
Os concelhos de Estremoz e Monforte recebem, ao longo de outubro e novembro, os laboratórios teatrais que dão início ao projeto “Raiz – Paisagem Humana”, uma iniciativa do Colectivo Cultura Alentejo, integrada na sua candidatura a Évora_27, Capital Europeia da Cultura.
Do trabalho realizado com as comunidades, a companhia de teatro de Estremoz pretende recolher memórias, perspetivas sobre o presente e visões para o futuro, materiais que estarão na base de um espetáculo teatral e de um filme.
Cláudio Henriques, diretor artístico do Colectivo Cultura Alentejo, explica que esta primeira etapa corresponde ao que a equipa designa como “recolha de memórias”. Fotografias, músicas, histórias e testemunhos dos participantes serão recolhidos e registados em diferentes formatos ao longo dos laboratórios.
“Ao longo destes dois meses de laboratórios, vamos trabalhar exercícios e questões que nos interessam trabalhar com a comunidade. Vamos querer saber os pontos de vista das pessoas, as memórias, quais as perspetivas do futuro, o que acham sobre o presente, qual a visão delas sobre o passado”, explica.
A proposta envolve participantes de diferentes gerações — crianças, jovens, adultos e seniores — numa tentativa de construir uma imagem diversificada da relação da população com o território.
“É simplesmente auscultar, ouvir e deixar que a população se abra e partilhe connosco o que achar e o que bem entender”, sublinha Cláudio Henriques, salientando que a equipa pretende iniciar o processo sem ideias preconcebidas sobre aquilo que encontrará.
Quase 40 participantes
As inscrições para os laboratórios terminam esta quarta-feira, 30 de setembro, e, segundo o responsável, a adesão tem sido significativa. O projeto reúne já cerca de 40 participantes, com uma presença particularmente expressiva de crianças, jovens e seniores, quer em Estremoz, quer em Monforte.
Cláudio Henriques admite que esta diversidade etária foi uma surpresa positiva para a equipa. Entre os participantes mais jovens, o responsável espera encontrar novas perspetivas sobre o território, enquanto os seniores poderão contribuir com memórias e conhecimentos sobre aquilo que existiu e se transformou ao longo do tempo.
“Estou muito contente com estas inscrições porque conseguimos ter aqui uma visão, se calhar, um bocadinho mais imberbe de uma juventude que pode ser muito interessante”, afirma.
A diversidade entre os grupos é, para o responsável, uma das componentes centrais do projeto. As histórias pessoais, as memórias coletivas e o conhecimento sobre as transformações do território deverão cruzar-se com uma outra questão: como imaginam os participantes o futuro do Alentejo?
“Dos seniores teremos histórias maravilhosas, com certeza, que têm para nos contar, memórias, conhecimento do que é que já existiu, o que é que não existe (…) E depois, para mim, é tentar perceber como é que eles idealizam também o futuro deste nosso Alentejo”, acrescenta Cláudio Henriques.
Das memórias ao palco
O material recolhido durante os dois meses de trabalho será posteriormente trabalhado pela equipa artística. A intenção é transformar os testemunhos e experiências reunidos numa dramaturgia e num texto para o espetáculo final, cuja apresentação está prevista para abril, no Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz.
O projeto terá ainda uma componente cinematográfica, que acompanhará todo o processo, desde as primeiras reuniões e o contacto com as comunidades até à criação e apresentação do espetáculo. O filme deverá ser apresentado também em abril, na Biblioteca Municipal de Estremoz.
“Raiz – Paisagem Humana” é um dos 33 projetos, das 287 candidaturas apresentadas por agentes culturais e artísticos de todo o Alentejo, a integrar a programação de Évora_27.















