Skip to content

Orçamento Participativo: “Elvas com Patas” quer melhorar o bem-estar animal e a saúde pública na cidade

“Elvas com Patas”, da autoria de Luísa Raimundo, professora da Escola Superior de Biociências de Elvas, é um dos 14 projetos submetidos à votação na edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A proposta pode ser votada até 2 de outubro e tem um orçamento previsto de dez mil euros.

A iniciativa pretende conjugar bem-estar animal, saúde animal e saúde pública, tendo como ponto de partida um problema identificado ao longo de vários anos pela comunidade académica: a presença de formas parasitárias potencialmente zoonóticas nas fezes de animais deixadas nas ruas da cidade.

“Anualmente nós recolhemos fezes dos animais nas ruas de Elvas e temos a noção de que muitas ruas estão contaminadas”, explica Luísa Raimundo. Segundo a docente, algumas destas formas parasitárias podem transmitir-se aos seres humanos, representando um risco particularmente relevante para crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

Fosso e Jardim das Laranjeiras como projeto-piloto

O Fosso e o Jardim das Laranjeiras são as áreas escolhidas para a implementação inicial do projeto. De acordo com Luísa Raimundo, estes espaços são frequentemente utilizados pelos tutores para passear os seus cães, concentrando uma quantidade significativa de dejetos animais.

A proposta passa pela criação de um parque para cães, permitindo que os animais possam circular e brincar em segurança, afastados do trânsito automóvel. A medida pretende também reduzir situações de risco já observadas na zona, incluindo atropelamentos de animais.

O espaço deverá ainda funcionar como ponto de informação e sensibilização dos tutores, nomeadamente para a importância da recolha dos dejetos e da desparasitação dos animais.

A professora destaca também a necessidade de reforçar a informação relativa à leishmaniose, uma doença para a qual a região apresenta condições endémicas e cuja prevenção passa, entre outras medidas, pela vacinação e proteção adequada dos animais.

Projeto prevê intervenção junto de colónias de gatos

A segunda vertente do projeto “Elvas Com Patas” está relacionada com os gatos que vivem em colónias, sobretudo nas imediações da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A proposta prevê a criação de abrigos e estruturas de apoio, bem como a monitorização da colónia, procurando envolver voluntários e alunos da escola na alimentação e acompanhamento dos animais.

“Temos muitos alunos que estão muito sensibilizados”, asseguta Luísa Raimundo, salientando que os estudantes já desenvolvem iniciativas relacionadas com a saúde animal e procuram ajudar animais feridos encontrados nas proximidades da escola.

A intenção não é aumentar a população de gatos, mas monitorizar e controlar a colónia, em articulação com a Câmara Municipal e outras entidades.

Sensibilização como uma das principais apostas

Além das infraestruturas, o projeto aposta na formação e sensibilização. Os alunos da escola já desenvolvem, por exemplo, ações de sensibilização junto dos proprietários de animais durante o chamado “mês da desparasitação”.

Luísa Raimundo considera, contudo, que é possível tornar esse trabalho mais eficaz através de uma intervenção permanente no espaço.

A docente revela ainda que, ao longo dos anos, tem sido registada uma diminuição da percentagem de amostras contaminadas, sobretudo no Fosso e no Jardim das Laranjeiras, facto que associa também ao trabalho desenvolvido junto dos tutores.

Dez mil euros para arrancar

O projeto apresenta um orçamento de dez mil euros, verba que Luísa Raimundo considera suficiente para iniciar a iniciativa enquanto projeto-piloto, embora reconheça que poderá ser insuficiente para concretizar todas as infraestruturas idealizadas.

A proposta passa, por isso, por procurar apoios complementares junto do município, juntas de freguesia, empresas e outras entidades. A autora admite que alguns parceiros ligados à indústria farmacêutica e à alimentação animal poderão apoiar as ações de formação e sensibilização.

O objetivo é que, depois de testado no Fosso e avaliados os resultados, o projeto possa vir a ser implementado noutros locais. “Eu gostava muito que depois, se funcionasse e que tivéssemos resultados, de replicar, não só para diferentes pontos da cidade de Elvas, mas também para as freguesias”, explica.

Sem o financiamento do Orçamento Participativo, porém, a concretização do projeto ficará bastante condicionada. “Sem estes dez mil euros para avançar”, reconhece a responsável, “vai ser difícil”.

A autora aponta algumas dificuldades sentidas durante o processo de candidatura, nomeadamente relacionadas com a plataforma de votação e com a necessidade de os participantes terem residência oficial em Elvas, situação que impede a participação de estudantes da ESBE que vivem noutros concelhos.

Com “Elvas com Patas”, Luísa Raimundo pretende transformar uma preocupação identificada através do trabalho académico numa intervenção concreta no território, procurando que a proteção dos animais contribua também para uma cidade mais segura e saudável para a população.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Compartilhe este artigo: