
O maestro e compositor campomaiorense Vasco Pereira tem vindo, através de uma organização que fundou, em 2018, juntamente com o compositor norte-americano Thomas Bramel, a procurar aproximar o público da música de câmara.
Foi nesse sentido que ambos, juntamente com vários compositores de diferentes nacionalidades, lançaram o álbum Embrace, interpretado por um quarteto constituído por piano, violino, violoncelo e flauta (Galan Trio & Zacharias Tarpagkos).
Segundo Vasco Pereira, o projeto nasceu da vontade de contrariar a ideia de que a música de câmara é demasiado exigente ou distante do público. “Como compositores, achamos que se pode fazer boa música, agradável ao público e agradável aos músicos também”, explica.
Para este álbum, Vasco Pereira contribui com a suite Jardim Extravagante, formada por cinco temas, que já foram considerados pela crítica especializada verdadeiros “postais musicais”.
A obra é composta por pequenos momentos musicais, com cerca de um minuto e meio a dois minutos, inspirados nas flores e plantas que nascem espontaneamente no campo. São temas “que representam as flores, as plantas que existem no campo, que nascem naturalmente sem qualquer cuidado e que vão aparecendo”, explica o compositor.
Entre os cinco temas destaca-se She Loves Me, She Loves Me Not, inspirado na conhecida brincadeira do “bem-me-quer, mal-me-quer”, em que se retiram sucessivamente as pétalas de uma flor para procurar uma resposta.
Musicalmente, a peça aproxima-se de uma linguagem mais popular, com o compositor a reconhecer uma inspiração no rock and roll. A própria estrutura da obra procura manter a incerteza até ao fim, numa referência direta à brincadeira das pétalas: “Nunca se sabe como é que termina”.
Quanto à crítica, nomeadamente a assinada pelo editor-chefe da revista Paris Move, Frankie Pfeiffer, Vasco Pereira diz ser sempre agradável ler elogios ao seu trabalho, embora considere que mesmo as críticas negativas podem ter utilidade. “É sempre agradável. Mesmo as que não são agradáveis, são sempre agradáveis”, afirma.
Para o compositor, é importante distinguir entre gostar e admirar. “O não gostar é uma questão pessoal. O admirar já é outra coisa”, sublinha, considerando que essa distinção também se aplica a outras áreas, como a pintura ou a poesia. Apesar disso, admite que uma boa crítica constitui sempre um motivo de satisfação. “Prefiro uma boa crítica a uma má crítica”, reconhece.
O álbum Embrace reúne trabalhos de vários compositores e resulta também de uma relação de partilha artística entre os seus autores. Vasco Pereira destaca a qualidade dos trabalhos dos restantes compositores e as trocas de ideias que surgem entre eles durante o processo criativo.
Entre as obras incluídas no álbum encontra-se ainda uma composição de Gary Judd, compositor que morreu em março deste ano, depois de enfrentar um grave problema de saúde. Vasco Pereira recorda-o como “a primeira baixa” do projeto e destaca a qualidade da obra que conseguiu deixar gravada.
Jardim Extravagante e todo o álbum Embrace estão disponíveis para ouvir nas principais plataformas digitais, incluindo o Spotify.
A música de Vasco Pereira surge, assim, a merecer elogios da crítica especializada, ao mesmo tempo que o compositor prossegue o objetivo de tornar a música de câmara mais próxima e acessível a novos públicos.















