Feira de São Mateus com duas horas sem música para promover inclusão de pessoas com autismo

A Feira de São Mateus, em Elvas, vai dedicar duas horas a uma iniciativa de inclusão dirigida às pessoas com perturbação do espetro do autismo (TEA). A medida está prevista para esta terça-feira, 22 de setembro, entre as 18h30 e as 20h30, período durante o qual serão desligados a música e os sistemas de som de todo o recinto, no Parque da Piedade.

A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal de Elvas, em parceria com a Confraria do Senhor Jesus da Piedade, e pretende proporcionar um ambiente mais tranquilo, com menos estímulos sonoros, permitindo que pessoas com perturbações do espetro do autismo possam visitar a Feira de São Mateus com maior conforto.

De acordo com a autarquia, a ação pretende contribuir para que “mais pessoas possam viver a magia do São Mateus, com conforto, tranquilidade e em família”.

Carlos Damião, juiz da Confraria do Senhor Jesus da Piedade, confirma que estão reunidas as condições para a realização da iniciativa. “Vai haver e está tudo tratado para que no dia em que eles vão visitar as festas não haja som, precisamente para que tudo corra dentro da normalidade e para que eles gostem”, afirma. Durante duas horas, diz ainda Carlos Damião, o som será “abafado” para criar condições mais adequadas à visita.

A iniciativa integra-se assim na programação da Feira de São Mateus com o objetivo de tornar o recinto mais acessível e acolhedor para pessoas com necessidades específicas relacionadas com a sensibilidade aos estímulos sonoros.

Maestro e compositor Vasco Pereira vê “Jardim Extravagante” reconhecido pela crítica especializada

O maestro e compositor campomaiorense Vasco Pereira tem vindo, através de uma organização que fundou, em 2018, juntamente com o compositor norte-americano Thomas Bramel, a procurar aproximar o público da música de câmara.

Foi nesse sentido que ambos, juntamente com vários compositores de diferentes nacionalidades, lançaram o álbum Embrace, interpretado por um quarteto constituído por piano, violino, violoncelo e flauta (Galan Trio & Zacharias Tarpagkos).

Segundo Vasco Pereira, o projeto nasceu da vontade de contrariar a ideia de que a música de câmara é demasiado exigente ou distante do público. “Como compositores, achamos que se pode fazer boa música, agradável ao público e agradável aos músicos também”, explica.

Para este álbum, Vasco Pereira contribui com a suite Jardim Extravagante, formada por cinco temas, que já foram considerados pela crítica especializada verdadeiros “postais musicais”.

A obra é composta por pequenos momentos musicais, com cerca de um minuto e meio a dois minutos, inspirados nas flores e plantas que nascem espontaneamente no campo. São temas “que representam as flores, as plantas que existem no campo, que nascem naturalmente sem qualquer cuidado e que vão aparecendo”, explica o compositor.

Entre os cinco temas destaca-se She Loves Me, She Loves Me Not, inspirado na conhecida brincadeira do “bem-me-quer, mal-me-quer”, em que se retiram sucessivamente as pétalas de uma flor para procurar uma resposta.

Musicalmente, a peça aproxima-se de uma linguagem mais popular, com o compositor a reconhecer uma inspiração no rock and roll. A própria estrutura da obra procura manter a incerteza até ao fim, numa referência direta à brincadeira das pétalas: “Nunca se sabe como é que termina”.

Quanto à crítica, nomeadamente a assinada pelo editor-chefe da revista Paris Move, Frankie Pfeiffer, Vasco Pereira diz ser sempre agradável ler elogios ao seu trabalho, embora considere que mesmo as críticas negativas podem ter utilidade. “É sempre agradável. Mesmo as que não são agradáveis, são sempre agradáveis”, afirma.

Para o compositor, é importante distinguir entre gostar e admirar. “O não gostar é uma questão pessoal. O admirar já é outra coisa”, sublinha, considerando que essa distinção também se aplica a outras áreas, como a pintura ou a poesia. Apesar disso, admite que uma boa crítica constitui sempre um motivo de satisfação. “Prefiro uma boa crítica a uma má crítica”, reconhece.

O álbum Embrace reúne trabalhos de vários compositores e resulta também de uma relação de partilha artística entre os seus autores. Vasco Pereira destaca a qualidade dos trabalhos dos restantes compositores e as trocas de ideias que surgem entre eles durante o processo criativo.

Entre as obras incluídas no álbum encontra-se ainda uma composição de Gary Judd, compositor que morreu em março deste ano, depois de enfrentar um grave problema de saúde. Vasco Pereira recorda-o como “a primeira baixa” do projeto e destaca a qualidade da obra que conseguiu deixar gravada.

Jardim Extravagante e todo o álbum Embrace estão disponíveis para ouvir nas principais plataformas digitais, incluindo o Spotify.

A música de Vasco Pereira surge, assim, a merecer elogios da crítica especializada, ao mesmo tempo que o compositor prossegue o objetivo de tornar a música de câmara mais próxima e acessível a novos públicos.

Grupo de Cantares de S. Vicente em guerra há dois anos: dinheiro, património e direção em disputa

Luís Grilo, fundador e antigo presidente da Associação Grupo de Cantares de São Vicente e Ventosa, acusa antigos dirigentes e elementos do grupo de terem promovido uma sucessão de atos ilegais que culminaram na sua expulsão e na alteração da direção da associação. Segundo o próprio, uma sentença judicial anulou as atas de 25 de junho e 24 de julho de 2024. Dois anos depois do início do conflito, continuam por resolver, afirma, questões relacionadas com dinheiro, instrumentos musicais e outro património da associação.

O conflito que opõe Luís Grilo a antigos elementos da Associação Grupo de Cantares de São Vicente e Ventosa começou, segundo o fundador, em 2024 e teve origem numa divergência relacionada com a utilização das instalações da associação pela Universidade Sénior.

Em declarações à Rádio Elvas, Luís Grilo explicou que a associação tinha um protocolo com a Junta de Freguesia de São Vicente e Ventosa, que, de acordo com o seu relato, permitia a utilização de uma determinada sala pelo Grupo de Cantares até outubro de 2025. O antigo presidente da associação afirma que discordou da decisão de permitir que a Universidade Sénior utilizasse esse espaço, defendendo que deveria ser utilizado o Espaço NET.

Na altura, Mário Gonçalves era professor de música da Universidade Sénior e, simultaneamente, responsável pelos ensaios do Grupo de Cantares. A utilização das instalações e de instrumentos musicais pertencentes ao grupo terá agravado as divergências entre os dois.

Luís Grilo afirma ter manifestado o seu desagrado junto do presidente da Junta de Freguesia, João Charruadas, e posteriormente ter procurado esclarecer a situação internamente. Segundo o seu relato, as divergências foram-se intensificando até à convocação de uma assembleia pelo então presidente da Assembleia da associação, João Valeriano.

Destituição da direção e primeiras queixas

De acordo com Luís Grilo, nessa assembleia João Valeriano terá procedido à destituição da direção, decisão que o então presidente considerou sem fundamento legal.

O fundador diz ter recorrido a um advogado, que terá elaborado uma comunicação dirigida ao presidente da Assembleia, contestando as competências para proceder à destituição da direção.

Foi posteriormente convocada uma nova assembleia para 25 de junho de 2024, destinada, segundo Luís Grilo, à realização de eleições para uma nova direção. O antigo presidente afirma ter contestado também essa assembleia, impedindo, segundo o seu relato, a concretização da votação.

Pouco depois, Mário Gonçalves comunicou aos restantes elementos do grupo que abandonava a associação. Luís Grilo afirma que ainda tentou demovê-lo da decisão, com o objetivo de encontrar uma solução que permitisse manter o trabalho desenvolvido pelo grupo.

A situação, contudo, acabaria por se agravar.

Nova direção e contestação judicial

Segundo Luís Grilo, posteriormente foi realizada uma assembleia, a 24 de julho de 2024, na qual terá sido eleita uma nova direção. O antigo presidente contesta a legalidade dessa votação, alegando que participaram pessoas que, de acordo com os estatutos da associação, não teriam legitimidade para votar.

Luís Grilo afirma ainda que a sua expulsão ocorreu sem que lhe tivesse sido instaurado um processo disciplinar que lhe permitisse apresentar a sua defesa.

Entre os elementos da direção eleita em julho de 2024, Luís Grilo identifica, entre outros, Mário Gonçalves como presidente.

Luís Grilo levou o caso para tribunal, apresentando uma ação contra a associação e contestando a validade das atas de 25 de junho e 24 de julho de 2024.

Segundo a sentença judicial que diz ter na sua posse, as duas atas foram declaradas nulas. Luís Grilo sustenta que a decisão judicial determinou, na prática, a reposição da situação existente antes das deliberações contestadas.

O antigo presidente sublinha, contudo, que os elementos envolvidos não terão contestado judicialmente a ação nos termos que esperava, circunstância que, segundo afirma, contribuiu para a decisão que lhe foi favorável.

Património e dinheiro continuam no centro da disputa

A decisão judicial não terá, porém, encerrado o conflito.

Luís Grilo afirma que, após receber a sentença, notificou os responsáveis para que devolvessem os bens e valores que pertenciam à Associação Grupo de Cantares de São Vicente e Ventosa. Segundo o antigo presidente, foi fixado um prazo que terminou a 14 de janeiro de 2026, sem que, no seu entender, todos os bens e valores tivessem sido devolvidos.

Luís Grilo recorreu posteriormente a um oficial de justiça, que terá notificado os responsáveis para procederem à entrega do património. Entre os bens que, segundo o seu relato, foram entretanto entregues estão instrumentos musicais, peças de vestuário, estantes e outros materiais utilizados pelo grupo. No entanto, afirma que continuam a faltar alguns artigos e dinheiro.

Um dos pontos que Luís Grilo considera mais relevantes prende-se com o saldo bancário da associação. Segundo o antigo presidente, a conta tinha 3.043,69 euros em 24 de julho de 2024. Afirma que, no momento da restituição, o valor disponível seria inferior em mais de mil euros.

Por esse motivo, solicitou à Caixa Geral de Depósitos informação sobre os movimentos da conta desde 24 de julho de 2024, bem como sobre as alterações efetuadas aos titulares ou responsáveis pela conta. Luís Grilo diz estar a aguardar uma resposta do banco e admite recorrer novamente ao tribunal caso não obtenha os esclarecimentos pretendidos.

Instrumentos e equipamentos também motivam acusações

Entre o património que diz não ter sido integralmente restituído estão seis livros com letras utilizadas pelo grupo, três coletes e três polos, além de outros materiais.

O antigo presidente contesta ainda o estado de uma estante e afirma que foram alteradas as correias de um acordeão que pertenciam ao grupo. Segundo Luís Grilo, as correias tinham sido adquiridas especificamente para facilitar a utilização do instrumento por um dos músicos.

O antigo presidente considera que todo o património deveria ter sido devolvido no estado e nas condições existentes à data determinada pela decisão judicial.

A entrega dos bens acabou por acontecer, segundo Luís Grilo, no Espaço NET e não na sede da associação. O fundador afirma que, quando se deslocou às instalações para fazer o inventário, verificou que a fechadura tinha sido entretanto mudada.

Diz ainda que os bens foram transportados para outro espaço antes da sua chegada, impedindo-o de verificar diretamente o estado do material na sede.

Surgimento dos “Cantadores da Planície”

Entretanto, segundo Luís Grilo, alguns dos elementos envolvidos no conflito começaram a desenvolver um novo projeto, os “Cantadores da Planície”, a que prefere chamar de “Ocupas” da Planície.

O antigo presidente contesta a legitimidade da utilização de espaços e de património associados ao anterior grupo e critica a atuação da Junta de Freguesia neste processo.

Luís Grilo considera que o presidente da Junta de Freguesia deveria ter impedido a utilização das instalações do Grupo de Cantares enquanto o litígio judicial permanecia por resolver, acusando-o ainda de saber que os elementos do grupo tinham alterado a fechadura da sede, mesmo dizendo-lhe não ter conhecimento da situação.

Grupo de 16 anos “foi destruído”

Luís Grilo lamenta particularmente aquilo que considera ser a destruição de um projeto que, afirma, tinha cerca de 16 anos e representava São Vicente e Ventosa em diferentes pontos do país.

“Foi destruído um grupo que tantas alegrias deu”, defende, considerando que a associação levou o nome da freguesia e do concelho a vários locais de Portugal.

O antigo presidente diz ter continuado a receber contactos de entidades interessadas em contratar o grupo, mesmo depois de ter perdido o controlo da associação, e afirma que teve de explicar que já não tinha acesso à estrutura.

Segundo Luís Grilo, existia inclusivamente um contrato previamente celebrado para uma atuação no âmbito das Festas de São Mateus. O fundador afirma que esse contrato tinha sido negociado antes da sua saída da direção.

Contestação à remuneração de Mário Gonçalves

Outro dos temas levantados por Luís Grilo prende-se com a remuneração de Mário Gonçalves.

O antigo presidente afirma que Mário Gonçalves recebeu valores pelo trabalho desenvolvido no grupo e questiona a possibilidade de um presidente de uma associação sem fins lucrativos ser remunerado pelas funções exercidas.

Nova direção e tentativa de recuperar a associação

Depois da decisão judicial, Luís Grilo afirma ter avançado para a reorganização da associação.

Segundo explica, existiam inicialmente oito sócios fundadores e foram posteriormente admitidos mais 21 associados, passando a associação a contar com 29 sócios.

Foram então convocadas eleições. Luís Grilo afirma que apenas a sua lista conseguiu reunir os elementos necessários para se apresentar a sufrágio, tendo sido posteriormente eleita.

A nova direção tomou posse já em 2026, segundo o seu relato, ficando acordado que o património da associação seria entregue à nova direção. A entrega, contudo, voltou a gerar divergências.

Luís Grilo afirma que parte dos bens continuava em falta e que alguns materiais apresentavam diferenças relativamente ao inventário que tinha elaborado. Por esse motivo, diz estar novamente a trabalhar com o seu advogado para determinar os próximos passos judiciais.

Possível nova ação judicial

O fundador admite avançar com novos processos contra pessoas que considera responsáveis pelos prejuízos causados à associação.

Para sustentar essa eventual ação, afirma estar a reunir documentação relativa às receitas obtidas pelo Grupo de Cantares em 2022 e 2023, que pretende comparar com os valores registados daí em diante.

O objetivo, explica, será calcular eventuais prejuízos provocados pela interrupção da atividade do grupo e pelo funcionamento da estrutura entretanto criada.

Luís Grilo garante que pretende levar o processo “até às últimas consequências” caso não sejam repostos todos os bens e valores que entende pertencerem à associação.

“Vai ser muito difícil” recuperar o grupo

Apesar de ter recuperado judicialmente o controlo da associação, Luís Grilo reconhece que reconstruir o Grupo de Cantares será uma tarefa difícil.

Na sua opinião, a saída de vários elementos e a criação de uma nova formação fragilizaram profundamente o projeto original.

Ainda assim, afirma que pretende preservar a associação e tentar recuperar o trabalho desenvolvido ao longo dos seus 16 anos de existência.

O conflito, iniciado em 2024, permanece assim com várias questões por resolver, segundo Luís Grilo: a restituição integral do património, o apuramento dos movimentos financeiros da associação, a eventual responsabilidade individual de antigos dirigentes e a possibilidade de reconstrução do Grupo de Cantares de São Vicente e Ventosa.

Em sua posse, Luís Grilo diz ter mensagens, atas, documentos bancários e a decisão judicial que, assegura, sustentam todas as suas declarações.

Mário Gonçalves rejeita acusações de Luís Grilo e diz que esclarecimentos serão feitos “nos locais próprios”

Mário Gonçalves reagiu às declarações de Luís Grilo à Rádio ELVAS sobre o conflito relacionado com a Associação Grupo de Cantares de São Vicente e Ventosa, rejeitando “categoricamente” a versão dos acontecimentos apresentada pelo antigo presidente da associação.

Mário Gonçalves afirma não reconhecer como verdadeiras as acusações e insinuações que lhe são dirigidas e diz não aceitar que “alegações pessoais, interpretações parciais ou afirmações que consideramos falsas sejam transformadas, pela sua repetição, em factos”. O atual responsável pelos Cantadores da Planície sublinha, contudo, que não pretende alimentar uma discussão pública através da comunicação social ou das redes sociais.

Segundo Mário Gonçalves, existe documentação que considera suficiente para demonstrar a sua versão dos acontecimentos. Essa documentação, afirma, será apresentada “perante as entidades competentes e, se necessário, em Tribunal”, recusando responder publicamente a cada uma das acusações feitas por Luís Grilo.

Património da associação

Mário Gonçalves rejeita qualquer ideia de apropriação de bens da associação e afirma que “tudo aquilo cuja entrega nos foi solicitada e que se encontrava na nossa posse foi disponibilizado e entregue”, acrescentando que terão sido entregues inclusivamente bens para além dos inicialmente solicitados.

O responsável rejeita, por isso, as insinuações relacionadas com dinheiro, instrumentos musicais, vestuário ou equipamentos. Quanto às restantes questões levantadas por Luís Grilo, incluindo contas bancárias, atas, fechaduras ou equipamentos, Mário Gonçalves diz não pretender discuti-las publicamente, defendendo que eventuais acusações devem ser apresentadas junto das autoridades competentes.

“Cantadores da Planície” dizem ter meios próprios

Relativamente aos Cantadores da Planície, Mário Gonçalves esclarece que o projeto dispõe de meios próprios para desenvolver a sua atividade.

“Não necessitamos de património do antigo Grupo de Cantares para existir, trabalhar ou atuar”, afirma, acrescentando que o grupo dispõe de “material próprio e novo” e tem desenvolvido a sua atividade através de atuações e compromissos próprios.

Mário Gonçalves rejeita, assim, qualquer associação entre a atividade dos Cantadores da Planície e uma eventual apropriação de património pertencente ao antigo Grupo de Cantares. Sobre a expressão utilizada por Luís Grilo para se referir ao novo projeto, afirma não pretender responder a “insultos”, defendendo que a qualidade de um projeto se demonstra através do seu trabalho e da relação com o público.

“Esta discussão pública termina aqui”

Mário Gonçalves afirma ainda que as pessoas de São Vicente e Ventosa e do concelho de Elvas conhecem os intervenientes e poderão formar a sua própria opinião sobre o conflito.

Apesar de defender o fim da discussão pública, deixa uma ressalva: “Não aceitaremos que o nosso nome, a nossa honra e a nossa reputação sejam sucessivamente colocados em causa através de afirmações que consideramos falsas ou deturpadas.”

O responsável adianta que o conteúdo das declarações de Luís Grilo será analisado e que, “sempre que se justifique”, poderá ser remetido às entidades competentes.

“A partir deste momento, aquilo que tiver de ser esclarecido será esclarecido nos locais próprios. Aquilo que tiver de ser provado será provado perante quem tem competência para apreciar a prova”, afirma.

Mário Gonçalves garante, por fim, que os Cantadores da Planície vão continuar a atividade com os seus próprios músicos, equipamentos e compromissos. “Não pretendemos destruir ninguém, reescrever histórias ou alimentar conflitos. Pretendemos apenas trabalhar em paz”, conclui, deixando, contudo, uma última advertência: “Não confundam silêncio com falta de resposta.”

Junta esclarece fim do protocolo

Também o presidente da Junta de Freguesia de São Vicente e Ventosa, João Charruadas, esclareceu à Rádio ELVAS a questão relacionada com a utilização das instalações da Junta pelo Grupo de Cantares.

Segundo João Charruadas, o protocolo que estava em vigor com o grupo terminou antes de outubro de 2025. O autarca explica que a decisão esteve relacionada com o facto de a associação “não ter atividade há mais de um ano”. “A Junta deliberou terminar o protocolo em vigor com 90 dias de antecedência”, acrescenta João Charruadas.

Sobre a mudança da fechadura do espaço utilizado pelo Grupo de Cantares, o presidente da Junta garante que apenas tomou conhecimento da situação no mesmo momento que Luís Grilo, quando ambos se terão deslocado ao local para que o antigo presidente da associação pudesse realizar o inventário do material.

Considerando que o conflito “é uma questão interna” do Grupo de Cantares de São Vicente e Ventosa, João Charruadas diz ter “pouco ou nada a acrescentar sobre o assunto”.