As intervenções de requalificação do património calipolense têm sido uma prioridade para o executivo municipal. Restaurar e conservar os monumentos constituem ações fundamentais para a preservação da identidade local e dinamização do turismo.
O Aqueduto da Biquinha, também conhecido por Aqueduto da Portela, datado do século XVII, é uma infraestrutura de transporte de água situada na entrada oeste de Vila Viçosa e que conduzia o precioso líquido desde o sítio do Carvalho, através de troços subterrâneos (galerias estreitas e altas) e aéreos, possuindo várias chaminés de ventilação e portinholas metálicas para acesso à infraestrutura, até terminar na casa-mãe ou ladrão do Carrascal. Toda a estrutura edificada foi intervencionada pela Casa de Bragança e pela Câmara Municipal em diferentes momentos, nomeadamente em 1874, 1906 e 1914. No seu trajeto fica a Fonte da Biquinha e a Fonte Nova.
A arquitetura da água em Vila Viçosa constitui um legado histórico de enorme valor, que explica a própria origem e desenvolvimento urbano da localidade.
A intervenção efetuada permitiu dar mais visibilidade à Fonte Nova, oculta pela vegetação e consolidar o canal da água e os respetivos arcos de suporte, dando um maior embelezamento à entrada da vila.
O Secretário-Geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, visita o distrito de Portalegre nos dias 26 e 27 de agosto, no âmbito da iniciativa “Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça”.
A deslocação inclui passagens pelo Festival/Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato, uma reunião na Câmara Municipal de Nisa para acompanhar o projeto da Ponte Internacional sobre o Rio Sever, uma visita à fábrica Queijos Santiago e uma viagem de comboio na Linha do Leste, entre Portalegre e Elvas.
A iniciativa pretende reforçar a proximidade do PS aos territórios do Interior, através do contacto direto com autarquias, empresas, instituições e populações, bem como acompanhar projetos considerados relevantes para a coesão territorial e para a cooperação transfronteiriça.
Programa arranca no Crato
A visita começa no dia 26 de agosto, no Crato. Pelas 20h00, José Luís Carneiro participa num jantar com militantes e simpatizantes do Partido Socialista, integrado no Festival/Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato.
No dia seguinte, 27 de agosto, a agenda prossegue em Nisa, Portalegre e Elvas.
Às 09h00, o dirigente socialista desloca-se à Câmara Municipal de Nisa para acompanhar os desenvolvimentos do projeto da Ponte Internacional sobre o Rio Sever, em Montalvão. A infraestrutura está prevista como uma ligação estratégica entre Portugal e a Extremadura espanhola, através de Cedillo.
Contacto com o setor agroalimentar
Pelas 11h30, José Luís Carneiro visita a fábrica da Queijos Santiago, localizada na Zona Industrial de Portalegre. O encontro terá como objetivo o contacto com o setor produtivo e agroalimentar e a auscultação dos desafios enfrentados pelas empresas do distrito.
A visita termina com uma viagem de comboio na Linha do Leste. Às 15h15, o Secretário-Geral do PS embarca numa composição entre as estações de Portalegre e Elvas, numa ação destinada a sublinhar a importância da mobilidade ferroviária e do transporte público no Interior.
Aproximar decisões políticas dos territórios
A “Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça” pretende percorrer diferentes territórios do Interior, promovendo o diálogo com autarquias, empresas, associações, instituições de ensino superior, centros de investigação, organizações da sociedade civil, decisores públicos e cidadãos.
Segundo o PS, o objetivo passa por conhecer diretamente os principais desafios e oportunidades de cada território e, a partir dessa realidade, contribuir para a definição de políticas públicas mais eficazes e ajustadas às especificidades locais.
No distrito de Portalegre, a agenda coloca em destaque três áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional: a cooperação transfronteiriça, a atividade económica e agroalimentar e a mobilidade ferroviária.
A habitação continua a ser uma das prioridades da Câmara Municipal de Arraiolos, que está a avançar com novos projetos de loteamento para aumentar a oferta de terrenos destinados à construção de habitação a preços acessíveis.
O presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Jorge Macau, afirmou que o município tem mantido uma política de disponibilização de lotes em todas as localidades do concelho a valores muito inferiores aos praticados no mercado. “A política que temos praticado ao longo de todos estes anos é aquela que queremos muito seguir, que é disponibilizar lotes em todas as localidades do concelho a preços muito acessíveis. Estamos a falar de 25 a 30 euros por metro quadrado”, destacou.
O autarca explicou que o município está também a recuperar lotes anteriormente atribuídos que não foram utilizados dentro dos prazos definidos, de forma a colocá-los novamente à disposição da população. “Procuramos reverter os lotes que tivessem sido atribuídos ao longo destes anos e que as pessoas não tenham respeitado os prazos estipulados no regulamento. Procuramos dar uma resposta em tempo útil”, referiu.
Neste momento, decorrem trabalhos de terraplanagem para a criação de mais 14 lotes, enquanto está em preparação um novo loteamento de maior dimensão. “Já estamos a trabalhar num projeto muito amplo e queremos, dentro de um ano e meio a dois anos, começar as obras de um loteamento com cerca de 100 lotes”, revelou Jorge Macau.
O presidente da autarquia considera que a escassez de habitação é um problema nacional e não exclusivo de Arraiolos. “Reconheço as dificuldades, mas se formos para os concelhos vizinhos acontece exatamente o mesmo. E se sairmos do distrito de Évora, a realidade é igual. De facto, a habitação é um problema transversal em todo o país”, concluiu.
O Município de Vila Viçosa abriu dois novos Espaços Cidadão, localizados nos Paços do Concelho, em Vila Viçosa, e nas instalações da Junta de Freguesia de Pardais.
Os novos espaços disponibilizam postos de atendimento digital assistido, permitindo aos cidadãos aceder a diversos serviços da Administração Pública, num único local, com acompanhamento personalizado.
A intervenção incluiu também melhorias das condições de acessibilidade, nomeadamente através da adaptação das instalações sanitárias para pessoas com mobilidade condicionada.
A criação dos espaços e as obras de acessibilidade foram concretizadas no âmbito de uma candidatura aprovada pelo Alentejo 2030, com financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, FEDER.
Segundo o Município, a iniciativa pretende contribuir para a coesão territorial, a inclusão e a literacia digital, aproximando os serviços públicos das populações e facilitando o acesso aos mesmos.
Com a abertura dos Espaços Cidadão de Vila Viçosa e Pardais, a autarquia reforça a aposta na modernização e na melhoria da prestação de serviços públicos no concelho.
No próximo sábado, dia 22 de agosto, a Piscina Municipal da Ribeira de Nisa encerra, a partir das 13h00, para dar lugar à montagem de todo o cenário do concerto imersivo “Lumen Noctis”, com João Mendonza & o Ensemble Ibérico, integrado na programação do projeto “Cultura nas Freguesias – Portalegre”, que terá início às 21h30.
A piscina volta a abrir ao público no seu horário normal de funcionamento no domingo, 23 de agosto.
O projeto “Cultura nas Freguesias” é uma organização da Câmara Municipal de Portalegre, em parceria com as Juntas de Freguesia do Concelho.
O Departamento de Saúde Pública da ULS Alto Alentejo realizou-se uma ação de sensibilização no âmbito do Projeto de Saúde Oral no Idoso, na Associação dos Amigos da Terceira Idade dos Fortios – Lar de São Domingos, dirigida aos profissionais da instituição.
A iniciativa foi dinamizada por uma equipa multidisciplinar constituída pelas higienistas orais Ana Rita Neves e Patrícia Ricardo, pela médica de Saúde Pública Maria do Rosário Pires, pela enfermeira Maria Inês Gomes e pela médica interna Maria Beatriz Menezes.
Durante a sessão foram abordados vários temas relacionados com a vigilância, a proteção e a promoção da saúde da população idosa, tendo sido reforçada a importância da adoção de boas práticas e da capacitação dos profissionais que prestam cuidados em contexto residencial.
O regime dos espetáculos, em vigor desde 2024, obriga o promotor de um espetáculo a devolver o preço do bilhete sempre que o evento não se realize na data, hora ou local marcados, haja substituição do programa ou de artistas principais, ou o espetáculo seja interrompido.
Este direito aplica-se independentemente do motivo do cancelamento, sendo o promotor do evento obrigado a restituir o valor pago no prazo máximo de 30 dias após a decisão de reembolso.
Para reaver o seu dinheiro, o consumidor deve enviar uma reclamação escrita ao promotor — por e-mail ou carta registada — detalhando o nome do evento, local, data e anexando uma cópia dos bilhetes.
Caso a empresa recuse o reembolso ou não responda, deve apresentar uma queixa no Livro de Reclamações e junto da IGAC (Inspeção-Geral das Atividades Culturais), anexando a prova de recusa do promotor.
Tudo para saber sobre o assunto na edição desta semana da rubrica da DECO, com Helena Guerra, do Gabinete de Inovação e Projetos da Associação para a Defesa do Consumidor. Para ouvir no podcast abaixo:
Uma colisão entre um veículo ligeiro de passageiros e um motociclo provocou esta manhã um ferido grave na Estrada Nacional 2, entre Ponte de Sor e Montargil, na zona do Cansado.
A vítima é uma mulher de 56 anos, condutora do motociclo, que sofreu ferimentos graves e foi helitransportada para o Hospital de Portalegre.
O alerta para o acidente foi dado às 9h39. Para o local foram mobilizados 22 operacionais, apoiados por nove veículos de socorro, entre elementos dos Bombeiros de Ponte de Sor e da GNR, incluindo um meio aéreo.
Na sequência da colisão, a circulação foi interrompida na EN2, na ligação de Montargil para Ponte de Sor. O trânsito no local tem estado condicionado, em ambos os sentidos.
