
À margem das comemorações do 18º aniversário do Comando Territorial de Portalegre da GNR, na manhã desta quinta-feira, em Fronteira, o secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, destacou aos jornalistas o investimento previsto para a construção da Escola da Guarda e do futuro Comando Territorial de Portalegre, considerando estes projetos duas das principais prioridades de investimento do Ministério da Administração Interna.
“Os dois maiores investimentos na área da Administração Interna são precisamente a Escola e o Comando de Portalegre da Guarda Nacional Republicana, e a Bela Vista da PSP, no Porto”, afirmou o governante, referindo-se a projetos que acumulam “décadas de atraso”.
O secretário de Estado adiantou que o investimento na Escola da Guarda e no Comando Territorial ultrapassa os cem milhões de euros, manifestando confiança no avanço do processo. “A minha convicção absoluta é que muito em breve estaremos em condições de fazer avançar esse investimento”, declarou.
Telmo Correia reconheceu, contudo, que a concretização do projeto exigirá tempo, sublinhando a importância de passar à fase de obra. “É muito importante que se chegue à obra e que a obra comece a avançar”, afirmou, considerando urgente a intervenção face às dificuldades das atuais instalações, marcadas pela antiguidade e pelos problemas que apresentam.
Questionado sobre o ponto de situação, o governante explicou que já existem deliberações e portarias de extensão de encargos, estando o processo na fase de projeto de execução e a aguardar avaliações e pareceres, nomeadamente de natureza ambiental, bem como licenciamentos municipais e a definição dos terrenos a utilizar.
Novas instalações e requalificação dos postos
O secretário de Estado abordou também os investimentos em infraestruturas das forças de segurança, destacando a importância das novas instalações e das intervenções de menor dimensão na melhoria das condições de trabalho dos militares.
Telmo Correia recordou a inauguração recente de uma infraestrutura no distrito de Portalegre e referiu a existência de obras em curso em Sousel, bem como intervenções previstas ou em fase de conclusão noutros pontos do território, incluindo Alter do Chão.
O governante salientou ainda que estão previstas 90 pequenas reparações em instalações da GNR e da PSP, com execução ao longo de 2026. Apesar de não terem a dimensão financeira dos grandes projetos, estas intervenções podem resolver problemas concretos, como infiltrações e deficiências nas coberturas dos edifícios.
“Se uma reparação dessas resolver um problema de uma cobertura e deixar de chover dentro de uma infraestrutura, isto muda significativamente a qualidade dos militares, no caso da GNR, ou dos polícias, no caso da PSP, que estão a trabalhar nessa infraestrutura”, afirmou.
Segundo Telmo Correia, estas obras, muitas delas realizadas em articulação com os municípios, integram o esforço de melhoria das condições de trabalho e de valorização dos profissionais das forças de segurança.
Manifestações e valorização das forças de segurança
Questionado sobre as manifestações promovidas por profissionais das forças de segurança e sobre as reivindicações apresentadas no contexto das medidas já anunciadas pelo Governo, o secretário de Estado afirmou que cabe ao executivo respeitar o direito constitucional de manifestação.
“Eu não sou um comentador político e, portanto, não tenho que fazer apreciações sobre se as manifestações se justificam ou não. Eu tenho que, como membro do Governo, respeitar o direito de manifestação”, declarou.
Telmo Correia enquadrou os protestos no processo negocial em curso e no debate do Orçamento do Estado, manifestando a expectativa de que as negociações permitam dar resposta às matérias ainda pendentes.
O governante recordou o acordo celebrado em 2024, que classificou como “absolutamente histórico”, defendendo que este permitiu responder a parte do descontentamento existente nas forças de segurança, através de aumentos remuneratórios. Acrescentou, contudo, que ficaram outras matérias acordadas cuja revisão está agora em discussão.
“O nosso grande objetivo” é ter forças de segurança “valorizadas, prestigiadas” e capazes de atrair mais jovens para a profissão, afirmou Telmo Correia, referindo ainda a formação de novos guardas da GNR e a realização de dois cursos anuais na PSP.















