
A Comissão Política do PSD de Elvas manifesta “sérias dúvidas” quanto à objetividade e credibilidade do concurso para o cargo de diretor do Departamento de Cultura, Turismo, Inovação e Comunicação da Câmara Municipal de Elvas, contestando os critérios utilizados na avaliação dos candidatos e a composição do júri.
Num comunicado divulgado sobre o processo, os social-democratas apontam que a candidata que obteve a classificação mais elevada na avaliação curricular, com 17,66 valores, acabou por ser ultrapassada na fase da entrevista. O candidato selecionado, Cláudio Monteiro, terá obtido 18,50 valores nesta fase, enquanto à outra candidata foram atribuídos 15 valores.
Na sequência destes resultados, a classificação final terá ficado em 16,58 valores para Cláudio Monteiro e 16,33 valores para a candidata que liderava inicialmente a avaliação curricular, uma diferença de apenas 0,25 valores.
O PSD questiona também o facto de Cláudio Monteiro já exercer funções como diretor do departamento antes da abertura do concurso. Segundo o partido, o responsável foi exonerado do cargo de chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal de Elvas a 5 de fevereiro de 2026 e, no dia seguinte, nomeado, em regime de substituição, para o cargo de diretor do Departamento de Cultura, Turismo, Inovação e Comunicação. O concurso público terá sido posteriormente publicitado, a 26 de março.
A estrutura concelhia do PSD contesta ainda alguns dos fundamentos utilizados na avaliação da candidata. Entre os exemplos apontados está a referência a que a candidata “não conhece a realidade local”, no âmbito da apreciação da sua capacidade para estabelecer relações externas.
O partido critica igualmente um dos argumentos utilizados na avaliação da competência de liderança, segundo o qual a candidata “gosta de trabalhar próxima das pessoas, mas não está para fazer amigos”.
Na perspetiva dos social-democratas, estes fundamentos levantam dúvidas quanto à existência de critérios suficientemente objetivos e mensuráveis na avaliação das competências exigidas para o desempenho de um cargo dirigente.
Outra das questões suscitadas pelo PSD prende-se com a composição do júri. O partido considera questionável que um concurso destinado a selecionar o responsável por áreas como Cultura, Turismo, Inovação e Comunicação tenha sido conduzido por um júri composto por dirigentes ligados às áreas de Administração e Recursos Humanos, Financeira e Obras e Serviços Urbanos.
Perante o processo, a Comissão Política do PSD de Elvas anunciou que irá votar contra futuros concursos para cargos dirigentes da autarquia enquanto estes não forem conduzidos, “do início ao fim”, por entidades externas e especializadas em recrutamento, nos termos legalmente admissíveis.
“É necessário restabelecer a transparência, a imparcialidade e a credibilidade dos processos de recrutamento na Câmara Municipal de Elvas”, defende o PSD. O partido considera que os cidadãos devem poder confiar que, num concurso público, é selecionado o candidato que demonstre, de forma objetiva, ser o mais qualificado para o cargo.















