que quer que seja a esta equipa ao nível do trabalho, da vontade, da determinação. Conseguimos superar este desafio sempre agarrados uns aos outros e com uma personalidade grande e com uma vontade muito grande de honrar a nossa profissão, a cidade, o clube todos os dias, porque tem ali grandes homens, grandes profissionais.»

P: Perante estas últimas circunstâncias, está disponível para continuar no Elvas? Bruno Dias: «Eu estou disponível para descansar, agora. Hoje eu preciso descansar, acho que não é momento para se falar sobre isso, acho que é momento para toda a gente respirar fundo, porque eu acredito muito, porque daquilo que eu vejo e do que eu sinto da cidade, a cidade precisa deste clube num patamar mais alto. Obviamente que neste momento é preciso toda a gente respirar fundo porque não vamos esconder as coisas como elas são. Foi tirado um grande peso dos ombros de toda a gente. De toda a cidade, de todos os adeptos, de todos os profissionais, de toda a estrutura. Portanto, agora precisamos respirar, precisamos de libertar toda a adrenalina que temos.»

Da nossa parte que fizemos o acompanhamento de todos os jogos, na Rádio Elvas para que os ouvintes ouvissem o relato fechamos o ciclo. Obrigado a todos os que nos apoiaram aos ouvintes e aos anunciantes.

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