
O Serviço de Conservação e Restauro da Câmara Municipal de Elvas tem vindo a desenvolver um conjunto de trabalhos orientados para a conservação e valorização do património móvel, imóvel e integrado do concelho, reforçando a preservação da identidade histórica local.
Neste âmbito, foram iniciadas em março de 2025 intervenções em pintura mural na Biblioteca Municipal de Elvas, um edifício histórico de grande relevância. A redescoberta de um fresco na escadaria e a recuperação da leitura da pintura existente na receção são exemplos concretos de valorização do espaço, contribuindo para enriquecer a experiência de quem visita o equipamento cultural e para reforçar o interesse turístico do imóvel.
De uma forma geral, os trabalhos realizados contemplaram várias etapas técnicas, nomeadamente a instalação de andaimes, fixações em zonas de destacamento e em lacunas na estrutura murária, levantamento de tintas e camadas de cal que cobriam as pinturas originais — um processo tecnicamente sensível e moroso —, aplicação de massas em áreas de lacuna e, por fim, reintegrações pictóricas nas zonas intervencionadas.
Fresco na escadaria: brutescos e possível datação do século XVIII
Na escadaria da Biblioteca Municipal foi identificada uma pintura mural a fresco correspondente a um antigo nicho com enquadramento de brutescos, onde estas pinturas funcionam como moldura do nicho central. De acordo com a investigadora Patrícia Monteiro, esta campanha decorativa poderá datar do início do século XVIII, com base numa análise estilística, uma vez que ainda não foi encontrada documentação que permita confirmar a data com rigor.
No entanto, existe referência, no Fundo do Colégio Jesuíta, a um documento contratual associado à campanha de obras de abertura da escadaria, datado de 1710, segundo o investigador Rui Jesuíno, informação que pode ajudar a enquadrar historicamente esta intervenção artística.

Pintura na receção: rosácea com símbolo jesuíta e origem possivelmente setecentista
Na receção da Biblioteca Municipal, os trabalhos incidiram sobre uma pintura mural a seco, onde se destaca uma rosácea (medalhão circular entre cartelas), sendo visível o símbolo jesuíta IHS. Não é ainda possível afirmar se este elemento pertence à mesma campanha decorativa de brutesco associada à autoria do pintor Brás Romano, responsável por um programa pictórico realizado em 1649, de acordo com Patrícia Monteiro.
Ainda assim, é certo que esta pintura será anterior ao fresco de brutescos da escadaria, podendo remontar ao século XVII, reforçando o valor patrimonial e histórico do conjunto.
Numa cidade classificada como Património Mundial e com forte vocação turística, é fundamental apostar na recuperação, valorização, divulgação e promoção do património, garantindo a sua salvaguarda e aumentando o seu potencial como atrativo cultural.
A Câmara Municipal de Elvas reafirma, assim, a importância da preservação do património cultural como pilar estratégico para a valorização do território, promovendo intervenções que protegem a memória coletiva e contribuem para a atratividade turística e cultural da cidade.
















