
O Núcleo de Elvas da Liga dos Combatentes vai promover, nos dias 2 e 12 de novembro, duas cerimónias de homenagem aos combatentes e de preservação da memória histórica, com destaque para a celebração do 103.º aniversário da instituição, que este ano terá lugar na Terrugem.
O programa foi apresentado pelo presidente do núcleo, sargento-mor José Miguêns, em entrevista à Rádio ELVAS, na qual destacou a importância de manter viva a memória dos militares que serviram o país e de transmitir esse legado às gerações mais jovens.
A primeira cerimónia realiza-se na próxima segunda-feira, dia 2, pelas 11h30, no Talhão do Combatente do cemitério de Elvas, no âmbito do Dia de Finados. O momento, de caráter simples e simbólico, contará com a deposição de flores junto ao monumento existente naquele espaço, em homenagem aos combatentes falecidos.
Segundo José Miguêns, com esta iniciativa pretende-se recordar todos aqueles que, em diferentes épocas da história nacional, deram o seu contributo ao serviço da Pátria. Apesar da simplicidade da cerimónia, o responsável sublinha a importância da participação das entidades militares e civis, nomeadamente do Município de Elvas e das juntas de freguesia, cuja presença representa um sinal de respeito pela memória dos militares falecidos.
Terrugem recebe cerimónia comemorativa a 12 de novembro
O dia 12 de novembro, quinta-feira, será marcado por uma cerimónia que reúne três efemérides: o 108.º aniversário da assinatura do Armistício, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, o 52.º aniversário do fim da Guerra do Ultramar e o 103.º aniversário do Núcleo de Elvas da Liga dos Combatentes.
As comemorações começam às 10h00, junto ao Monumento ao Combatente do Ultramar, na Terrugem, com honras militares e deposição de flores pelas autoridades militares e civis.
A escolha da Terrugem para estas comemorações insere-se numa lógica de rotatividade pelas freguesias do concelho onde existem monumentos de homenagem aos combatentes, com José Miguêns a destacar o valor do monumento local, idealizado e construído por habitantes da aldeia, com o especial contributo de Manuel Vinagre.
Após a cerimónia militar, o programa prossegue no Centro Cultural da Terrugem, com uma sessão solene que inclui alocuções, entrega de condecorações e atribuição de testemunhos de apreço a associados com mais de 25 anos de ligação à instituição.
Livro “A Paz” é apresentado durante as comemorações
Um dos momentos culturais previstos para 12 de novembro será o lançamento do livro “A Paz”, uma iniciativa do Núcleo de Elvas da Liga dos Combatentes que reúne poemas selecionados no âmbito do concurso de poemas e poesia, realizado no ano passado. A publicação conta também com reproduções de algumas obras de pintura que integraram a exposição “Coragem pela Defesa da Paz”, promovida há dois anos no Hotel Vila Galé Collection Elvas.
De acordo com José Miguêns, o livro resulta de um trabalho de seleção literária desenvolvido com a colaboração de César Magarreiro, sócio do Núcleo ligado ao meio literário, e pretende dar visibilidade à participação dos autores no concurso, associando a poesia à expressão artística e à defesa da paz. “Nós, como combatentes, temos sempre muito presente o valor da paz”, afirma José Miguêns, defendendo que todos podem contribuir, através da sua atividade, para a valorização deste princípio.
Nesta primeira edição, a publicação será distribuída gratuitamente, a título institucional. O responsável admite, contudo, que uma eventual segunda edição possa vir a ser disponibilizada mediante um valor destinado a apoiar a instituição, caso se verifique interesse suficiente.
O programa inclui ainda uma visita à Coleção do Combatente da Terrugem, um espaço dedicado à preservação de objetos e testemunhos relacionados com a Guerra do Ultramar, organizado com o contributo de José Nabiça, habitante da localidade e associado do Núcleo.
As comemorações terminam com um almoço de confraternização alusivo ao 103.º aniversário da instituição.
Núcleo conta com 345 sócios e aposta na renovação
O Núcleo de Elvas da Liga dos Combatentes conta atualmente com 345 associados, de diferentes faixas etárias, e procura assegurar a continuidade da sua missão através da participação de novos sócios, incluindo pessoas que não cumpriram serviço militar.
José Miguêns considera que o futuro da instituição não depende exclusivamente dos antigos combatentes, mas também da capacidade de mobilizar a sociedade civil para a preservação da memória coletiva.
Nesse sentido, destaca o programa “Dos Avós para os Netos”, que promove a inscrição de descendentes de combatentes como sócios extraordinários, permitindo reforçar os laços familiares e transmitir às novas gerações o significado do percurso dos seus antepassados.
Durante a sessão solene na Terrugem, será atribuído, pela primeira vez, um testemunho de apreço a um jovem de 12 anos, no âmbito desta iniciativa, num gesto que o presidente do Núcleo considera representativo da continuidade e da renovação da instituição.
O responsável recorda ainda que a Liga dos Combatentes disponibiliza protocolos com prestadores de serviços de saúde a nível local e regional, incluindo o Hospital da Misericórdia de Évora, com condições especiais para os associados.
Para José Miguêns, a missão do Núcleo passa por continuar a homenagear os combatentes, preservar a história e sensibilizar a comunidade para os valores da paz, da memória e da solidariedade.
A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:













