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António Maria Ramos transformou as memórias da casa da avó na obra vencedora do Prémio Literário Hugo Santos

“As Coisas Também Fazem Testamento”, da autoria de António Maria Ramos, é a obra vencedora da quinta edição do Prémio Literário Hugo Santos, iniciativa promovida, desde 2022, pelo Município de Campo Maior, em homenagem ao autor campomaiorense falecido em novembro de 2018.

Nesta obra de poesia, e sob o pseudónimo Aurélio Vagar, António Maria Ramos convida o leitor a entrar em casa da sua avó Arcanja, em Aguiar, no concelho de Viana do Alentejo, onde passou grande parte da infância.

António Maria Ramos vence este prémio na primeira vez que escreve uma obra de poesia, depois de já ter vencido, também este ano, um outro concurso literário: o 15º Prémio Aldónio Gomes da Universidade de Aveiro, com a obra “A Sintaxe do Silêncio”.

“No meu mundo literário, se assim lhe posso chamar, é o segundo prémio que acabo por vencer e, curiosamente, ambos neste ano, apesar de já escrever desde que me conheço por alguém”, começa por dizer o autor, confessando que esta vitória acaba por ser “especial”, dado que foi a primeira vez que “mergulhou” numa “obra deste género”.

Apesar de considerar que não se trata de uma obra de grande complexidade, em “As Coisas Também Fazem Testamento” António Maria Ramos faz um retrato “não absoluto, mas quase” da casa da sua avó, que faleceu há cinco anos. Encontrando a casa “totalmente intacta”, tal e qual como a avó a deixou quando partiu, ali António deparou-se, ao ir passando de divisão em divisão, com “pormenores” que marcaram a sua infância e que viriam a servir de inspiração à sua escrita.

Com uma componente emocional “muito importante” para o autor, este livro, que sente que escreveu sobretudo com o coração, faz parte de um portefólio grande de trabalhos que já tem e que inclui obras dos mais diversos géneros literários, como romances e thrillers.  

“Eu tentei colocar em palavras o que as coisas significam para mim”, explica o escritor, que confessa que, do seu ponto de vista, todos os objetos da sua avó continuam “vivos”, por se encontrarem exatamente no mesmo local em que os deixou.

A submissão de “As Coisas Também Fazem Testamento” ao prémio da Câmara de Campo Maior, revela ainda António Maria Ramos, aconteceu depois do “empurrão” dado por um colega, Manuel Saiote, que há muito se dedica à poesia. “Foi graças a ele e ao incentivo dele que acabei por me exprimir num género diferente, no qual eu não estaria de todo confortável, nem posso dizer que é o meu género predileto de escrita”, confessa.

Contrariamente ao que aconteceu sempre até então, e porque a sua relação com a poesia se tornou tão “peculiar”, a única pessoa que leu “As Coisas Também Fazem Testamento” antes da sua submissão ao concurso foi Manuel Saiote. Todas as outras obras que já escreveu, conta ainda o autor, foram sempre lidas, em primeiro lugar, pela sua esposa e, logo depois, pela sua irmã.

Com a conquista do Prémio Literário Hugo Santos, o autor verá a sua obra publicada em livro e receberá ainda 1.500 euros. Não escondendo a sua satisfação, António Maria Ramos diz-se muito grato, sobretudo, pela forma como é atribuído este prémio. “Este tipo de prémio, que primeiro lê e depois pergunta quem, permite que vários escritores acabem por ter uma oportunidade que, se calhar de uma outra forma, não teriam, porque o mercado tem um funcionamento muito restrito e seletivo. Desta forma, todos acabamos por ter uma oportunidade. Ao concorrer através de um pseudónimo, permite-nos ter alguém que nos leia, premiando ou não premiando, mas sabendo que aquilo que escrevemos, aquilo que queremos passar, acaba por ser lido por alguém”, assegura.

Natural de Évora, e gestor de profissão, liderando diariamente largas centenas de pessoas, António Maria Ramos gosta de dizer que a gestão o ensinou a ler as pessoas, enquanto a escrita lhe deu o poder de lhes reescrever o destino.

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