
Afonso Pires, de Elvas, concluiu o ensino secundário com uma média de 19,4 valores, um resultado que lhe abriu as portas para qualquer opção no ensino superior.
Antigo aluno da Escola Secundária de D. Sancho II, o jovem elvense vai agora prosseguir os estudos na capital, onde ingressou na licenciatura em Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa. A escolha surge depois de ponderar várias áreas, entre elas Engenharia Aeroespacial e Medicina, num processo de decisão que, confessa, não foi fácil.
Em entrevista à Rádio ELVAS, Afonso admite que, quando entrou no ensino secundário, nunca imaginou alcançar uma classificação final tão elevada. “Nunca pensei de início, quando cheguei ao secundário, que iria acabar com esta média”, confessa. O resultado foi fruto, segundo explica, de muito trabalho e de uma estratégia de estudo organizada, mas também da capacidade de encontrar um equilíbrio entre a escola e a vida pessoal.
“Procurei sempre trabalhar bastante, estudar, embora sempre tentando estudar de maneira minuciosa, estudar aquilo que é preciso e saber também gerir o tempo livre”, afirma.
Para Afonso, estudar muitas horas não é, por si só, garantia de bons resultados. O jovem considera fundamental manter uma vida equilibrada, com espaço para convívio e outras atividades. “Não podemos limitar-nos a estudar porque isso prejudica-nos. É preciso que mantenhamos uma vida social e outras atividades para conseguirmos ter mais energia para estudar e conseguir melhores resultados”, defende.
Uma evolução ao longo do secundário
Embora já fosse um bom aluno no terceiro ciclo, Afonso reconhece que a entrada no secundário representou uma mudança significativa. O novo ritmo de trabalho e a importância das classificações na construção da média trouxeram inicialmente algumas dúvidas.
Ainda assim, o percurso foi de crescimento contínuo. As notas foram melhorando do 10.º para o 11.º ano e, posteriormente, para o 12.º ano, até atingir os 19,4 valores finais. O jovem rejeita, por isso, a existência de uma “fórmula mágica” para alcançar bons resultados.
“Cada um de nós tem que se adaptar àquilo que melhor resulta para cada um. Não há um método universal que resulte para toda a gente”, considera.
A pressão para manter as classificações, essa sim, acabou por fazer parte do percurso. Mas Afonso garante que nunca sentiu uma exigência especial por parte dos pais. “A pressão que depois eventualmente senti é a pressão de manter as notas”, explica.
Entre Matemática, Letras e muitas dúvidas
Com uma média de 19,4 valores, Afonso tinha praticamente todas as portas abertas. A escolha do curso acabou, porém, por não ser fácil.
O jovem elvense sempre revelou interesse por áreas distintas, tanto pelos números como pelas letras, o que tornou a decisão ainda mais complexa.
Entre as possibilidades esteve a Engenharia Aeroespacial, área pela qual sente interesse, e até Medicina, uma opção frequentemente associada aos alunos com médias muito elevadas.
No entanto, acabou por concluir que a área da Saúde não correspondia tanto à sua vocação e teve também algumas reservas quanto à possibilidade de seguir Engenharia Aeroespacial.
A escolha recaiu no curso de Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, sobretudo pela sua versatilidade. “Escolhi este curso pelo facto de ter uma grande versatilidade de saídas e ter realmente várias hipóteses que posso vir a seguir no futuro”, explica.
Consultoria, análise de risco, economia, gestão e até áreas relacionadas com a matemática e investigação estão entre as possibilidades profissionais que o curso poderá proporcionar.
“O importante é seguirmos o nosso sonho”
Afonso deixa também uma mensagem para outros jovens que, perante uma média elevada, possam sentir-se pressionados a escolher um determinado curso superior. Na sua perspetiva, ter boas notas não deve significar seguir obrigatoriamente Medicina, Engenharia ou outra área tradicionalmente associada ao sucesso escolar.
“O que é importante é seguirmos o nosso sonho, a nossa vocação, aquilo que achamos que é melhor para nós”, sublinha.
O próprio é exemplo dessa indecisão. Apesar do excelente desempenho escolar, admite que chegou ao final do secundário sem ter uma profissão ou área perfeitamente definida. Quando era criança chegou a imaginar-se ator, mas nunca teve uma ideia concreta sobre aquilo que queria fazer no futuro.
Afonso considera que esta dificuldade é natural, tendo em conta a idade dos jovens quando são chamados a tomar uma das primeiras grandes decisões sobre o seu futuro.
Uma nova etapa em Lisboa
A entrada no ensino superior representa agora uma mudança significativa. Afonso já esteve em Lisboa, onde teve os primeiros contactos com a nova realidade académica durante a semana de receção.
A primeira impressão foi positiva e o jovem mostra-se confiante para enfrentar a nova etapa, embora reconheça o inevitável nervosismo perante uma mudança tão importante. “É uma mudança muito grande nas nossas vidas”, afirma.
Quanto ao futuro depois da licenciatura, todas as hipóteses continuam em aberto. Ficar em Portugal, procurar uma oportunidade no estrangeiro, permanecer em Lisboa ou regressar ao Alentejo são possibilidades que Afonso ainda não exclui.
Por enquanto, prefere seguir uma etapa de cada vez. A licenciatura será apenas o primeiro passo, podendo depois optar por diferentes mestrados e áreas de especialização.
Sem fórmulas mágicas, sem uma profissão previamente definida e sem medo de admitir dúvidas, Afonso Pires inicia assim uma nova etapa com uma certeza: há muitas portas abertas e tempo para descobrir qual delas quer atravessar.
A entrevista completa para ouvir no podcast:















