Colectivo Cultura Alentejo transforma crise da habitação em comédia: “Vista Céu” estreia esta sexta-feira em Estremoz

A crise da habitação em Portugal é o ponto de partida para “Vista Céu ou a Glorificação da Imbecilidade”, a nova criação do Colectivo Cultura Alentejo, que tem estreia marcada para esta sexta-feira, 16 de outubro, no Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, às 21h30.

O espetáculo, que volta a ser apresentado ao público amanhã (sábado, dia 17), no mesmo espaço e à mesma hora, é a 15.ª criação da companhia de Estremoz e, segundo o encenador Cláudio Henriques, mantém uma das linhas que têm marcado o trabalho do coletivo: levar para palco temas da atualidade e da sociedade através do humor, levantando questões e procurando provocar a reflexão do público.

“Fala declaradamente sobre a crise na habitação em Portugal e tudo o que isso agrega e tudo o que gravita à volta deste problema enorme que afeta milhares de pessoas”, explica o também artor e diretor artístico do Colectivo Cultura Alentejo, referindo-se às famílias de todo o país, com particular incidência nos grandes centros urbanos.

Em “Vista Céu”, a problemática é abordada através de uma comédia de forte componente sarcástica. “Tem um texto muito rápido, como nós gostamos muito de fazer, carregado de duplos sentidos e de subtexto”, descreve Cláudio Henriques.

A história concentra-se numa habitação e em três personagens, que desenvolvem entre si uma trama em torno daquele espaço. O encenador promete um espetáculo de “ritmo alucinante”, mantendo a aposta da companhia numa linguagem cénica marcada pelo humor e pela interação entre as personagens.

A criação parte do texto “Box and Cox”, de John Maddison Morton, com adaptação textual de Maria Toureiro e Sofia Soares Ribeiro. A dramaturgia é de João Tábua. Em palco, a Maria Toureiro e Sofia Soares Ribeiro junta-se Rui Serrano.

Do Alentejo para Lisboa

Ainda antes da estreia em Estremoz, “Vista Céu” já tem uma parte da sua circulação definida. A companhia, para além de ter uma apresentação já prevista para Reguengos de Monsaraz, regressa a Lisboa em novembro, com quatro apresentações no Teatro do Bairro, depois da experiência positiva alcançada naquela mesma sala de espetáculos, no ano passado, com “A Novela”.

Cláudio Henriques destaca a receção do público lisboeta à companhia alentejana, que encontrou salas cheias durante a passagem anterior pela capital. “Para nós, para uma companhia do interior do país, aqui do nosso Alentejo, é um orgulho. Já é o segundo ano consecutivo”, afirma o encenador, que lembra que o Teatro do Bairro “é uma das principais salas de espetáculos do país”.

A presença no Teatro do Bairro representa, segundo o encenador de “Vista Céu”, um motivo de orgulho não apenas para a companhia, mas também para a comunidade de onde esta parte. O regresso a Lisboa está previsto para novembro, com quatro datas já asseguradas, estando outras apresentações em fase de confirmação.

O ator avança ainda que, para o ano, a companhia de Estremoz vai voltar àquele espaço cultural da capital. “Foi-nos estendido o convite, ou seja, estamos a integrar, de forma regular, o Teatro do Bairro”, remata.

Com “Vista Céu ou a Glorificação da Imbecilidade”, o Colectivo Cultura Alentejo mantém assim a aposta na criação teatral a partir do Alentejo, cruzando temas sociais contemporâneos, comédia e crítica numa produção que estreia em Estremoz antes de prosseguir a sua circulação.

Sirene de Elvas está a ser reparada para voltar a funcionar

A conhecida sirene de Elvas, que durante muitos anos esteve instalada na Praça da República, está a ser reparada para voltar a funcionar. O equipamento assinalava tradicionalmente o meio-dia e servia também para alertar os bombeiros e as autoridades de proteção civil sempre que era necessário responder a uma ocorrência, como um incêndio ou um acidente.

Depois de um longo período desligada, a sirene que entretanto foi instalada no edifício da PSP de Elvas e está a ser alvo de trabalhos de reparação. Quando estiver novamente operacional, poderá recuperar a sua função de alerta, voltando a fazer-se ouvir na cidade. Um som que permanece na memória de muitos elvenses, tanto pelo sinal diário do meio-dia como pelo aviso de situações que exigiam uma intervenção de emergência.

Campo Maior volta a “pintar-se” de rosa com caminhada solidária de luta contra o cancro da mama

No âmbito da iniciativa “Outubro Rosa”, o Município de Campo Maior organiza, na manhã deste sábado, 17 de outubro, uma caminhada de sensibilização para reforçar a importância do diagnóstico precoce e da prevenção do cancro da mama.

A caminhada tem partida marcada para as 10 horas do Jardim Municipal da vila, sendo que todos os participantes tiveram de fazer, previamente, a sua inscrição, adquirindo a já tradicional t-shirt rosa, pelo valor de cinco euros, cujas receitas revertem, na íntegra, em prol da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Aos participantes nesta caminhada de amanhã, é recomendado o uso de calçado confortável e adequado à caminhada.

O “Outubro Rosa”, mais do que uma campanha de sensibilização, procura promover a prevenção, incentivar o diagnóstico precoce, apoiar as mulheres e as suas famílias e contribuir para o avanço da investigação na área do cancro da mama.

Tendo nascido nos Estados Unidos da América, na década de 90, “Outubro Rosa” rapidamente ganhou dimensão internacional e, durante este mês, a cor rosa torna-se símbolo de solidariedade e esperança, homenageando todas as mulheres que enfrentam ou enfrentaram esta doença.

“Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra”: Budafé está de volta com novas sonoridades e um EP para descobrir

Budafé, nome artístico do elvense Fábio Brás, lançou muito recentemente o EP “Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra”, um projeto composto por quatro temas que assinala o regresso à música original, três anos depois do seu último trabalho.

Com uma sonoridade renovada, que cruza o hip-hop com influências de Jersey Club e Pop, o músico procura chegar a novos públicos sem perder a identidade que tem marcado o seu percurso.

Em entrevista à Rádio Elvas, Budafé explicou que este novo trabalho representa uma evolução musical e pessoal, fruto de um processo criativo desenvolvido ao longo dos últimos três anos. O artista admite que procurou experimentar novas sonoridades e explorar outras abordagens musicais, apostando num registo “mais fresco e atual”.

O conceito do EP assenta na ideia de equilíbrio, sintetizada na expressão “Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra”. Segundo o músico, o objetivo é transmitir uma mensagem de moderação numa sociedade onde considera existir uma tendência para posições extremadas ou, pelo contrário, para a indiferença perante determinados assuntos.

Os quatro temas apresentam mensagens distintas, mas complementares. “Sede” aborda a essência do projeto e a procura do equilíbrio. “Gravity”, apesar do título em inglês, é cantado em português e centra-se no amor, que Budafé considera fundamental valorizar nos dias de hoje.

Já “Sucesso” transmite uma mensagem de independência e positividade, defendendo que o sucesso pessoal não depende do insucesso dos outros. O artista sublinha que deseja alcançar os seus objetivos sem prejudicar ninguém, desejando igualmente o sucesso de todos. Por fim, “Graça” assume um caráter de agradecimento a Deus, encerrando o conjunto de temas com uma dimensão espiritual.

O processo de criação do EP envolveu também parcerias com profissionais com quem o músico desejava trabalhar. Entre eles está o produtor Filipe Survival, associado ao tema “Preço Certo”, de Pedro Mafama, com quem Budafé começou a desenvolver as novas músicas entre 2023 e 2024. Em 2025, avançou ainda com a produção dos videoclipes, contando com o realizador Francisco Ramalho, que trabalha atualmente com Plutónio.

O videoclipe de “Sede” já se encontra disponível no YouTube, estando igualmente previsto o lançamento de um segundo vídeo, dedicado ao tema “Sucesso”.

A capa do EP foi concebida pelo próprio artista, que procurou representar visualmente os contrastes sugeridos pelo título, através de elementos como “o luxo e o lixo, o escuro e o branco”.

Apesar da ambição de fazer da música a sua atividade principal, Budafé reconhece que a conciliação com a vida profissional e os custos associados à produção musical continuam a representar desafios para um artista independente. Por isso, defende um percurso assente na consistência e na qualidade, em vez da publicação constante de novos conteúdos. “Prefiro fazer as coisas ao meu ritmo e tentar sempre entregar o melhor, em vez de entregar quantidade sem qualidade”, assegura.

O músico considera ainda que o crescimento pessoal foi determinante durante o período de pausa, permitindo-lhe perceber melhor aquilo que pretende construir artisticamente. Quanto à possibilidade de conquistar novos públicos com esta mudança de sonoridade, admite que o resultado depende de vários fatores, entre os quais o trabalho de promoção, a resposta do público, o talento e também “alguma sorte”.

O feedback recebido após o lançamento tem sido positivo, tanto por parte da família e dos amigos como de outros músicos e artistas de Elvas. Budafé mostra-se satisfeito com a receção ao novo projeto e espera que o público desfrute das músicas tanto quanto ele gostou de as criar.

O EP “Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra” está disponível nas plataformas digitais, incluindo Spotify e YouTube. O artista pode também ser acompanhado através das redes sociais, nomeadamente no Instagram.

Com este lançamento, Budafé inicia uma nova etapa do seu percurso musical, apostando numa identidade sonora diferente e numa mensagem centrada no equilíbrio, no amor, na valorização pessoal e na gratidão.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo: