
O novo concurso público para a realização da obra de ampliação da Escola Superior de Biociências de Elvas (ESBE), da Universidade Politécnica de Portalegre, prevista para as antigas instalações da Escola Básica de 2.º e 3.º Ciclo de Santa Luzia, voltou a ficar deserto.
O procedimento, que tinha um preço base de 5.717.557 euros, acrescido de IVA, não recebeu qualquer proposta válida. A informação foi avançada à Rádio ELVAS por Luís Loures (na imagem), reitor da Universidade Politécnica de Portalegre, que explicou que a instituição está agora a analisar, junto do Tribunal de Contas e da tutela, quais os procedimentos que poderão ser adotados para desbloquear o processo.
“Tivemos no passado dia 24 a abertura das propostas, mas infelizmente não tivemos nenhuma proposta válida”, afirmou o reitor, acrescentando que a Universidade está a tentar evitar que seja necessário lançar novamente todo o procedimento nos mesmos moldes.
Segundo Luís Loures, a repetição do concurso poderá voltar a conduzir ao mesmo resultado, devido à subida dos custos da construção. O responsável considera que o atual modelo de contratação pública pode não estar a acompanhar a rapidez com que os preços do setor estão a aumentar. “Se nós formos fazer outra vez o processo, vamos ter o mesmo resultado que tívemos da primeira vez”, alertou, explicando que, mesmo que o valor da obra seja atualizado, o tempo necessário para obter autorizações e concluir o procedimento poderá fazer com que os preços voltem a subir antes do início da empreitada.
O reitor aponta para um aumento de cerca de dez por cento no valor da obra em apenas seis meses, sublinhando que o montante que anteriormente era considerado suficiente para atrair empresas deixou entretanto de ser competitivo. “Um valor que há um ano atrás era suficiente para três dos concorrentes. Agora já não é para ninguém”, afirmou.
Perante este cenário, a Universidade Politécnica de Portalegre está a procurar uma solução que permita acelerar o processo. “É por isso que estamos a tentar ver agora qual é o procedimento que podemos encontrar para dar resposta a isto, porque é muito importante fazer aquela obra. Ou melhor, eu diria que é fundamental fazer aquela obra”, frisou Luís Loures.
A intervenção nas antigas instalações da Escola Básica de Santa Luzia é considerada estratégica para o crescimento da Escola Superior de Biociências de Elvas, numa altura em que o número de estudantes da instituição continua a aumentar.
O reitor destacou que a Universidade Politécnica de Portalegre duplicou o número de alunos em cerca de oito anos, crescimento que também se tem refletido na Escola Superior de Biociências de Elvas.
“Os espaços são cada vez mais contidos para aquele que foi o crescimento que nós fizemos”, afirmou Luís Loures, defendendo que, embora não seja necessário duplicar a infraestrutura existente, é indispensável aumentar a capacidade instalada.
Para o responsável, a falta de instalações adequadas poderá colocar dificuldades à manutenção do modelo de ensino da instituição, caracterizado por uma forte componente prática e pela ligação às empresas e às indústrias.
“É importante que as pessoas percebam que nós duplicámos o número de alunos em dez anos. Nem foi dez, foi em oito”, salientou, acrescentando que a Universidade tem contado com o apoio dos municípios, mas necessita de “novas infraestruturas próprias” para responder às atuais exigências do ensino superior.
A Universidade Politécnica de Portalegre deverá agora avaliar, com o Tribunal de Contas e a tutela, quais as soluções legalmente possíveis para avançar com a obra, procurando evitar que um novo procedimento volte a ficar comprometido pela subida dos custos de construção e pelo tempo necessário para a sua concretização.















