
A quarta e última reunião para tentativa de formação do executivo da Junta de Freguesia de Santa Eulália realizou-se a 6 de março. Uma vez mais, e sem se chegar a um consenso entre os eleitos das diferentes forças políticas, ficou claro que não havia alternativa senão avançar para novas eleições.
Nesse sentido, José Picado, presidente da Junta de Freguesia de Santa Eulália eleito pelo CHEGA, fez chegar um ofício ao presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, com vista à marcação dessas eleições intercalares mas, até ao momento, não obteve qualquer resposta, segundo revela em declarações à Rádio ELVAS.
“Mandei-lhe o ofício e o relatório fundamentado, em carta registada, com aviso de receção, e foi rececionado na Câmara no dia 11 de março. Mas parece que aqui, nesta Câmara, não há prazos para responder a nada…”, começa por dizer José Picado, que lembra que a junta de Santa Eulália continua num verdadeiro “impasse”.
“Eu já pedi várias vezes que se considere esta impossibilidade de constituição da junta, que se considere impossível a nível político. Com este impasse, estamos cada vez mais apertados a nível de ação. A ação é simplesmente a nível administrativo, o que torna muito, muito difícil gerir uma freguesia”, adianta.
No caso de Rondão Almeida não responder entretanto ao ofício, convocando eleições, José Picado garante que irá entrar por “outras vias”, sendo uma delas “ir diretamente à Comissão Nacional de Eleições” (CNE). “Tenho intenção de o fazer, e quando digo que tenho intenção de o fazer, o senhor presidente da Câmara sabe perfeitamente que o faço”, assegura.
Para José Picado, a não marcação de eleições, por parte do presidente da Câmara Municipal, tem apenas em vista “dificultar ao máximo” o trabalho da junta de freguesia. “Nós não conseguimos andar para a frente com a junta de freguesia e penso que o objetivo é precisamente esse: dificultar ao máximo a ação, de forma a tentarem manipular a população, para tentarem demonstrar que é a junta de freguesia que não consegue fazer as coisas, quando a junta de freguesia não pode, porque são eles que estão a barrar as coisas legalmente”, garante.
Por outro lado, Picado defende que o Movimento Cívico por Elvas e o PS estão a “tentar ganhar tempo para ouvir a população”, tal como fizeram “naquele célebre comício (sobre a variante), disfarçado de auscultação” da população, sem apresentar nenhum estudo político-económico, financeiro ou demográfico; não apresentaram nada”. “A única coisa que fizeram foi apresentarem-se ali a gritar ao povo e o objetivo deles era auscultarem a população. E é isso que eles continuam a fazer: é auscultar e saber até onde podem ir”, diz ainda.
Revelando que, na atual situação, a junta de freguesia não pode, por exemplo, comprar uma máquina de química, mas pode saldar dívidas deixadas pelo executivo anterior, José Picado diz ainda que, dentro das limitações impostas, sente que tem feito “muito trabalho” em prol da população.
A entrevista completa a José Picado para ouvir no podcast abaixo:














