
Os Romeiros de Vila Boim voltam, este domingo, 20 de setembro, a cumprir uma das tradições associadas à Feira de São Mateus e às Festas em Honra do Senhor Jesus da Piedade, percorrendo o trajeto entre Vila Boim e o Parque da Piedade, em Elvas, nos famosos e antigos carros de canudo.
A partida está prevista para as 9 horas, junto ao Monumento do Imaculado Coração de Maria, em Vila Boim, sendo que, segundo Luís Lourenço, um dos romeiros, o número de participantes deverá aumentar face aos últimos anos, embora ainda não estejam contabilizadas todas as presenças. “Mas seja em carros de canudo, em charretes ou montados a cavalo, temos um número simpático de pessoas para nos acompanhar”, adianta.
O percurso mantém a tradicional paragem no Varchotel, onde os participantes aproveitam para descansar, conviver e fazer um pequeno lanche. A pausa serve também para dar algum descanso aos animais que fazem o trajeto. “Eles não estão muito habituados a estas andanças. Já estão a fazer o favor de nos trazerem até Elvas, portanto convém descansar ali um bocadinho”, explica Luís Lourenço.
Ao contrário de anos anteriores, os Romeiros não vão, desta vez, prolongar o percurso até à rotunda do Bombeiro, junto ao Hospital e à antiga pousada de Santa Luzia, algo que acontecia, sobretudo, para que as crianças dos infantários pudessem assistir à passagem dos carros e dos animais. “Como é domingo, os infantários estão fechados, as crianças estão em casa com os pais. Este ano optámos por partir de Vila Boim e ir diretamente para o recinto da Piedade”, esclarece o romeiro.
A passagem pelo Centro Histórico, lembra Luís Lourenço, já tinha sido abandonada há alguns anos, também por questões relacionadas com a circulação e segurança dos animais, dadas as características das ruas, com zonas de subida e descida acentuadas, que tornavam o percurso particularmente exigente.
À chegada ao Parque da Piedade, os Romeiros cumprem uma outra tradição: o almoço-convívio, que reúne sócios, familiares, amigos, simpatizantes e entidades convidadas. “Fazemos sempre ali o almoço e ficamos ali naquele espaço a grande maioria do tempo a conviver”, refere o romeiro.
Durante a tarde, “cerca de uma hora a uma hora e meia antes” da tradicional Procissão dos Pendões (marcada para as 18 horas), os participantes voltam a sair do espaço reservado aos Romeiros, percorrendo a Avenida da Piedade e passando junto ao Santuário, antes de regressarem ao local onde permanecem durante as festas.
Uma tradição que enfrenta dificuldades
A manutenção da romaria é, contudo, um desafio cada vez maior. A dificuldade em encontrar e manter animais, os custos da alimentação e o trabalho diário exigido são alguns dos obstáculos apontados por Luís Lourenço.
“O animal não sabe se é sábado, se é domingo, se é feriado e é muito difícil manter tudo isto”, afirma, acrescentando que também os próprios carros de canudo exigem uma manutenção significativa.
“São coisas muito antigas, coisas que têm manutenção grande e não há também ninguém dedicado ao restauro e à conservação deste tipo de veículos”, lamenta.
Apesar das dificuldades, os Romeiros procuram manter a tradição e incentivar novas gerações a participar. Luís Lourenço admite que existe preocupação com o futuro, sobretudo depois da morte de alguns dos participantes que ajudaram a recuperar a romaria.
“A nossa tarefa é incentivar e estimular os mais novos a manterem esta tradição”, afirma.
Uma tradição recuperada em 2006
A atual geração de tomeiros retomou a tradição em 2006, depois de vários anos em que os carros de canudo deixaram de fazer parte das celebrações de São Mateus.
Segundo Luís Lourenço, a tradição tinha sido progressivamente abandonada, depois de durante muitos anos os romeiros se deslocarem até Elvas em carros de canudo e, posteriormente, em “zorras”. “Foi uma coisa que nós falámos ali muito, foi uma ideia que andou ali durante alguns anos e vamos e vamos e vamos… até que um ano a coisa acabou por acontecer”, recorda.
A retoma permitiu recuperar uma tradição que, no passado, mobilizava participantes de várias freguesias e localidades, incluindo pessoas de fora do concelho de Elvas.
E, além do próprio percurso, ficam as histórias e os momentos de convívio que se repetem de ano para ano: “Há sempre uma história qualquer que fica, nem que seja um disparate que alguém disse ou uma piada que alguém soltou”.
Os Romeiros de Vila Boim vão permanecer no Parque da Piedade ao longo da semana, mantendo as carroças em exposição e incentivando os associados e visitantes a viverem as festas em comunidade.
A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:














