Cinco anos de Him Dub Festival: o encontro da cultura reggae volta ao Sabugal

Fotografia: Him Dub Festival

O Him Dub Festival está de regresso à praia fluvial da Rapoula do Côa, no Sabugal, no distrito da Guarda, para a sua quinta edição, entre os dias 24 e 30 de agosto, reunindo música, atividades de bem-estar e momentos de partilha num ambiente em contacto com a natureza.

Pioneiro em Portugal na promoção da cultura sound system, o festival procura divulgar as culturas reggae e rastafari, aliando a música a uma forte componente educativa e de desenvolvimento pessoal.

Segundo Chloé Bernal, uma das responsáveis da organização, o evento tem registado um crescimento constante, com uma participação cada vez maior do público português. “Estamos muito felizes por mais uma edição. Todos os anos temos vindo a receber mais pessoas, mais famílias, e também mais público português, quando nos últimos anos a maioria dos participantes eram estrangeiros”, refere.

A organização destaca ainda a localização do festival como um dos seus principais atrativos. A Praia Fluvial da Rapoula do Côa proporciona um cenário natural pouco habitual para este tipo de evento e, segundo Chloé Bernal, tem sido muito bem recebido pelos participantes.

Além da música, o Him Dub Festival aposta na aprendizagem e na promoção de estilos de vida saudáveis. Ao longo da semana, os participantes poderão participar em conferências, workshops e diversas atividades ligadas ao bem-estar, como sessões de yoga, qigong e terapias focadas no corpo. “Queríamos juntar a culinária, o bem-estar, a aprendizagem dos workshops: tudo isto em conjunto com a música”, explica a responsável.

O festival volta também a apostar num ambiente pensado para as famílias, disponibilizando uma Kids Area com atividades para os mais novos. As crianças e jovens até aos 16 anos têm entrada gratuita, uma medida que, segundo a responsável, pretende tornar o evento “mais acolhedor para famílias, porque um festival com as famílias cria logo um espaço muito mais tranquilo e saudável”.

O recinto dispõe ainda de espaço para campismo e para autocaravanas, permitindo aos visitantes permanecer no local durante toda a duração do festival.

Os bilhetes para o Him Dub Festival já estão disponíveis online, estando também à venda na estrada do recinto, nos dias do evento.

Uma vida entre flores de papel: Catarina Parrão Pires volta a ser cabeça de rua nas Festas do Povo

Há décadas que Catarina Parrão Pires faz parte da história das Festas do Povo de Campo Maior. Este ano assume, novamente, a responsabilidade de cabeça de rua, desta vez do segundo troço da Rua de Badajoz, onde garante que o empenho de todos fará desta a rua “a mais bonita”.

Uma vida ligada às Festas do Povo

Natural de Campo Maior, Catarina cresceu com as festas e já foi cabeça de rua em diferentes locais da vila, como o Largo do Barata e a Rua Aldeia do Pastor.

As memórias acumulam-se ao longo dos anos, incluindo episódios que demonstram o espírito de união que caracteriza esta tradição. Recorda uma edição em que, depois de a rua estar praticamente concluída, a chuva destruiu grande parte do trabalho.

“Tivemos de nos pôr todos de mãos à obra durante toda a noite. Já não havia papel nem material, mas conseguimos arranjar tudo outra vez”, lembra.

Catarina mudou-se temporariamente para acompanhar os preparativos

Apesar de este ano a rua não ser a da sua residência, Catarina mudou-se temporariamente para a casa do filho para acompanhar de perto todos os preparativos. “Quando chegam as festas venho para aqui. Na minha rua não há festas, por isso fico onde elas acontecem”, conta.

Os trabalhos começaram em fevereiro e envolveram meses de dedicação por parte dos moradores. Sem revelar o tema escolhido, por ser ainda segredo, garante apenas que “tem coisas muito bonitas” e elogia o contributo de todos os participantes. “Cada uma fez coisinhas bonitas à sua maneira.”

Aceitou o desafio apesar das dificuldades

Inicialmente, Catarina não pretendia assumir a responsabilidade de cabeça de rua devido a alguns problemas de saúde. No entanto, acabou por aceitar o desafio após participar numa reunião com os restantes moradores.

“Disse que ajudava no que pudesse, mas não podia tomar conta da rua. Vim à reunião, fiquei e cá estou.”

Uma noite inteira sem dormir

A poucos dias da tradicional noite da enramação, todos os detalhes estão praticamente concluídos. O plano para o dia 7 já está definido: durante a manhã organizam-se os últimos preparativos e, ao final da tarde, começa a montagem dos arcos e do teto de flores.

Depois, ninguém pensa em descansar. “Na noite da enramação não se dorme. É toda a noite. Até de manhã.”

O ritmo mudou, mas a paixão mantém-se

A experiência ensinou-lhe que o ritmo já não é o mesmo de outros tempos, mas a vontade de viver a festa mantém-se intacta. Recorda que, em edições passadas, passava as noites a percorrer as ruas, assistindo aos ranchos, aos bailes e ao ambiente único que enchia Campo Maior.

“Antes não dormia durante a semana das festas. Agora já vou para a cama um bocadinho, mas continuo a gostar tanto disto como sempre”.

Uma paixão partilhada que continua presente

A vida também mudou. Catarina fala com emoção da ausência do marido, que partilhava consigo esta paixão pelas festas, mas acredita que ele continua, de alguma forma, a acompanhá-la.

“Ele sabia o quanto eu gostava disto. Está lá em cima a ver e está contente.”

“Venham a Campo Maior”

No final, deixa um convite a quem ainda não conhece as Festas do Povo: “Venham a Campo Maior. Há cá umas festas muito bonitas. Vale a pena vir.”

Festas da Terrugem regressam com fortes tradições taurinas e animação musical

As tradicionais Festas da Terrugem estão de volta, prometendo juntar a população e visitantes em redor de uma programação diversificada que alia a vertente taurina, a animação musical e os jogos tradicionais. Em entrevista de apresentação dos festejos, Filipe Pé-Curto e Carolina Pernas, membros da comissão organizadora, detalharam as novidades e os destaques do programa deste ano.

Uma das principais inovações reside nas garraiadas e no incentivo aos participantes mais destemidos através do anúncio prévio de prémios mínimos para quem se aventurar na arena. Sobre esta medida, Filipe Pé-Curto explicou que a intenção é dinamizar a praça e valorizar a coragem dos participantes, “este ano temos a novidade que decidimos, nas garraiadas, informar o público dos prémios mínimos que vamos ter por pegas para os mais corajosos, porque a festa faz-se deles, que vão lá para baixo e que têm a força e a coragem de ir para lá. Por exemplo, na segunda-feira temos o prémio máximo — ou seja, o prémio mínimo — há um que é de 1.000 euros. É um bom prémio.”

Filipe Pé-Curto salientou ainda que o investimento em prémios serve como atrativo para manter viva a tradição e o espetáculo “O desafio é grande, depende da coragem das pessoas. Anos atrás, calhar, para mim era mais ou menos, mas agora já é muito. Mas isso já depende, mas acho que é um chamariz, porque nós também temos que prezar muito pelas pessoas que nos visitam e para aquelas que estão corajosas, os artistas são as pessoas que nos visitam e vão lá para baixo. A nossa ideia é essa. Temos também a bezerra para as crianças e na segunda-feira vai ser sorteado um bezerro e um potro.”

A comissão de festas enfrentou igualmente percalços na preparação do espaço da praça, tendo a organização e a comunidade local unido esforços para assegurar a realização dos eventos no local emblemático de sempre. Filipe Pé-Curto destacou a mobilização popular “quando, na altura em que nós, comissão de festas, tínhamos tudo tratado, tudo alinhado, e era para iniciarmos os preparativos, tivemos esse percalço. Decidimos, por nossa vontade, alinhar e fazer com que fosse possível. Temos a praça de volta e os nossos eventos lá realizados. Foi uma coisa totalmente imprevista. Tivemos cerca de 50 a 70 pessoas voluntárias ali a trabalhar dia e noite.”

No âmbito musical e do entretenimento, Carolina Pernas apresentou a estrutura do programa, que se divide entre a animação na zona de refeições e os espetáculos principais no palco central, “começamos na sexta-feira com a garraiada pelas 21h30. Depois vamos ter o palco popular gratuito junto da zona de refeições, onde vamos ter as Roncas de Elvas, A Voz Amiga e as Alentejaníssimas. É gratuito, portanto podem e devem ir jantar para acompanhar estas atuações.”

Carolina Pernas destacou ainda os grandes momentos musicais do fim de semana e a continuidade das tradições lúdicas da localidade “Em seguida temos os nossos espetáculos, sendo que a cabeça de cartaz no sábado é o Vira Milho e no domingo temos os Baila Maria, que também acho que são assim os que chamam mais a atenção no nosso programa. Vamos ter o tradicional jogo do bicho e também a quermesse, claro.”

Carolina Pernas esclareceu como funcionam as entradas no recinto do ringue e os valores envolvidos “o palco popular vai ser um espaço gratuito, portanto vai ser a primeira atuação da noite, e a partir das 23 horas vai ser no recinto do ringue, como habitual, e aí sim vai ter um valor diário pago. Ou então podem sempre adquirir a nossa pulseira geral, que já está à venda neste momento e que dá entrada para os espaços dos espetáculos e também para as garraiadas. O valor da pulseira são 23 euros.”

As festividades decorrem entre sexta e segunda-feira, esperando-se uma forte afluência de público para acompanhar as garraiadas, os concertos e o convívio comunitário.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo: