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Sociólogo Vítor Rosa recupera memória literária de Redondo em três publicações dedicadas a autores locais

O sociólogo e professor universitário Vítor Rosa reuniu e publicou um conjunto de obras que recuperam a produção literária de autores de Redondo, dando nova vida a poemas e textos dispersos em jornais históricos da vila, que remontam aos anos 20 e 30.

As publicações Memória Poética de Redondo – Poemas publicados no jornal “Serra d’Ossa” (1920–1929), Os Poemas do Jornal Alma Nova (1929–1930): Contributo para a Memória Literária de Redondo e a compilação do folhetim O Desconhecido, de Victor Santos, pretendem preservar e divulgar um património literário até agora pouco conhecido.

A origem deste projeto remonta a uma motivação pessoal. Segundo Vítor Rosa, a ideia nasceu da vontade de procurar referências relacionadas com a história da sua família. “A minha mãe ficou órfã aos seis anos e foi criada no Colégio Nossa Senhora da Saúde, em Redondo. Comecei a procurar informação e deparei-me com dois jornais, o Serra d’Ossa, publicado entre 1920 e 1929, e o Alma Nova, de 1929 a 1930, do qual existem apenas 12 números digitalizados”.

Ao consultar as edições digitalizadas dos jornais, o investigador descobriu uma vasta produção poética assinada por autores conhecidos da vila, mas também por escritores amadores e, em muitos casos, sob pseudónimo. “Ao folhear esses jornais digitalmente, constatei que havia imensos poemas, quadras e textos literários de autores, de ilustres redondenses, e também de pessoas mais simples. Pensei que fazia sentido reunir estes textos, apresentá-los num formato mais acessível e divulgá-los, sobretudo junto das escolas”, avança.

O objetivo passa, igualmente, por despertar a memória coletiva da população de Redondo. “Muitos dos poemas estão assinados com pseudónimos, o que dificulta a identificação dos autores. No entanto, já há pessoas que, ao conhecerem este trabalho, reconhecem textos de familiares, o que é muito interessante”, revela.

No caso da obra dedicada ao jornal Serra d’Ossa, Vítor Rosa conseguiu reunir 76 poemas e quadras. Para além da transcrição dos textos, procedeu a pequenas atualizações ortográficas que facilitam a leitura contemporânea, complementando a edição com uma análise sociológica. “Além da recolha, faço uma análise mais sociológica dos poemas. Na parte final da publicação apresento um olhar sobre os temas e o contexto em que estes textos foram produzidos”.

Já a publicação dedicada ao jornal Alma Nova reúne 26 poemas, resultado das apenas 12 edições conhecidas daquela publicação. “Neste caso, faço também uma breve análise dos poemas, identificando o tema principal, a estrutura formal e os recursos literários utilizados, numa perspetiva semelhante à que é trabalhada no ensino secundário”, explica.

O trabalho de investigação estendeu-se ainda à compilação do folhetim O Desconhecido, de Victor Manuel Santos, publicado originalmente em vários capítulos nas páginas do jornal. “Era um folhetim que ia sendo publicado por partes, como era habitual na época. Procurei reunir todos esses capítulos, compilá-los num único volume e acrescentar uma análise sociológica. O resultado é um pequeno livro muito interessante”, garante o sociólogo.

Quanto às temáticas predominantes nos poemas recolhidos, Vítor Rosa destaca a forte presença dos sentimentos e da identidade local. “Centram-se muito nas questões sentimentais e amorosas, na identidade da terra, na religião, nas orações, nos arrependimentos e nas dedicatórias pessoais. Há muitos poemas de namoro, escritos à distância, dedicados às amadas ou aos amados”, revela ainda. A realidade social da época também está presente nos textos. “Encontrei referências à miséria que assolava o Alentejo, à orfandade, à dureza da vida no campo e a metáforas ligadas à natureza. Mas o tema que mais prevalece é, sem dúvida, o amor e a dimensão sentimental”, remata.

Com estas publicações, Vítor Rosa pretende contribuir para a preservação da memória literária de Redondo, valorizando autores locais e aproximando as novas gerações de um património cultural que permaneceu durante décadas disperso pelas páginas da imprensa regional.

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