
A Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano (ESDH) da Universidade de Évora (UÉvora) assinalou o seu 5.º aniversário, no dia 22 de abril. O grande Auditório do Colégio do Espírito Santo foi pequeno para acolher convidados, estudantes, professores, investigadores e funcionários da ESDH, que participaram na sessão comemorativa que celebrou a consolidação de um projeto que se tornou vital para a estratégia da Universidade e para o desenvolvimento da região.
A sessão começou com intervenções da Reitora, Hermínia Vasconcelos Vilar, da Presidente da Associação Académica, Ana Beatriz Calado, do Presidente do Conselho de Administração da ULSAC, Carlos Mateus Gomes, da Vereadora da Câmara Municipal de Évora, Carmen Carvalheira, e do Diretor da ESDH, Armando Raimundo.
“Uma unidade orgânica em expansão” – Reitora da UÉvora
A Reitora da UÉvora começou por realçar o trajeto que tem sido feito pela ESDH. “É uma unidade orgânica recente, mas que nos últimos cinco anos ganhou em dimensão, em novas formações, tanto de primeiro como de segundo ciclo”.
“É, na realidade, hoje em dia, uma unidade orgânica em expansão, com aumento no número de alunos e no número de docentes”, apontou, destacando “as últimas duas acreditações aprovadas, nomeadamente a licenciatura em Ciências Biomédicas e o mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas”.
“Para além disso, tem sido também um êxito em termos de procura dos alunos e das médias de entrada”, acrescentou, sublinhando “o perfil muito peculiar da ESHD, a nível nacional, que liga a área da saúde à área do desporto.”
“E tudo isto é feito a partir de Évora”, recordou a Reitora para destacar que “o país continua a ver-se de uma forma descontinuada. E, por isso, ao dizer que é feito a partir de Évora significa que é feito com muito mais esforço do que se estivesse noutro local qualquer do litoral. Na verdade, a descontinuidade com que se olha o território, faz com que uma cidade, que está a uma hora e um quarto de Lisboa, continue a ser um sítio onde é muito difícil e é necessária uma maior argumentação para que se olhe para aquilo que fazemos com os mesmos olhos e os mesmos critérios como se olha para aquilo que outras instituições fazem”.
Hermínia Vasconcelos Vilar alertou ainda para o “preconceito” com que se olha para as “Instituições com sede em territórios de baixa densidade” o que motivou aplausos na plateia. “E isso faz com que, na verdade, nós tenhamos que estar sempre a defender com muitos mais argumentos, critérios e fundamentação aquilo que fazemos”, apontou, afiançando que “na verdade, a qualidade não tem que ver com a geografia. A qualidade tem a ver com a qualidade dos nossos recursos humanos, dos nossos professores, dos nossos investigadores, do pessoal não docente, e obviamente dos nossos alunos”.
Na última nota da sua intervenção, a Reitora da Universidade de Évora abordou o “percurso” que a Instituição está a fazer para alcançar a acreditação do Curso de Medicina. “Para conseguirmos ter um Curso de Medicina na Universidade de Évora sabemos que é um percurso que não se assemelha a mais nenhuma acreditação”, revelou.
“O Curso de Medicina é muito particular, mas importa lembrar que a saúde não começa nem termina em Medicina. A saúde é muito mais do que isso, aliás como a nossa Escola de Saúde o prova. A Saúde prova-se pela existência das formações que temos na ESDH e pela qualidade de formação que temos na Escola de Enfermagem”, apontou a Reitora.
“Contudo, importa reafirmar que o Curso de Medicina é importante para o desenvolvimento do território e importa referir que embora não tenha sido ainda acreditado, vale a pena continuar a acreditar. Eu acho que neste momento temos condições para resolver as dúvidas colocadas, para que no futuro possamos ter o Curso de Medicina”, afiançou, reafirmando que “a saúde é mais que o Curso de Medicina e este será mais um complemento da oferta que a ESDH já tem. No entanto, tenho confiança e esperança que seremos capazes de completar este percurso nos próximos anos”.
“Parabéns a todos os docentes, investigadores, funcionários e alunos da ESDH”, desejou, apelando que “devemos ter orgulho da Escola que frequentamos e na Universidade pela qual optámos”.
“Esta Escola é muito importante” – Presidente da Associação Académica da UÉvora
A Presidente da Associação Académica da Universidade de Évora, Ana Beatriz Calado, deu os parabéns à ESDH, sublinhando que “esta Escola é muito importante”.
“Como estudante, é muito bom ver os docentes que esta Escola tem, pois são muito especiais. Para os alunos é uma sorte gigante terem estes docentes e espero que aprendam muito com eles”, referiu.
Na intervenção, a dirigente associativa sublinhou ainda que o percurso académico deve integrar momentos de partilha e socialização, como forma de prevenir situações de isolamento.
“Ter o Curso de Medicina na UÉvora penso que será uma realidade, provavelmente no ano letivo de 2028/2029” – Presidente da ULSAC
O Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), Carlos Mateus Gomes, cumprimentou a ESDH pelo “dia de festa e de felicidade pelo 5.º aniversário.”
Referindo-se ao futuro próximo, o responsável indicou o dia 31 de dezembro de 2027 como uma data de “felicidade”, pois é a previsão do início de atividade do novo Hospital Central do Alentejo.
“Ter o Curso de Medicina na UÉvora penso que também será uma realidade, provavelmente no ano letivo de 2028/2029”, acrescentou Carlos Mateus Gomes.
Já a vereadora da Câmara Municipal de Évora, Carmen Carvalheira, felicitou a ESDH, sublinhando a sua vitalidade, como o repleto auditório repleto de jovens estudantes.
Carmen Carvalheira afirmou que o futuro Hospital Central do Alentejo representa um projeto estruturante para a ligação entre o ensino superior e o setor da saúde na região. “O Hospital Central é de facto a grande responsabilidade que vão ter pela frente. É um hospital que se quer um hospital universitário”, afirmou.
A responsável defendeu a necessidade de reforçar a cooperação entre organismos locais, regionais e nacionais, apontando esse caminho como essencial para concretizar projetos estruturantes.
Diretor da ESDH olhou para o futuro “com esperança”
A fechar a mesa de honra, o diretor da ESDH, Armando Raimundo, após os cumprimentos institucionais, sublinhou que “este é um dia de festa, que aproveitamos para celebrar não apenas aquilo que já alcançámos, mas também encetar novas metas e sonhar mais alto”.
Fazendo um balanço dos últimos cinco anos, Armando Raimundo referiu que, “no domínio da formação, iniciámos as Ciências Biomédicas e da Saúde, o mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas, o mestrado em Tecnologia no Desporto e na Saúde e o mestrado em Ciências Biomédicas, além de todas as microcredenciais que temos oferecido anualmente aos profissionais que estão no terreno”.
Armando Raimundo apontou também que “a nossa aspiração de oferecer o mestrado integrado em Medicina ainda não foi concretizada. Digo ainda porque tenho a plena convicção que esta aspiração será coroada de êxito. Estamos a trabalhar para apresentar uma proposta sólida e bem fundamentada”, afiançou, destacando o “papel importante que a ULSAC terá neste nosso grande objetivo”. “Sem dúvida nenhuma que o Hospital Central do Alentejo será um Hospital Universitário”, concluiu.
No que respeita à investigação o diretor da ESDH sublinhou que “os nossos investigadores têm sido bem sucedidos, com vários indicadores que atestam a relevância da produção de ciência na nossa Escola”, tendo destacado “o crescimento da nossa intervenção na comunidade, pois não faz sentido produzir conhecimento que não possa ser aplicado em benefício de todos. As nossas intervenções abrangem desde as crianças até aos idosos institucionalizados”.
“No balanço dos últimos anos, agradeço a toda a equipa da reitoria, que foi um pilar fundamental no nosso crescimento”, referiu Armando Raimundo, estendo o agradecimento a toda a Universidade, em particular à ESDH.
O diretor da ESDH olhou ainda para o futuro “com esperança”, tendo partilhado sete pontos que enquadram os desafios que se aproximam.
“O Mestrado Integrado em Medicina”, foi o primeiro desafio elencado, seguido pelo “novo Pólo da Saúde, que será construído ao lado do Hospital Central do Alentejo, para o qual será necessário captar cerca de 60 milhões de euro”
“A Cidade do Desporto, junto ao Pólo da Saúde, que melhorará o ensino e a educação e dotará Évora de melhores infra-estruturas para a prática desportiva”, foi o terceiro desafio apontado, tendo sido referido que “temos o sonho de que Évora tenha um centro de alto rendimento, nomeadamente na área do desporto adaptado e paraolímpico”.
“A formação ao longo da vida” foi o quarto desafio registado. O quinto foi dirigido aos estudantes: “não podemos ignorar a Inteligência Artificial, ferramenta importante, que deve ser usada de forma inteligente e crítica”.
“O sexto desafio são as parcerias”, apontou Armando Raimundo, tendo referido que, entre outras, uma parceria futura com a Fundação Champalimaud é “uma possibilidade”, através de um protocolo que “beneficie ambas as instituições”.
“As pessoas fazem as Instituições, e necessitamos de mais recursos”, referiu, por fim, o Diretor da ESDH, apontando como o último desafio para os próximos anos, o reforço das equipas.
No fim, Armando Raimundo deixou ainda uma palavra especial aos estudantes. “Encorajo-vos a todos a aproveitar a proximidade com o corpo docente”, tendo desafiado a terem uma participação ativa na Escola, a abraçar a experiência da mobilidade e a aprenderem uns com os outros, “desafiem-se mutuamente”.
O programa prosseguiu com um momento musical protagonizado por estudantes da Licenciatura em Ciências Biomédicas.
Depois o auditório escutou atentamente as intervenções institucionais da madrinha e do padrinho da ESDH para o ano letivo 2025/2026, respetivamente Maria Leonor Beleza, Presidente da Fundação Champalimaud, e Pedro Dias, Secretário de Estado do Desporto.
“Uma instituição com raízes profundas, mas com um olhar atento para o futuro” – Pedro Dias
Pedro Dias destacou na sua intervenção o papel da Escola e da Universidade no desenvolvimento do desporto e da formação no país. O governante sublinhou a capacidade da UÉvora aliar tradição e inovação. “É neste caminho que a Universidade de Évora tem um papel absolutamente central. Uma instituição com raízes profundas, mas com um olhar atento para o futuro”, afirmou.
Pedro Dias referiu que a ESDH representa um projeto com impacto na formação e na sociedade. “Celebramos um projecto que pretende formar pessoas capazes de pensar, agir e transformar o país através do desporto”, afirmou.
Na intervenção, o Secretário de Estado apontou o potencial de Évora para desenvolver projetos estruturados na área do desporto. “Évora tem todas as condições para afirmar um projecto desportivo estruturado, integrado e ambicioso”, afirmou, tendo defendido a criação de um “ecossistema desportivo sólido”, envolvendo universidade, clubes, federações e comunidade, com impacto local, regional e nacional.
Pedro Dias sublinhou ainda a importância da articulação entre diferentes entidades, incluindo o município, para reforçar a prática desportiva e criar mais oportunidades.
“É muito interessante o que a ESDH faz” – Maria Leonor Beleza
“Eu fiquei lisonjeada com o convite que tive da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano da Universidade de Évora para vir aqui hoje aceitar o repto de ser madrinha, o que significa, na minha ideia, conhecer aquilo que a escola faz e, de certa maneira, participar em colaborações que possam acontecer e para as quais, naturalmente, estou aberta”, referiu Maria Leonor Beleza, em declarações aos jornalistas.
“É muito interessante o que a escola faz, é muito interessante ter simultaneamente cursos na área da saúde e do desporto, áreas que estão ligadas de uma maneira muito especial. Percebo que a ambição da Escola é ir para além disso e vejo um espírito de inovação e de fazer coisas novas e de avançar com coisas mais difíceis e aprecio isso muito”, acrescentou.
A Presidente da Fundação Champalimaud deixou ainda a porta aberta para “uma colaboração” com a Universidade de Évora na área da investigação e da prestação de cuidados de saúde. “Nós apreciamos muito, na Fundação Champalimaud, a inserção no espaço nacional, a colaboração com instituições nacionais que façam coisas novas e, às vezes, difíceis e estamos abertos, naturalmente, a colaborar”, afiançou.
Reconhecimento académico
Seguiu-se a entrega de prémios, distinguindo docentes e estudantes da escola, incluindo o melhor aluno das licenciaturas, as melhores dissertações de mestrado e o melhor investigador do ano.
Receberam Prémios de Antiguidade: Professora Ana Cruz Ferreira (20 anos de serviço); Dra. Manuela Santos, Secretária da ESDH (30 anos de serviço); Dr. António Pelado- Técnico Superior da ESDH (30 anos de serviço).
Foram distinguidos pela Agregação: Prof. José Marmeleira- Depº Desporto e Saúde da ESDH; Profª Catarina Pereira – Depº Desporto e Saúde da ESDH; Profª Graça Santos – Depº Desporto e Saúde da ESDH.
Foi também distinguido o Investigador, Prof. Bruno Gonçalves – Depº Desporto e Saúde da ESDH.
O Prémio Prestígio foi atribuído ao Professor Manuel Lopes.
Como melhores alunos da Licenciatura 2024/2025 foram distinguidos: Matilde Almeida Sousa – Licenciatura em Ciências do Desporto; Ana Carolina Rodrigues Comba – Licenciatura em Reabilitação Psicomotora; Sofia Isabel Maia Fadista – Licenciatura em Ciências Biomédicas.
As melhores Dissertações de Mestrado em 2025 foram: Daniela Pina – Mestrado em Exercício e Saúde; Inês Margarida Miguel – Mestrado em Direção e Gestão Desportiva; e Ludimila Santos Barbosa – Mestrado em Tecnologia no Desporto e Saúde.
A sessão prosseguiu com Inês Margarida Rodrigues Miguel, do mestrado em Direção e Gestão Desportiva, que fez a apresentação da melhor dissertação de 2024/2025.
A iniciativa incluiu ainda a intervenção da representante dos estudantes, Sónia Costa, da licenciatura em Reabilitação Psicomotora, bem como a entrega das tradicionais orlas de curso aos finalistas de licenciatura e mestrado.
O programa encerrou com um momento gímnico dinamizado por alunos da Licenciatura em Ciências do Desporto.
As comemorações prolongaram-se ao final do dia, com o “Sunset ESDH”, que promoveu o convívio entre a comunidade académica.















