
Leonor Alegria anda pelo país de “mala às costas”, entre espetáculos de teatro musical infantil, projetos pessoais e a música, mas é a ligação a Campo Maior que continua a falar mais alto. Durante as Festas do Povo, a jovem atriz e cantora regressou à terra natal para viver uma experiência que, garante, lhe permitiu sentir “ao máximo” a tradição campomaiorense.
Há cerca de dois anos que Leonor percorre o país com espetáculos de teatro musical, dirigidos sobretudo ao público mais jovem, levando as produções a escolas e auditórios de norte a sul. Paralelamente, continua a desenvolver outros projetos e a cantar, atividade que assume como uma das suas grandes paixões.
“Vou fazendo aquilo que gosto, e enquanto puder fazer isso sou uma pessoa feliz”, afirma.
A vida profissional mantém-na muitas vezes longe de Campo Maior, mas a distância não diminui a ligação à terra. “Por muita coisa que eu possa fazer fora e por muitos projetos que possa ter fora de Campo Maior, a ligação que tenho às minhas raízes, à minha terra, é muito mais forte do que tudo isso”, confessa.
Uma nova forma de viver as Festas do Povo
Se, aos 15 anos, Leonor viveu as Festas do Povo sobretudo como espectadora, interessada nos concertos e nos DJs, nesta edição teve oportunidade de conhecer a tradição por dentro.
A jovem participou na preparação da Rua da Moraria de Cima, num trabalho que começou ainda em janeiro e se prolongou durante meses. Entre dificuldades, dúvidas e muitas horas de trabalho, o grupo conseguiu erguer a rua na manhã da enramação.
“Foi um grande orgulho”, recorda Leonor, que considera que esta experiência lhe permitiu perceber verdadeiramente o significado das Festas do Povo. “Senti-me mesmo do povo, sou de cá, mas senti-me mesmo acolhida e a pertencer ao povo e àquilo que são as nossas festas”, explica.
Pela primeira vez, aprendeu também a fazer flores de papel, uma das tradições que transforma Campo Maior num verdadeiro jardim durante a celebração. “Foi muito bonito, acho que foi fantástico”, diz.
Uma festa também feita de reencontros
Mas a participação de Leonor não se limitou ao trabalho na rua, uma vez que teve oportunidade de subir ao palco do Jardim Municipal para uma atuação.
Mesmo com poucas horas de sono e uma agenda preenchida, Leonor continuou a viver intensamente a semana das festas. Além dos compromissos relacionados com a sua atuação, integrou ainda, juntamente com a mãe, a irmã, uma tia e as primas, uma barraquinha onde são apresentados trabalhos manuais relacionados com Campo Maior e com a tradição das festas.
Entre o trabalho, os encontros e os espetáculos, a jovem garante que tem aproveitado cada momento.
“As festas não vão morrer”
E se depender de Leonor Alegria, as Festas do Povo continuarão a ter futuro. Questionada sobre se estaria preparada para participar numa próxima edição, a resposta foi imediata: “Por mim era já para o ano”.
A atriz considera fundamental que os jovens se envolvam na tradição e assumam a responsabilidade de preservar o legado deixado pelas gerações anteriores. “Acho que há muitos jovens, na verdade, a participar este ano na edição das festas que querem fazer mais e, portanto, as festas não vão morrer”, afirma.
Para Leonor, a continuidade está precisamente nessa capacidade de passar a tradição de geração em geração: “Há sempre gente a nascer que as fará de novo”.
Depois de ter vivido pela primeira vez o trabalho de uma rua, aprendido a fazer flores de papel e atuado perante o público, Leonor Alegria leva das Festas do Povo uma experiência que ultrapassa o palco. É, sobretudo, o reencontro com as suas raízes e com uma tradição que agora diz ter vivido “ao máximo”.
E, apesar do cansaço, deixa ainda no ar a possibilidade de uma surpresa antes do final das festas — um segredo que, por enquanto, prefere guardar.















