
A Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro de Campo Maior conta atualmente com cerca de 22 elementos e continua a apostar na formação de novos músicos, apesar das dificuldades que afetam muitas bandas filarmónicas do país.
O presidente da associação, José Romudas, considera que, tendo em conta a realidade atual, a banda campomaiorense apresenta uma situação positiva. Para garantir a presença de músicos suficiente nos serviços, a coletividade mantém parcerias com outras bandas, permitindo uma colaboração mútua entre os diferentes agrupamentos.
“Hoje não é fácil”, reconhece José Romudas, explicando que a banda ajuda outras formações e também recebe elementos de outras bandas quando necessário. Ainda assim, sublinha, conseguir reunir entre 20 e 22 músicos “já não é mau”.
Escola de música gratuita procura captar novos talentos
A formação é uma das principais apostas da Banda 1.º de Dezembro. A escola de música conta atualmente com “oito ou nove alunos” e funciona através do trabalho dos próprios músicos da banda, sobretudo dos mais experientes, que assumem o papel de formadores.
“Passam o testemunho” e procuram transmitir aos mais jovens “a dinâmica e a vontade de ser músicos”, explica o dirigente.
Uma das características que distingue a escola é a gratuitidade. Em Campo Maior, os alunos não pagam pela aprendizagem e, quando terminam a formação e ingressam na banda, têm também acesso a um instrumento disponibilizado pela própria associação.
Para José Romudas, trata-se de uma mais-valia significativa, sobretudo quando comparada com os custos associados a outras formas de ensino musical. “Um miúdo hoje vai à escola de música, não paga nada, e quando sair músico tem um instrumento à sua espera também por conta da banda”, salienta.
O responsável lamenta, contudo, que seja cada vez mais difícil captar crianças e jovens para a música. A associação tem procurado estabelecer contactos e desenvolver atividades junto das escolas, numa tentativa de despertar nos mais novos o interesse pela aprendizagem musical.
“Da nossa banda já saíram bons profissionais”
A formação proporcionada pela banda tem também dado frutos ao longo dos anos. José Romudas destaca que vários músicos que passaram pela 1.º de Dezembro acabaram por seguir profissionalmente a carreira musical.
“Da nossa banda já saíram bons profissionais e alguns ainda estão no ativo como profissionais músicos”, refere, defendendo que aprender música continua a ser uma oportunidade importante para os jovens.
O dirigente reconhece, porém, que atualmente as crianças têm cada vez mais atividades e interesses para conciliar. Entre o desporto e outras ocupações, o tempo disponível é reduzido, tornando essencial que exista uma verdadeira paixão pela música para que um jovem permaneça ligado à banda.
“A música é uma arte muito bonita”, afirma José Romudas, que, apesar de não ser músico, mantém uma forte ligação à associação. Depois de ter estado ligado à banda durante cerca de quatro décadas, regressou há alguns anos à direção, onde procura continuar a apoiar os músicos e a coletividade.
Um setor em declínio
O futuro das bandas filarmónicas é uma das preocupações do presidente da Associação 1.º de Dezembro. José Romudas considera que “hoje a música e as bandas estão em declínio”, apontando para a existência de vilas e cidades onde já não existem formações musicais deste género.
Mesmo entre as bandas que continuam ativas, a falta de elementos é uma realidade. Há agrupamentos que, segundo o responsável, não conseguem reunir 22 músicos para assegurar um serviço.
“Dentro do mal, nós não estamos mal”, admite, destacando a capacidade da banda de Campo Maior para continuar a funcionar e assegurar as suas atuações.
A associação já foi, inclusive, contactada por outras localidades interessadas em criar ou recuperar bandas, mas José Romudas reconhece que formar e manter uma filarmónica “não é fácil”.
Escola está de férias, mas a banda continua ativa
Durante o mês de agosto, a escola de música encontra-se parada, acompanhando o período de férias. A atividade musical da associação, contudo, não está suspensa.
Com as festas e os serviços a decorrerem durante este período, a banda continua a assegurar atuações. José Romudas confirma que, a 15 de agosto, o agrupamento já tinha realizado o terceiro serviço do mês.
Assim, enquanto os alunos aguardam pelo regresso das aulas de música em setembro, os músicos da Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro continuam a levar o nome de Campo Maior às diferentes atuações, mantendo viva uma tradição que enfrenta, em todo o país, desafios cada vez maiores.















