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Colisão de comboios provoca pelo menos 39 mortos em Córdoba

Pelo menos 39 pessoas morreram e centenas ficaram feridas, 24 em estado grave e cinco muito graves, na sequência do descarrilamento de dois comboios de alta velocidade na zona de Adamuz, na província de Córdova, de acordo com a Rádio Cadena SER. As autoridades ativaram todos os hospitais da província, incluindo os de gestão privada, para prestar assistência às vítimas.

O acidente ocorreu cerca das 19h45 de domingo (hora de Madrid) quando os últimos vagões de um comboio da Iryo, que seguia de Málaga para Madrid, descarrilaram e invadiram a via contrária. Nesse momento circulava nessa linha um comboio Alvia, que fazia o percurso Madrid–Huelva. Com o impacto, os dois primeiros vagões deste comboio foram projetados e caíram por um talude de vários metros. Até ao momento, contabilizam-se 39 mortos, cinco feridos muito graves, 24 feridos graves e 123 feridos de menor gravidade, que não necessitaram de hospitalização.

Os trabalhos de resgate prolongaram-se durante toda a noite, na tentativa de localizar eventuais pessoas presas nos comboios sinistrados, embora as autoridades não tenham avançado um número de desaparecidos. A circulação ferroviária entre Madrid e a Andaluzia permanece interrompida e deverá manter-se assim pelo menos durante toda esta segunda-feira, dia 19 de janeiro.

As empresas ferroviárias disponibilizaram um número para apoio aos familiares das vítimas, tendo sido igualmente ativados três pontos de apoio psicológico em Madrid, Huelva e Córdova. No local foi instalado um Hospital de Campanha, com profissionais de toda a Andaluzia, Extremadura e Castela, estando no terreno bombeiros de toda a Andaluzia e uma unidade especial do Exército.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, classificou o impacto como “terrível” e considerou o acidente “muito estranho”, por ter ocorrido numa reta, num troço recentemente renovado e envolvendo um comboio moderno. Já o presidente da Junta da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, previu uma “noite muito complicada” para as operações de socorro, admitindo que o número de vítimas mortais possa ainda aumentar.

Segundo as primeiras informações, viajavam cerca de 300 pessoas no comboio da Iryo e 186 no Alvia, entre passageiros e trabalhadores, das duas primeiras carruagens, as mais afetadas pelo impacto, havia 56 passageiros. O chefe do Governo espanhol Pedro Sánchez expressou, numa mensagem na rede social X, as suas condolências às famílias e amigos das vítimas, sublinhando que “todo o país está convosco neste momento tão difícil”.

Para dar resposta à emergência, foi mobilizado pessoal de saúde de toda a província de Córdoba, mantendo todos os blocos operatórios disponíveis em funcionamento. A rede de centros de transfusão procedeu ainda à redistribuição de sangue para Córdova e Jaén, tendo sido pré-avisados o Hospital de Andújar e o Hospital Universitário Virgen del Rocío, para eventual transferência de doentes.

A Conselharia de Justiça, Administração Local e Função Pública da Junta da Andaluzia ativou o Plano de Atuação Territorial médico-forense do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, mobilizando 32 profissionais, entre os quais 16 médicos-legistas, quatro psicólogos e dois assistentes sociais. Equipas de Sevilha e Granada foram igualmente colocadas em alerta para apoiar os procedimentos de remoção, identificação e autópsia, face à gravidade excecional do acidente ocorrido em Adamuz.

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