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Testemunho de dedicação de quem faz flores para as Festas do Povo

A contagem descrescente para as tradicionais Festas do Povo de Campo Maior continua a mobilizar a comunidade local, que se junta todas as noites para dar vida às célebres flores de papel.

Fátima Durão, natural da terra, é um dos muitos rostos dedicados a esta arte. Embora atualmente resida fora da vila, faz questão de regressar para ajudar na decoração da Rua de Santa Beatriz, um hábito que herdou da sua juventude quando auxiliava a mãe na Rua de São João.

Este esforço comunitário e voluntário, realizado de forma totalmente gratuita após as horas de trabalho, reflete o orgulho e o espírito de união dos campomaiorenses. Como a própria recorda, “quando morava em Campo Maior ajudava na rua da minha mãe e íamos lá ao serão fazer, mas era por nós, era gratuitamente e a gente fazíamos ao serão das nossas ruas”.

O processo de criação das decorações sofreu evoluções significativas ao longo dos anos. Fátima lembra com saudade a época em que os moldes eram desenhados à mão em cartão e depois recortados manualmente. Hoje em dia, o corte do papel é facilitado por máquinas, mas a montagem e a escolha das flores continuam a exigir a sensibilidade das mãos dos moradores.

Outra mudança visível está na forma como os tetos das ruas são decorados. Antigamente, recorria-se às “trapaças”, uma técnica de laços cruzados que imitava flores. Fátima explica que, nesta técnica, “as pessoas faziam parecido com um laço, metiam dois e faziam em cruz e parecia uma flor, chamavam-lhe as trapaças”. Atualmente, o trabalho é feito de forma geométrica e rigorosa, contando-se meticulosamente cada flor. No caso da sua rua, a medição é exata: “nós estamos a fazer com 31 grãos para fazer 31 flores, depois isso faz uma corda e cada corda tem 31 flores”, sendo esse o comprimento entre paus nesta rua.

Apesar do enorme entusiasmo que envolve a preparação, a efemeridade das Festas do Povo traz consigo um sentimento agridoce para quem tanto trabalha. Fátima Durão confessa que a montagem final representa um esforço monumental de vários meses que culmina num evento com a duração de apenas uma semana: “isto é muito digno, adoro as Festas do Povo, adoro mesmo, só que acho que é muito trabalho para pouco tempo”. Ver toda aquela arte e dedicação ser desmontada e queimada no final deixa sempre uma ponta de melancolia na vila. “A vila é muito alegre, mas depois, no fundo, acaba por ficar triste, na minha opinião”, conclui Fátima, resumindo o sentimento de saudade que partilha com tantos outros campomaiorenses quando as festividades chegam ao fim.

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