Alunas de Campo Maior aprendem e partilham experiências na Chéquia

Entre os dias 12 e 16 de outubro, cinco alunas do Agrupamento de Escolas de Campo Maior (AECM), quatro do 10.º ano e uma do 11.º ano, acompanhadas por duas professoras, participaram na III Mobilidade Internacional de Aprendizagem, Ensino e Formação (LTTA) do projeto Erasmus+ Connected Minds, United Actions: Digital and Peer Collaboration for Inclusion and Sustainability, realizada em Slavičín, na Chéquia.

A mobilidade, subordinada ao tema “Patterns and Innovations Across Disciplines”, reuniu alunos e professores de seis países parceiros – Portugal, Espanha, Roménia, Chéquia, Hungria e Turquia –, proporcionando uma semana de partilha de experiências, aprendizagem colaborativa e descoberta de práticas inovadoras, com especial enfoque na sustentabilidade, na inclusão e nas tecnologias digitais.

O programa teve início com uma receção oficial na Câmara Municipal de Slavičín, seguida de uma sessão de boas-vindas na escola anfitriã, que incluiu uma atuação do coro escolar. Os participantes tiveram oportunidade de conhecer as instalações da escola e de apresentar os respetivos países, cidades e estabelecimentos de ensino, promovendo o intercâmbio cultural e o desenvolvimento de competências de comunicação em língua inglesa. O primeiro dia incluiu ainda uma visita guiada à cidade, dinamizada pelos alunos checos, e uma visita à Cirkula, um espaço dedicado à reutilização de bens e à transformação de madeira para produção de combustível destinado ao aquecimento das casas. O dia terminou com uma visita à cidade termal de Luhačovice, conhecida pelas suas nascentes de água mineral.

No segundo dia, os participantes deslocaram-se a Zlín, onde visitaram estúdios de cinema e participaram num workshop dedicado à utilização de ferramentas audiovisuais. Durante esta atividade, os alunos exploraram técnicas de produção audiovisual e desenvolveram trabalhos práticos, articulando criatividade, comunicação e competências digitais. O programa incluiu também visitas ao histórico Edifício 21 e à mini incubadora empresarial TIC Zlín, proporcionando aos professores um contacto com iniciativas ligadas ao desenvolvimento tecnológico e à inovação.

O terceiro dia começou com a celebração dos Erasmus Days, destacando os valores da cooperação europeia, da diversidade cultural e das oportunidades proporcionadas pelo programa Erasmus+. Seguiram-se visitas à quinta de ervas aromáticas Květomluva e à tanoaria Fryzelka, em Vlachovice, onde os participantes conheceram práticas de produção local e atividades tradicionais. Durante a tarde, a visita à ecoaldeia de Hostětín permitiu aprofundar conhecimentos sobre sustentabilidade ambiental e soluções desenvolvidas ao nível das comunidades locais, através da realização de um jogo que terminou com a degustação da Cidra produzida no local.

No quarto dia, a visita ao Kovozoo, em Staré Město, proporcionou uma experiência particularmente original, através da observação de esculturas de animais construídas a partir de materiais metálicos reutilizados. Este espaço constituiu um exemplo da articulação entre arte, criatividade e economia circular, demonstrando como os resíduos podem adquirir novas funções e valor. O dia terminou com uma festa de despedida, que reuniu os participantes dos diferentes países num ambiente de convívio e celebração da diversidade cultural.

O último dia foi dedicado à exploração e partilha de recursos digitais, através de um workshop que incluiu apresentações, desafios individuais com recurso às tecnologias e a construção de uma base de dados de ferramentas digitais. Paralelamente, os professores participaram em momentos de reflexão e articulação sobre o desenvolvimento do projeto e as atividades futuras. A mobilidade terminou com apresentações dos alunos e uma sessão de balanço final, na qual foram partilhadas experiências e aprendizagens.

Ao longo desta semana, as alunas do AECM tiveram oportunidade de trabalhar e conviver com jovens de diferentes nacionalidades, desenvolver competências linguísticas, digitais, sociais e interculturais, reforçar a autonomia e o espírito de equipa e aprofundar a consciência sobre a importância da sustentabilidade e da cidadania europeia.

Esta mobilidade constituiu mais uma etapa na concretização dos objetivos do projeto Erasmus+ “Connected Minds, United Actions”, reforçando a cooperação entre as escolas parceiras e demonstrando o valor da aprendizagem internacional na formação de jovens mais participativos, conscientes e preparados para os desafios de uma sociedade global, digital e sustentável.

Elvas vai reforçar recolha de vestígios forenses no Hospital de Santa Luzia

“Preserva: Porque Cada Vestígio Conta”, da autoria da enfermeira Ana Sofia Alves, foi o projeto vencedor da edição de 2026 do Orçamento Participativo do Município de Elvas. A iniciativa pretende criar as condições necessárias à recolha e preservação de vestígios forenses no Hospital de Santa Luzia, reforçando a resposta às vítimas de crime.

O projeto surgiu no âmbito de uma pós-graduação em Enfermagem Forense frequentada por Ana Sofia Alves, a partir de uma necessidade identificada no concelho: a inexistência de um serviço que permita a recolha imediata de vestígios forenses no Serviço de Urgência fora do horário de funcionamento do gabinete de Medicina Legal.

A Enfermagem Forense conjuga os cuidados de saúde com as ciências forenses e o sistema judicial, atribuindo aos profissionais de saúde um papel relevante na identificação, recolha, preservação e documentação de vestígios associados a situações de crime, trauma ou abuso.

“Quanto mais rápido forem colhidos e preservados, melhor para todos”, explica Ana Sofia Alves, sublinhando a importância de materiais como cabelos, saliva, sangue e outros vestígios biológicos, que podem revelar-se determinantes para a investigação criminal e para um eventual processo judicial.

A enfermeira esclarece que a Medicina Legal continuará a assegurar as suas competências, sendo o objetivo do projeto criar uma resposta complementar, sobretudo nas situações que ocorram fora do horário de funcionamento do gabinete existente em Elvas, que funciona nos dias úteis, entre as 08h30 e as 16h30.

A proposta prevê que os profissionais do Serviço de Urgência possam proceder à recolha e preservação dos vestígios, seguindo protocolos específicos e em articulação com a Medicina Legal, a Polícia Judiciária e a Unidade Local de Saúde. A intenção é assegurar que as provas são devidamente acondicionadas e encaminhadas para o laboratório criminal em condições que permitam a sua análise e eventual utilização em contexto judicial.

A rapidez da intervenção assume particular importância nos casos de violência sexual, em que o tempo pode comprometer a preservação de elementos relevantes para a investigação. Ações como tomar banho ou urinar podem contribuir para a perda de vestígios, tornando essencial uma resposta tão precoce quanto possível, sempre com respeito pela dignidade, privacidade e bem-estar da vítima.

Para concretizar a iniciativa, está prevista a formação especializada dos profissionais do Serviço de Urgência. Ana Sofia Alves pretende envolver peritos da área na preparação de enfermeiros, médicos e assistentes, de forma a complementar os conhecimentos adquiridos na sua pós-graduação e garantir uma atuação articulada e tecnicamente adequada.

O projeto contempla igualmente a aquisição de equipamento específico para a recolha e conservação de vestígios, bem como de dispositivos que permitam identificar elementos não visíveis a olho nu.

A votação do Orçamento Participativo de Elvas de 2026 decorreu entre 20 de julho e 2 de outubro e reuniu 469 votos, distribuídos pelas 14 propostas submetidas a apreciação. Com 246 votos, “Preserva: Porque Cada Vestígio Conta” foi a proposta mais votada, garantindo a vitória. A iniciativa deverá agora avançar para implementação, respeitando os limites da verba disponibilizada pelo Município no âmbito do Orçamento Participativo.