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CHEGA apresenta projeto de resolução para salvar e valorizar Conjunto da Igreja, Convento de São Francisco e Fábrica Robinson em Portalegre

O Grupo Parlamentar do CHEGA entregou na Assembleia da República o Projeto de Resolução n.º 967/XVII/1.ª, no qual recomenda ao Governo a adoção de medidas urgentes para a salvaguarda, conservação e valorização do conjunto patrimonial formado pela Igreja, antigo Convento de São Francisco e a Fábrica Robinson, em Portalegre.

O documento destaca que este conjunto constitui um dos mais relevantes exemplos de património industrial corticeiro em Portugal, sublinhando a forte ligação entre o antigo espaço conventual e a unidade fabril, cuja história se confunde com o desenvolvimento económico, social e urbano da cidade. A fábrica, fundada no século XIX, chegou a empregar centenas de operários, assumindo um papel estruturante na vida de várias gerações de famílias portalegrenses.

A iniciativa parlamentar chama a atenção para o valor material e imaterial do complexo, incluindo edifícios fabris, chaminés industriais, maquinaria, arquivos e memória operária, defendendo que a sua preservação não pode limitar-se ao edificado. O texto refere ainda projetos de investigação e recolha de testemunhos orais que reforçam a dimensão social e identitária da antiga unidade industrial, associada à indústria da cortiça no Alto Alentejo.

Os deputados alertam também para sinais de degradação do conjunto e para o risco de perda irreversível de elementos patrimoniais, defendendo a necessidade de uma avaliação técnica global e urgente. Entre os pontos centrais está ainda a clarificação do procedimento de alteração da classificação do imóvel, que deverá abranger todas as estruturas fabris e o património móvel integrado.

O projeto recomenda ao Governo, entre outras medidas, a realização de uma inventariação e avaliação estrutural completa no prazo de 120 dias, a adoção de medidas cautelares de conservação preventiva, a criação de uma estrutura de acompanhamento institucional e técnico e a definição de uma estratégia de financiamento que permita a recuperação e valorização do espaço.

A proposta sublinha ainda que qualquer intervenção futura deverá respeitar o regime jurídico de proteção do património classificado e a Zona Especial de Proteção, defendendo uma abordagem integrada que permita transformar o conjunto num polo de memória industrial, investigação, cultura e dinamização turística.

O documento será agora apreciado no âmbito do processo legislativo, cabendo ao Governo pronunciar-se sobre as recomendações apresentadas pelo Parlamento.

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