José Eduardo Gonçalves, líder do Chega na Assembleia Municipal de Elvas, revelou, em conferência de imprensa, na tarde desta quinta-feira, 1 de outubro, que a dívida de “O Elvas” SAD ao Município será atualmente superior a 20 mil euros. O deputado municipal diz ainda existirem outras obrigações que poderão elevar o valor em causa, mas sublinha que estas últimas carecem de confirmação documental.

José Eduardo Gonçalves acusou “O Elvas” SAD de manter uma dívida superior a 20 mil euros para com a Câmara Municipal de Elvas, valor que, segundo o líder do Chega na Assembleia Municipal, corresponde a montantes já faturados pelo município.
A questão das relações financeiras entre o clube e a autarquia, afirmou, tem sido acompanhada pelo Chega desde que os seus eleitos tomaram posse, tendo sido realizadas reuniões com responsáveis municipais para analisar a situação.
Segundo José Eduardo Gonçalves, nos primeiros 16 meses de vigência da escritura da cedência do Campo Patalino à SAD de “O Elvas”, 13 pagamentos terão sido efetuados fora de prazo e que as respetivas penalizações não terão sido inicialmente aplicadas. De acordo com as suas declarações, essas multas começaram posteriormente a ser faturadas.
Utilização de equipamentos municipais em causa
Outro dos temas abordados na conferência de imprensa foi a utilização, durante a época 2025/26, de outros equipamentos desportivos municipais por equipas de O Elvas SAD.
José Eduardo Gonçalves defendeu que essas utilizações deveriam estar sujeitas às taxas previstas no Regulamento Geral de Taxas Municipais e Tabela de Taxas do Município de Elvas.
Segundo o deputado municipal, o regulamento prevê uma taxa de 250 euros por cada utilização de 180 minutos, embora existam situações de utilização gratuita previstas no próprio regulamento.
O responsável do Chega estima que possam ter ocorrido mais de 40 utilizações, mas voltou a sublinhar que não pretende apresentar esse montante como uma dívida efetivamente existente enquanto não houver confirmação por parte do município.
“O resto é subjetivo. O resto é político”, afirmou, distinguindo esses valores dos mais de 20 mil euros que considera já estarem documentados através da conta corrente municipal.
Sete meses de rendas em atraso
José Eduardo Gonçalves afirmou também que O Elvas SAD acumulou, entretanto, vários meses de rendas em atraso e que, caso não seja efetuado um novo pagamento até ao próximo dia 8 de outubro, serão oito os meses de renda em dívida.
O deputado municipal referiu ainda que, segundo a sua análise, pagamentos entretanto efetuados pela SAD terão sido imputados pelo município às dívidas mais antigas, em vez de serem destinados especificamente às rendas que a SAD pretendia liquidar.
Para o líder do Chega na Assembleia Municipal, essa é uma questão de procedimento financeiro: “quando há uma dívida e entra dinheiro, ele vai alocar esse dinheiro à dívida mais antiga”.
Obras no Estádio Patalino
Também as obras previstas na escritura de cedência do Estádio Patalino foram abordadas no decorrer da conferência de imprensa.
De acordo com José Eduardo Gonçalves, “O Elvas” SAD tinha a obrigação de realizar obras de melhoria no valor de 1,13 milhões de euros no prazo de dois anos, prazo que terminou a 31 de agosto de 2026.
O deputado municipal afirma que o Chega teve acesso a documentação relativa a cerca de 830 mil euros em obras, mas considera que poderão faltar aproximadamente 300 mil euros para atingir o valor previsto na escritura.
José Eduardo Gonçalves fez, contudo, uma ressalva: não afirma que os 300 mil euros constituam uma dívida, mas sim uma eventual obrigação contratual por cumprir, caso não existam outras obras devidamente comprovadas.
“Não estamos a dizer que isso é dívida. Podem ser obrigações. É um incumprimento. Se não tiverem as obras feitas, é um incumprimento”, explicou.
O Chega solicitou, segundo o deputado municipal, documentação adicional à Câmara, incluindo faturas, documentos e elementos relativos à fiscalização das obras, para determinar se todas as obrigações previstas na escritura foram cumpridas.
Chega diz que não pretende afastar “O Elvas” do Estádio Patalino
Apesar das críticas, José Eduardo Gonçalves rejeitou que a posição do Chega tenha como objetivo retirar “O Elvas” SAD do Campo Patalino.
“Nós não pediremos nunca que a SAD deixe de jogar no Patalino. Mas exigimos, sim, que a SAD pague ao município”, afirmou.
O deputado municipal defendeu que Elvas deve continuar a ter futebol profissional e que o Chega apoiará a existência de uma SAD na cidade, seja a atual ou outra entidade que venha a assumir essa função. “O que nós queremos é que as contas sejam feitas”, acrescentou.
Prazo até ao final de 2026
José Eduardo Gonçalves estabeleceu ainda um prazo político para a regularização da situação.
Segundo o líder do Chega na Assembleia Municipal, caso a conta corrente vencida não esteja regularizada até ao final de 2026, o partido avançará judicialmente.
“Se a conta corrente do vencido não estiver paga ao município, nós iremos agir judicialmente”, declarou, acrescentando esperar que tal não seja necessário.
O deputado municipal justificou a posição com a necessidade de defender os interesses dos contribuintes de Elvas, afirmando que a Câmara Municipal deve cobrar os valores que lhe são devidos por entidades privadas.
Pedido de esclarecimentos à Câmara
Ao longo da conferência, José Eduardo Gonçalves afirmou repetidamente que parte das informações apresentadas pelo Chega depende ainda de esclarecimentos da Câmara Municipal de Elvas.
O deputado municipal distinguiu entre os valores que considera já faturados e documentados e os montantes que poderão resultar da aplicação de taxas pela utilização de equipamentos municipais ou do eventual incumprimento das obrigações relativas às obras.
No caso das obras, garantiu que, se a documentação municipal demonstrar que os trabalhos previstos foram efetivamente realizados, o Chega retirará a dúvida levantada. “Se tiverem, ainda bem. Digam-nos quais são, que ficamos todos contentes”, afirmou.
José Eduardo Gonçalves defendeu ainda que a Câmara deve assumir a responsabilidade política pelas decisões que tomar relativamente à cobrança dos valores e à eventual cedência gratuita de equipamentos municipais.
“Isto não é nada pessoal”
O líder do Chega procurou afastar qualquer interpretação de que as críticas tenham como origem uma questão pessoal ou uma oposição ao futebol profissional em Elvas.
“Isto não é nada pessoal”, afirmou, garantindo que reconhece a importância do futebol profissional para a cidade e o seu próprio envolvimento histórico com O Elvas.
O deputado municipal defendeu, contudo, que o apoio ao futebol profissional não pode significar o incumprimento das obrigações financeiras e contratuais perante o município.
Na parte final da conferência, José Eduardo Gonçalves apelou ainda a um entendimento entre as diferentes estruturas ligadas ao futebol de Elvas, defendendo que os responsáveis de “O Elvas” SAD e do “O Elvas” CAD se deveriam sentar à mesma mesa para procurar soluções para os problemas existentes.
A conferência terminou com o Chega a reiterar que pretende continuar a fiscalizar a atuação do município neste processo e a exigir esclarecimentos sobre as dívidas, a utilização dos equipamentos municipais e o cumprimento das obrigações previstas na escritura de cedência do Estádio Patalino.














