
Um dos projetos a votação à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas pretende reforçar o bem-estar animal, através de um controlo responsável da população de gatos existente no concelho.
Cláudia Pombeiro é a mentora do projeto, que na sequência do trabalho desenvolvido pela associação Movimento Animal, procura agora, com esta candidaturas, novas respostas para fazer face às situações de abandono e de prestação de auxílio a animais em risco.
Colónias controladas e animais protegidos
Segundo a responsável, o principal objetivo passa pela criação de colónias devidamente controladas, com todos os animais esterilizados, vacinados e acompanhados por cuidadoras responsáveis. O projeto prevê ainda a instalação de abrigos para proteção dos gatos, a disponibilização de alimentação e o acompanhamento veterinário sempre que necessário.
“Queremos que cada colónia esteja organizada, com alimentação adequada, limpa e protegida. Além de melhorar as condições dos animais, também contribuímos para uma cidade mais cuidada”, afirma.
Cláudia Pombeiro alerta para a dimensão do problema no concelho, estimando que existam atualmente entre quatro e cinco mil gatos distribuídos por várias colónias, cuja população continua a aumentar devido à reprodução descontrolada.
Esterilização é prioridade
A responsável defende que a esterilização é a medida mais eficaz para travar o crescimento do número de animais abandonados. O projeto prevê igualmente apoio à esterilização de animais pertencentes a famílias com dificuldades económicas, reduzindo o risco de novas ninhadas e de futuros abandonos.
Caso seja concretizada, a iniciativa contará com um investimento de 25 mil euros, valor que permitirá, além da aquisição de abrigos e alimentação, assegurar tratamentos médico-veterinários para animais doentes e apoiar as cuidadoras que atualmente suportam, na maioria dos casos, todas as despesas do próprio bolso.
Recursos insuficientes
Apesar do trabalho desenvolvido pelo Movimento, Cláudia Pombeiro reconhece que os recursos são insuficientes para responder a todas as situações. Atualmente, os animais resgatados são encaminhados para famílias de acolhimento, uma vez que a associação continua sem instalações próprias para albergar os animais.
A responsável revela ainda que a associação solicita há mais de 15 anos a cedência de um terreno para construção de um abrigo, mas refere que continua sem resposta por parte da autarquia.
Quanto ao futuro, a intenção passa por alargar o projeto às freguesias do concelho, através da identificação e acompanhamento das diferentes colónias, num processo que considera exigente e de longo prazo.
Cláudia Pombeiro apela ainda à participação da população na votação do Orçamento Participativo, defendendo que este projeto representa uma oportunidade para melhorar as condições de vida dos animais abandonados, controlar a reprodução das colónias e promover uma convivência mais equilibrada entre a população e os animais.
A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:















