100 anos de cidade: Estremoz celebra centenário com homenagem à sua história

Estremoz vai assinalar o centenário da sua elevação a cidade com uma cerimónia comemorativa marcada para o próximo dia 30 de agosto, domingo, véspera da data oficial do aniversário. A iniciativa pretende reunir a população numa noite de celebração e homenagem à história e às instituições do concelho.

Segundo a vice-presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Sónia Caldeira, a escolha do dia 30 pretende permitir uma maior participação dos estremocenses.

As comemorações terão início pelas 21 horas, com a deposição de uma coroa de flores junto ao busto de José Lourenço Marques Crespo. O momento contará com a participação da Banda da Sociedade Filarmónica Artística Estremocense, que interpretará o hino de Estremoz.

Seguir-se-á uma arruada até aos Paços do Concelho, onde será descerrada uma placa comemorativa dos 100 anos da elevação de Estremoz a cidade e terá lugar a assinatura do livro de honra.

A cerimónia contará ainda com um momento musical protagonizado pelo Orfeão Tomás Alcaide, bem como com discursos institucionais e a homenagem às entidades centenárias do concelho.

De acordo com Sónia Caldeira, o município realizou um levantamento das instituições desportivas, culturais e de solidariedade social que contam já com um século de existência ou mais. Todas as entidades identificadas serão distinguidas com uma placa comemorativa.

O programa inclui também a apresentação de um vídeo alusivo ao centenário da cidade. No encerramento, a Banda da Sociedade Filarmónica Artística Estremocense interpretará o Hino Nacional, seguindo-se um espetáculo de fogo de artifício.

Presidente da República ainda sem presença confirmada

A Câmara Municipal de Estremoz convidou o Presidente da República para participar nas comemorações. Sónia Caldeira revelou, contudo, que a presença de António José Seguro ainda não está confirmada.

“Gostávamos muito que pudesse estar presente nesta cerimónia”, afirmou a vice-presidente, explicando que o Presidente da República estará a tentar conciliar a sua agenda para poder juntar-se às celebrações.

A autarquia mantém, assim, a expectativa de contar com a presença do chefe de Estado, embora aguarde ainda uma confirmação oficial.

As comemorações pretendem marcar simbolicamente os 100 anos da elevação de Estremoz a cidade e, ao mesmo tempo, homenagear a comunidade e as instituições que contribuíram para a história e identidade do concelho.

Sónia Caldeira deixou o convite aos estremocenses e a todos os que se queiram associar à iniciativa, sublinhando a importância de celebrar “esta marca, que é a marca dos 100 anos”, e de honrar o nome da cidade.

Banda 1.º de Dezembro mantém aposta na formação e resiste ao declínio das filarmónicas

A Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro de Campo Maior conta atualmente com cerca de 22 elementos e continua a apostar na formação de novos músicos, apesar das dificuldades que afetam muitas bandas filarmónicas do país.

O presidente da associação, José Romudas, considera que, tendo em conta a realidade atual, a banda campomaiorense apresenta uma situação positiva. Para garantir a presença de músicos suficiente nos serviços, a coletividade mantém parcerias com outras bandas, permitindo uma colaboração mútua entre os diferentes agrupamentos.

“Hoje não é fácil”, reconhece José Romudas, explicando que a banda ajuda outras formações e também recebe elementos de outras bandas quando necessário. Ainda assim, sublinha, conseguir reunir entre 20 e 22 músicos “já não é mau”.

Escola de música gratuita procura captar novos talentos

A formação é uma das principais apostas da Banda 1.º de Dezembro. A escola de música conta atualmente com “oito ou nove alunos” e funciona através do trabalho dos próprios músicos da banda, sobretudo dos mais experientes, que assumem o papel de formadores.

“Passam o testemunho” e procuram transmitir aos mais jovens “a dinâmica e a vontade de ser músicos”, explica o dirigente.

Uma das características que distingue a escola é a gratuitidade. Em Campo Maior, os alunos não pagam pela aprendizagem e, quando terminam a formação e ingressam na banda, têm também acesso a um instrumento disponibilizado pela própria associação.

Para José Romudas, trata-se de uma mais-valia significativa, sobretudo quando comparada com os custos associados a outras formas de ensino musical. “Um miúdo hoje vai à escola de música, não paga nada, e quando sair músico tem um instrumento à sua espera também por conta da banda”, salienta.

O responsável lamenta, contudo, que seja cada vez mais difícil captar crianças e jovens para a música. A associação tem procurado estabelecer contactos e desenvolver atividades junto das escolas, numa tentativa de despertar nos mais novos o interesse pela aprendizagem musical.

“Da nossa banda já saíram bons profissionais”

A formação proporcionada pela banda tem também dado frutos ao longo dos anos. José Romudas destaca que vários músicos que passaram pela 1.º de Dezembro acabaram por seguir profissionalmente a carreira musical.

“Da nossa banda já saíram bons profissionais e alguns ainda estão no ativo como profissionais músicos”, refere, defendendo que aprender música continua a ser uma oportunidade importante para os jovens.

O dirigente reconhece, porém, que atualmente as crianças têm cada vez mais atividades e interesses para conciliar. Entre o desporto e outras ocupações, o tempo disponível é reduzido, tornando essencial que exista uma verdadeira paixão pela música para que um jovem permaneça ligado à banda.

“A música é uma arte muito bonita”, afirma José Romudas, que, apesar de não ser músico, mantém uma forte ligação à associação. Depois de ter estado ligado à banda durante cerca de quatro décadas, regressou há alguns anos à direção, onde procura continuar a apoiar os músicos e a coletividade.

Um setor em declínio

O futuro das bandas filarmónicas é uma das preocupações do presidente da Associação 1.º de Dezembro. José Romudas considera que “hoje a música e as bandas estão em declínio”, apontando para a existência de vilas e cidades onde já não existem formações musicais deste género.

Mesmo entre as bandas que continuam ativas, a falta de elementos é uma realidade. Há agrupamentos que, segundo o responsável, não conseguem reunir 22 músicos para assegurar um serviço.

“Dentro do mal, nós não estamos mal”, admite, destacando a capacidade da banda de Campo Maior para continuar a funcionar e assegurar as suas atuações.

A associação já foi, inclusive, contactada por outras localidades interessadas em criar ou recuperar bandas, mas José Romudas reconhece que formar e manter uma filarmónica “não é fácil”.

Escola está de férias, mas a banda continua ativa

Durante o mês de agosto, a escola de música encontra-se parada, acompanhando o período de férias. A atividade musical da associação, contudo, não está suspensa.

Com as festas e os serviços a decorrerem durante este período, a banda continua a assegurar atuações. José Romudas confirma que, a 15 de agosto, o agrupamento já tinha realizado o terceiro serviço do mês.

Assim, enquanto os alunos aguardam pelo regresso das aulas de música em setembro, os músicos da Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro continuam a levar o nome de Campo Maior às diferentes atuações, mantendo viva uma tradição que enfrenta, em todo o país, desafios cada vez maiores.

Da saúde à justiça: Elvas recebe primeiro Simpósio Internacional de Enfermagem Forense

O Núcleo de Urgência de Elvas, com o apoio da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, promove, no dia 6 de novembro, o I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense, no auditório da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A iniciativa reúne especialistas nacionais e internacionais, profissionais de saúde, investigadores, docentes e estudantes para debater os desafios atuais da Enfermagem Forense e o papel cada vez mais relevante desta área na articulação entre a saúde, a justiça e a proteção das vítimas.

Segundo a enfermeira Ana Sofia Alves, membro da comissão científica do simpósio, a Enfermagem Forense assume uma função essencial no acompanhamento das vítimas de crime, trauma e abuso, conjugando a prestação de cuidados de saúde com procedimentos de natureza forense.

“A enfermagem forense trata-se de uma especialidade que une os cuidados de saúde às ciências forenses e ao sistema judicial, tornando as coisas muito mais fáceis para a vítima”, explica.

A profissional destaca ainda o papel do enfermeiro forense na recolha e preservação de vestígios, bem como na documentação rigorosa das lesões, através de registos e documentação fotográfica, elementos que podem vir a assumir relevância em contexto judicial.

O simpósio pretende, assim, contribuir para uma maior divulgação desta área junto da população e dos profissionais, promovendo a partilha de conhecimentos e experiências entre diferentes áreas de intervenção.

A adesão à iniciativa tem superado as expectativas da organização. De acordo com Ana Sofia Alves, as inscrições presenciais encontravam-se já esgotadas antes do final de julho, tendo sido posteriormente alargada a possibilidade de participação online, que continua a registar uma forte procura.

Ao longo do encontro serão realizadas conferências, mesas-redondas e momentos de discussão científica, com a abordagem de temáticas atuais e emergentes relacionadas com a Enfermagem Forense e a sua crescente importância nos sistemas de saúde contemporâneos.

A organização espera ainda que a participação de especialistas internacionais permita aprofundar o debate sobre as ciências forenses e os desafios de uma área em expansão e desenvolvimento, reforçando a necessidade de uma intervenção articulada entre profissionais de diferentes setores.

As inscrições para participação online estão disponíveis através do site oficial do I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense.