
A crise da habitação em Portugal é o ponto de partida para “Vista Céu ou a Glorificação da Imbecilidade”, a nova criação do Colectivo Cultura Alentejo, que tem estreia marcada para 16 de outubro, no Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, às 21h30.
O espetáculo, que volta a ser apresentado ao público no dia seguinte, no mesmo espaço e à mesma hora, é a 15.ª criação da companhia de Estremoz e, segundo o encenador Cláudio Henriques, mantém uma das linhas que têm marcado o trabalho do coletivo: levar para palco temas da atualidade e da sociedade através do humor, levantando questões e procurando provocar a reflexão do público.
“Fala declaradamente sobre a crise na habitação em Portugal e tudo o que isso agrega e tudo o que gravita à volta deste problema enorme que afeta milhares de pessoas”, explica o também artor e diretor artístico do Colectivo Cultura Alentejo, referindo-se às famílias de todo o país, com particular incidência nos grandes centros urbanos.
Em “Vista Céu”, a problemática é abordada através de uma comédia de forte componente sarcástica. “Tem um texto muito rápido, como nós gostamos muito de fazer, carregado de duplos sentidos e de subtexto”, descreve Cláudio Henriques.
A história concentra-se numa habitação e em três personagens, que desenvolvem entre si uma trama em torno daquele espaço. O encenador promete um espetáculo de “ritmo alucinante”, mantendo a aposta da companhia numa linguagem cénica marcada pelo humor e pela interação entre as personagens.
A criação parte do texto “Box and Cox”, de John Maddison Morton, com adaptação textual de Maria Toureiro e Sofia Soares Ribeiro. A dramaturgia é de João Tábua. Em palco, a Maria Toureiro e Sofia Soares Ribeiro junta-se Rui Serrano.
Do Alentejo para Lisboa
Ainda antes da estreia em Estremoz, “Vista Céu” já tem uma parte da sua circulação definida. A companhia, para além de ter uma apresentação já prevista para Reguengos de Monsaraz, regressa a Lisboa em novembro, com quatro apresentações no Teatro do Bairro, depois da experiência positiva alcançada naquela mesma sala de espetáculos, no ano passado, com “A Novela”.
Cláudio Henriques destaca a receção do público lisboeta à companhia alentejana, que encontrou salas cheias durante a passagem anterior pela capital.
“Para nós, para uma companhia do interior do país, aqui do nosso Alentejo, é um orgulho. Já é o segundo ano consecutivo”, afirma o encenador, que lembra que o Teatro do Bairro “é uma das principais salas de espetáculos do país”.
A presença no Teatro do Bairro representa, segundo o encenador de “Vista Céu”, um motivo de orgulho não apenas para a companhia, mas também para a comunidade de onde esta parte. O regresso a Lisboa está previsto para novembro, com quatro datas já asseguradas, estando outras apresentações em fase de confirmação.
O ator avança ainda que, para o ano, a companhia de Estremoz vai voltar àquele espaço cultural da capital. “Foi-nos estendido o convite, ou seja, estamos a integrar, de forma regular, o Teatro do Bairro”, remata.
Com “Vista Céu ou a Glorificação da Imbecilidade”, o Colectivo Cultura Alentejo mantém assim a aposta na criação teatral a partir do Alentejo, cruzando temas sociais contemporâneos, comédia e crítica numa produção que estreia em Estremoz antes de prosseguir a sua circulação.















