
O projeto “Proxim(Idades) Maiores”, um dos 14 candidatos ao Orçamento Participativo do Município de Elvas, pretende promover um envelhecimento mais ativo e saudável através da utilização de tecnologia ao serviço da reabilitação.
A iniciativa foi apresentada pela enfermeira Ana Abrantes, em representação de uma equipa de quatro enfermeiros especialistas em Enfermagem de Reabilitação da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo.
Em entrevista à Rádio ELVAS, Ana Abrantes explica que o projeto nasceu da preocupação com o envelhecimento da população e com a necessidade de preservar a autonomia e a independência dos idosos durante o maior tempo possível. “Vivemos numa sociedade cada vez mais envelhecida e Elvas tem uma elevada taxa de população idosa. O nosso objetivo é mostrar que envelhecer não significa perder autonomia”, afirma.
Além de Ana Abrantes e do enfermeiro Rui Cambóias, ambos a exercer funções na Ortopedia do Hospital de Santa Luzia, em Elvas, a equipa integra ainda as enfermeiras Inês Galega e Marta Rodrigues, que trabalham na área da Medicina.
A proposta será implementada, caso obtenha financiamento, no Lar da Terrugem e no Lar de Santa Eulália, instituições que já manifestaram disponibilidade para acolher o projeto.
“Proxim(Idades) Maiores” assenta num sistema de telereabilitação, recorrendo a equipamentos simples, como tablets, para complementar os cuidados prestados aos idosos. Segundo Ana Abrantes, a tecnologia não substituirá a intervenção dos profissionais, mas permitirá criar programas personalizados de reabilitação física e cognitiva, sempre com o acompanhamento das animadoras socioculturais e dos colaboradores das instituições. “O objetivo é integrar também os idosos na evolução tecnológica da sociedade, utilizando ferramentas simples e acessíveis”, explica.
Entre as atividades previstas encontram-se sessões de estimulação cognitiva e experiências virtuais, como visitas a locais emblemáticos do mundo, permitindo aos residentes conhecer espaços que nunca tiveram oportunidade de visitar. A iniciativa pretende ainda estimular a socialização e combater o isolamento entre os idosos.
A equipa acredita que o projeto poderá contribuir para melhorar a mobilidade, o equilíbrio e reduzir o risco de quedas, uma das principais causas de internamento entre a população mais idosa.
Outra das vertentes passa pelo treino das atividades de vida diária, incentivando os idosos a realizarem, sempre que possível, as suas tarefas de forma autónoma. “Muitas vezes, por ser mais rápido, os profissionais acabam por substituir os idosos nessas atividades. Quanto mais tempo conseguirem manter essas capacidades, maior será a sua independência”, refere.
Embora o projeto dependa da votação no Orçamento Participativo para aquisição do equipamento necessário, num investimento de cerca de mil euros, os enfermeiros garantem que a intervenção será realizada de forma voluntária, fora do horário de trabalho. “O projeto não terá qualquer custo para as instituições. Nós iremos desenvolvê-lo no nosso tempo livre”, adianta Ana Abrantes, acrescentando que a equipa pretende avançar com a iniciativa mesmo que não venha a obter financiamento.
Além da intervenção junto dos idosos, “Proxim(Idades) Maiores” contempla também uma componente de investigação, em parceria com a Universidade de Évora. A equipa pretende desenvolver um estudo sobre a aplicação da telereabilitação em idosos institucionalizados, área que considera ainda pouco explorada em Portugal.
A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:















