A Noite Branca está de regresso à Rua de Aviz, em Montemor-o-Novo, no próximo dia 14 de agosto, numa organização do Município e das Juntas de Freguesia, no âmbito do Protocolo Local. A iniciativa pretende voltar a dinamizar o centro da cidade através de uma noite de animação, convívio e promoção do comércio tradicional.
O presidente da Câmara Municipal, Carlos Pinto de Sá, sublinha que o evento mantém como objetivo central o apoio à economia local. “A Noite Branca é uma iniciativa que está inserida num programa mais vasto chamado Protocolo Local, pensado para dinamizar a economia local e, em particular, o comércio local, dando mais movimento ao centro da cidade, incentivando as compras e apoiar os empresários locais.”
Segundo o autarca, a edição deste ano do evento contará com um envolvimento mais alargado de entidades locais, sobretudo na decoração e dinamização do espaço público. “Vamos ter ainda mais participantes, para além da Câmara e da junta de freguesia. Foram feitos convites a outras instituições para poderem dar ali outra beleza à Rua de Aviz. Ao fim da tarde e durante a noite haverá animação de rua, performances artísticas e muita música. A ideia é criar um ambiente de festa, de fraternidade e convívio.”
O convite estende-se agora à população em geral, com destaque para a participação da comunidade local e das famílias. “Deixar o convite a todos para que venham vestidos de branco, tragam a família, os amigos, para poderem dar um contributo para a dinamização do comércio local, mas sobretudo para uma noite de convívio, de animação e de afirmação de Montemor-o-Novo e da sua economia local.”
A Noite Branca volta assim a afirmar-se como um dos principais momentos de dinamização urbana e comercial do verão em Montemor-o-Novo, combinando programação cultural, participação associativa e promoção do comércio local.
A contagem descrescente para as tradicionais Festas do Povo de Campo Maior continua a mobilizar a comunidade local, que se junta todas as noites para dar vida às célebres flores de papel.
Fátima Durão, natural da terra, é um dos muitos rostos dedicados a esta arte. Embora atualmente resida fora da vila, faz questão de regressar para ajudar na decoração da Rua de Santa Beatriz, um hábito que herdou da sua juventude quando auxiliava a mãe na Rua de São João.
Este esforço comunitário e voluntário, realizado de forma totalmente gratuita após as horas de trabalho, reflete o orgulho e o espírito de união dos campomaiorenses. Como a própria recorda, “quando morava em Campo Maior ajudava na rua da minha mãe e íamos lá ao serão fazer, mas era por nós, era gratuitamente e a gente fazíamos ao serão das nossas ruas”.
O processo de criação das decorações sofreu evoluções significativas ao longo dos anos. Fátima lembra com saudade a época em que os moldes eram desenhados à mão em cartão e depois recortados manualmente. Hoje em dia, o corte do papel é facilitado por máquinas, mas a montagem e a escolha das flores continuam a exigir a sensibilidade das mãos dos moradores.
Outra mudança visível está na forma como os tetos das ruas são decorados. Antigamente, recorria-se às “trapaças”, uma técnica de laços cruzados que imitava flores. Fátima explica que, nesta técnica, “as pessoas faziam parecido com um laço, metiam dois e faziam em cruz e parecia uma flor, chamavam-lhe as trapaças”. Atualmente, o trabalho é feito de forma geométrica e rigorosa, contando-se meticulosamente cada flor. No caso da sua rua, a medição é exata: “nós estamos a fazer com 31 grãos para fazer 31 flores, depois isso faz uma corda e cada corda tem 31 flores”, sendo esse o comprimento entre paus nesta rua.
Apesar do enorme entusiasmo que envolve a preparação, a efemeridade das Festas do Povo traz consigo um sentimento agridoce para quem tanto trabalha. Fátima Durão confessa que a montagem final representa um esforço monumental de vários meses que culmina num evento com a duração de apenas uma semana: “isto é muito digno, adoro as Festas do Povo, adoro mesmo, só que acho que é muito trabalho para pouco tempo”. Ver toda aquela arte e dedicação ser desmontada e queimada no final deixa sempre uma ponta de melancolia na vila. “A vila é muito alegre, mas depois, no fundo, acaba por ficar triste, na minha opinião”, conclui Fátima, resumindo o sentimento de saudade que partilha com tantos outros campomaiorenses quando as festividades chegam ao fim.
De 31 de julho a 3 de agosto, Vila Boim recebe mais uma edição das tradicionais Festas de Verão em honra de Nossa Senhora dos Remédios e de São João Batista. Organizadas pela Associação Aboim Jovem, as festividades prometem quatro dias de animação, com um programa que conjuga música, tauromaquia, atividades desportivas, celebrações religiosas e momentos de convívio para todas as idades.
Em entrevista à Rádio ELVAS, o presidente da Associação Aboim Jovem, Carlos Leitão, revelou que a preparação do evento começou ainda no final do ano passado, apesar de algumas dificuldades internas que marcaram o arranque da organização.
“Começamos normalmente em dezembro. Este ano tivemos alguns percalços com a saída de membros da associação, mas, com muito empenho, conseguimos ultrapassar todas as dificuldades e preparar umas festas à altura daquilo que a população merece”, afirmou.
Carlos Leitão reconheceu que organizar as festas representa um desafio cada vez maior, devido ao aumento dos custos e à limitação dos apoios financeiros. “Qualquer festa hoje em dia tem um custo muito elevado. Trabalhamos durante muitos meses para proporcionar quatro dias de animação e, muitas vezes, as críticas acabam por ser mais do que os elogios. Só quem organiza tem verdadeira noção do trabalho que isto exige”, referiu.
O cartaz deste ano aposta numa combinação entre artistas consagrados e talentos alentejanos. Luís Fialho e Mónica Sintra são os principais cabeças de cartaz, sendo que o presidente da associação destacou a importância de valorizar artistas da região.
“Somos alentejanos e temos orgulho nisso. O Luís Fialho representa essa aposta na nossa terra. Já a Mónica Sintra é um nome consagrado da música portuguesa e será um dos grandes momentos das festas”, explicou.
Ao longo dos quatro dias, o programa inclui ainda bailes, DJs, concertos, garraiadas, largadas, a tradicional procissão, atividades desportivas, atuações de grupos locais e momentos de animação distribuídos entre o Jardim e o Ringue de Vila Boim.
Entre as novidades desta edição destaca-se a valorização do coreto do jardim, que passará a funcionar como palco para atuações durante os períodos de jantar, concentrando a animação no centro das festas, e uma largada acompanhada por um DJ, uma estreia na organização da Associação Aboim Jovem.
“Queremos concentrar mais as festas no jardim e no ringue. Aproveitámos também o coreto, que há muito não era utilizado, para lhe dar uma nova vida durante estes dias”, explicou Carlos Leitão.
Outro dos destaques será a continuidade da Milha de Vila Boim, organizada em parceria com a IALBAX, depois do sucesso alcançado na primeira edição, no ano passado.
No final da entrevista, Carlos Leitão aproveitou para agradecer o apoio recebido da Câmara Municipal de Elvas, da Junta de Freguesia de Vila Boim, dos patrocinadores, comerciantes locais, voluntários e membros da associação, sublinhando que sem esse contributo seria impossível concretizar o evento.
“São muitos meses de trabalho, muita burocracia e muitas horas dedicadas a estas festas. O nosso objetivo é simples: proporcionar quatro dias de diversão, receber bem quem nos visita e terminar com a sensação de missão cumprida.”
Questionado sobre a continuidade da Associação Aboim Jovem na organização das festas nos próximos anos, o presidente admitiu que este poderá ser um momento de mudança. “São cinco anos a organizar as festas. Precisamos de descansar e dar oportunidade a outras pessoas. Se ninguém avançar, a situação terá de ser debatida, porque o mais importante é que Vila Boim nunca deixe de ter as suas festas de verão”, remata.
As Festas de Verão de Vila Boim decorrem entre 31 de julho e 3 de agosto, prometendo voltar a afirmar-se como um dos principais eventos do verão no concelho de Elvas, reunindo população e visitantes em quatro dias dedicados à tradição, ao convívio e à animação.
A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo: