
O projeto “Meet Elvas” é uma das 14 propostas submetidas à votação na edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A iniciativa pretende criar uma plataforma digital interativa associada a um passaporte colecionável, com o objetivo de transformar a descoberta do património elvense numa experiência mais dinâmica, acessível e adaptada aos novos hábitos dos visitantes.
Um dos responsáveis pelo projeto é Cláudio Belo, informático de profissão, que integra uma equipa multidisciplinar composta por profissionais ligados a diferentes áreas.
Um guia turístico no telemóvel
Em traços gerais, o “Meet Elvas” pretende funcionar através de uma aplicação móvel e de um passaporte que os visitantes poderão adquirir em diferentes pontos da cidade. Ao longo do percurso, será possível visitar monumentos, recolher carimbos, responder a questionários e acumular pontos.
Através da aplicação, os utilizadores poderão “ver os monumentos em 3D, ter alguma informação visual e gráfica sobre os monumentos” e conhecer a sua história de uma forma mais interativa, explica Cláudio Belo.
A ideia passa também por responder a uma realidade cada vez mais comum no turismo: nem todos os visitantes têm disponibilidade ou vontade para ler grandes quantidades de informação durante uma visita. Com o “Meet Elvas”, “o guia seria o telemóvel”, resume o responsável.
História contada através de encenações
Uma das componentes diferenciadoras do projeto será a utilização de atores e conteúdos audiovisuais para recriar episódios e ambientes históricos associados aos monumentos. Os visitantes poderão assistir a “encenações históricas feitas por atores” e conhecer, através de personagens fictícias, “como era antigamente esse monumento”.
A componente de gamificação será igualmente importante. Cada monumento poderá representar uma etapa do percurso, com questionários associados e atribuição de pontos. A equipa pretende ainda criar prémios e estabelecer parcerias com entidades locais, permitindo eventualmente trocar pontos por descontos ou outras vantagens.
O objetivo é que o circuito não se limite aos locais mais conhecidos da cidade. “Queremos dinamizar todos os monumentos e não só o castelo ou só os fortes”, sublinha Cláudio Belo, defendendo uma maior divulgação do património existente nas diferentes freguesias do concelho.
Um projeto criado por elvenses que regressaram à cidade
A equipa responsável pelo “Meet Elvas” reúne profissionais de diferentes áreas, muitos deles com uma ligação pessoal à cidade. “Somos retornados a Elvas. Tivemos todos fora e voltámos para Elvas”, explica Cláudio Belo. Foi desse reencontro e da vontade de aplicar na cidade conhecimentos adquiridos noutras áreas que nasceu a ideia.
“Pensámos: por que não fazer algo que já existe fora de Elvas, mas cá em Elvas?”, conta. A intenção é juntar competências de informática, tecnologia, teatro, cinema, artes gráficas e 3D para criar um produto desenvolvido localmente e pensado especificamente para o património e a realidade elvense.
Uma experiência acessível e em vários idiomas
O projeto prevê que a aplicação possa ser disponibilizada em vários idiomas, entre os quais português, espanhol, inglês e francês, estando a equipa a considerar a inclusão de seis ou sete línguas.
A preocupação é tornar a experiência acessível ao maior número possível de visitantes, evitando que a barreira linguística prejudique a compreensão do património.
A aplicação deverá também adaptar-se a diferentes públicos. “O nosso objetivo é termos uma interface que seja adaptável para idosos, para mais novos, para todos conseguirem aproveitar a aplicação e desfrutar da experiência”, explica Cláudio Belo.
Atrair os mais jovens para o património
Outro dos objetivos passa por aproximar os públicos mais jovens da história e da cultura de Elvas, recorrendo a mecanismos de jogo e a uma componente social integrada na própria plataforma.
A equipa pretende criar uma experiência que incentive os utilizadores a explorar a cidade, completar desafios e partilhar os conteúdos nas redes sociais. “Vamos tentar atrair também o público mais jovem com esse joguito”, afirma o informático.
A estratégia poderá permitir que os próprios visitantes funcionem como promotores da cidade, através da partilha das experiências proporcionadas pela aplicação móvel nas redes sociais.
25 mil euros para desenvolver o projeto
A candidatura apresenta um orçamento de 25 mil euros, o valor máximo disponível no âmbito do Orçamento Participativo. A verba seria utilizada sobretudo no desenvolvimento da aplicação e da infraestrutura tecnológica, incluindo alojamento, servidores e outros recursos necessários.
Parte do investimento seria igualmente destinada à produção dos conteúdos, contratação de atores, figurinos, gravações e outros materiais. A equipa estima que o desenvolvimento envolva inicialmente cerca de quatro a cinco profissionais, entre programadores, designer, elementos ligados ao teatro e profissionais de cinema.
Cláudio Belo reconhece que a concretização do projeto exigirá vários meses de trabalho, incluindo uma fase de testes e aperfeiçoamento. A manutenção da plataforma deverá também ser contínua, permitindo corrigir erros e acrescentar novos conteúdos à medida que o património e a oferta cultural do concelho evoluem.
Apesar de considerar o financiamento essencial para concretizar a proposta na sua dimensão prevista, a equipa admite avançar com uma versão mais económica caso o projeto não seja o escolhido no Orçamento Participativo.
Para já, a decisão está nas mãos dos elvenses. Cláudio Belo apela à participação da população na votação do Orçamento Participativo, que decorre até 2 de outubro, esperando que o “Meet Elvas” consiga conquistar o apoio necessário para transformar a ideia numa nova forma de descobrir o património, a cultura e as histórias do concelho.
A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:














