
O presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, Miguel Lopes, apela à população do distrito de Portalegre para que reforce a adesão à vacinação contra a gripe e a Covid-19, numa altura em que já se verifica um aumento da circulação de vírus respiratórios na comunidade.
“Este ano há uma aposta mais forte em termos de comunicarmos junto da população a importância da vacinação”, afirma Miguel Lopes, justificando a iniciativa com os resultados registados em 2025, que, segundo o responsável, revelaram “uma franja significativa” da população que não se tem vacinado nos últimos anos.
O responsável da ULS Alto Alentejo considera que uma das razões para a diminuição da adesão poderá estar relacionada com o “cansaço” provocado pela resposta à pandemia de Covid-19 e pelo impacto que a vacinação teve na perceção de muitos cidadãos.
“Tudo aquilo que foi a resposta no âmbito da vacinação à pandemia da Covid ainda está muito presente na nossa vida”, assegura, acrescentando que permanecem também preocupações relacionadas com alegados efeitos secundários e perdas na saúde associados à vacinação. Miguel Lopes sublinha, contudo, que “muitos destes factos ainda estão por comprovar cientificamente”.
“Estamos já num período inicial de um pico de vírus respiratórios”
O apelo à vacinação surge, segundo Miguel Lopes, num momento particularmente importante devido ao aumento da circulação de vírus respiratórios: “Neste momento, nós estamos já num período inicial de um pico de vírus respiratórios”.
Miguel Lopes adianta ainda que já existe na comunidade circulação de uma estirpe mais recente da Covid-19, que classificou como “altamente infeciosa”, bem como da gripe A.
Perante este cenário, a ULS Alto Alentejo e as farmácias do distrito estão a reforçar o apelo à vacinação, com especial atenção para os grupos considerados de maior risco.
Apelo aos maiores de 60 anos, doentes crónicos e crianças
Miguel Lopes destaca a importância da vacinação entre a população com mais de 60 anos e as pessoas com doenças crónicas, considerando estes grupos prioritários na proteção contra as infeções respiratórias. Desta feita, o responsável deixa também um apelo específico aos pais para que considerem a vacinação das crianças.
Embora admita que a Covid-19 e a gripe A possam não atingir as crianças de forma significativa, o presidente do Conselho de Administração da ULS Alto Alentejo alerta para o papel que estas podem desempenhar na transmissão dos vírus dentro das famílias. “As crianças serão portadoras desses vírus e, ao estarem em contacto com os seus pais, com os seus irmãos, com os seus avós, irão disseminar esses vírus”, explica.
Nesse sentido, Miguel Lopes considera que a vacinação deve ser encarada não apenas como uma forma de proteção individual, mas também como uma medida para reduzir a transmissão dos vírus na comunidade. “Apelo, por isso, aos pais que considerem a vacinação das suas crianças”, conclui.
Alargamento da vacinação gratuita
A principal novidade da campanha deste ano é o alargamento da vacinação gratuita contra a gripe às crianças dos dois aos quatro anos, assim como a vacinação dos profissionais de saúde dos setores social e privado, das pessoas em situação de sem abrigo e das pessoas privadas de liberdade. A esses juntam-se ainda as pessoas com mais de 69 anos e os doentes crónicos.
Passou também a ser recomendada a administração de duas doses às crianças dos seis aos 23 meses, em situação de primovacinação (quem se vai vacinar pela primeira vez).
No que diz respeito à Covid-19, a recomendação passa a estar mais direcionada para os grupos com maior risco de doença grave, hospitalização e morte. O limiar etário subiu dos 60 para os 70 anos, mantendo-se a vacinação de pessoas com condições de risco e de residentes em estruturas e contextos particularmente vulneráveis.