A Freguesia de São Bartolomeu, em Borba, está em festa entre hoje e segunda-feira, de 21 a 24 de agosto, com a primeira edição das Festas em Honra do seu Santo Padroeiro.
A festa, a ter lugar no Largo das Servas, que também assinala os 430 anos da elevação da freguesia, promete quatro dias de música, animação, gastronomia, artesanato e momentos religiosos.
As festas arrancam esta sexta-feira, dia 21, com baile com Rui Grilo, a partir das 22h00. A noite prossegue às 01h00, com a atuação do DJ Systen.
Amanhã, sábado, a animação começa às 22h00, com baile com a Banda 7ª Arte. Às 23h00, sobe ao palco Rebeca, seguindo-se, às 00h30, a continuação do baile com a Banda 7ª Arte. A noite termina com a atuação do DJ Daniel F., a partir das 02h00.
O domingo começa com uma aula de ginástica, marcada para as 09h00, no recinto da festa. Às 19h00, está previsto um showcooking com João Couto, do restaurante Essência. A partir das 21h30, realiza-se o espetáculo “Fado Solidário” com artistas locais.
O último dia das Festas de São Bartolomeu, segunda-feira, 24 de agosto, é dedicado sobretudo à componente religiosa. Às 18h30, terá lugar a recitação do terço. Segue-se, às 19h00, a Missa em Honra de São Bartolomeu, na Igreja de São Bartolomeu.
O evento é organizado pela Junta de Freguesia de São Bartolomeu com o apoio da Câmara Municipal de Borba.
O Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) aprovou, em reunião realizada em Marvão, no dia 13 de agosto, uma tomada de posição sobre a possível instalação do Campo de Tiro da Força Aérea em Alter do Chão.
Face à ausência de informação técnica, territorial, ambiental, económica e social suficiente, e na sequência do pedido de esclarecimentos dirigido ao Ministério da Defesa Nacional, a 18 de maio, o Conselho Intermunicipal considera que não existem, neste momento, condições objetivas para que a CIMAA possa assumir ou vincular-se a uma posição institucional relativamente ao projeto.
Considerando a natureza supramunicipal da infraestrutura e a possibilidade de os seus impactos ultrapassarem o concelho de Alter do Chão, foi igualmente aprovada a criação de um Grupo de Trabalho Intermunicipal para Acompanhamento do Campo de Tiro da Força Aérea, que permitirá assegurar a articulação entre a CIMAA e os municípios potencialmente abrangidos.
O grupo terá como principais funções acompanhar o processo, partilhar informação e analisar os estudos e elementos técnicos que venham a ser disponibilizados, nomeadamente no que respeita aos possíveis impactos territoriais, ambientais, económicos e sociais.
A CIMAA reafirma, assim, que qualquer futura tomada de posição deverá resultar de uma articulação com os municípios potencialmente abrangidos e assentar numa avaliação técnica, transparente e devidamente fundamentada.
Estão previstos cortes de energia elétrica para este domingo, 23 de agosto, na freguesia de São Brás e São Lourenço, no concelho de Elvas.
De acordo com a informação disponibilizada pela E-REDES, a interrupção do fornecimento está prevista entre as 6 e as 11 horas, devido à realização de trabalhos na rede elétrica.
A intervenção poderá abranger locais correspondentes aos códigos postais 7350-143, 7350-163, 7350-182, 7350-186, 7350-198, 7350-287, 7350-008, 7350-181 e 7350-309.
A E-REDES alerta que os trabalhos previstos poderão sofrer alterações, pelo que os horários indicados estão sujeitos a possíveis ajustes.
As Festas em Honra de Nossa Senhora do Parto decorreram entre os dias 14 e 16 de agosto, em Monforte, numa organização da Santa Casa da Misericódia local.
No dia 15, o programa teve início com a tradicional arruada e alvorada protagonizada pela Banda Musical Alterense, que percorreu as principais ruas da vila, acompanhada pelo Provedor, José António Rasquinho, e por elementos da Mesa Administrativa.
A iniciativa passou também pelos Paços do Concelho, onde os festeiros foram recebidos pelo Presidente do Município, Miguel Rasquinho, acompanhado por elementos do seu Gabinete.
O Sporting Clube Campomaiorense prepara a nova época desportiva com o objetivo de aumentar o número de atletas e chegar a cada vez mais crianças do concelho de Campo Maior. Atualmente, o clube conta com cerca de 400 atletas distribuídos por várias modalidades.
Segundo Natalino Borrega, coordenador de modalidades do Sporting Clube Campomaiorense, a preparação para a nova temporada arranca na última semana de agosto, depois de um período de preparação mais curto do que o habitual.
“Normalmente levamos o mês de agosto a preparar. Este ano tivemos que encurtar a preparação e vamos preparar na primeira semana”, explicou o responsável, acrescentando que a preparação do futebol já terá começado, uma vez que as inscrições nessa modalidade obedecem a um calendário diferente.
A expectativa é iniciar setembro “com força” e, sobretudo, ultrapassar os 400 atletas que atualmente fazem parte do clube.
O futebol continua a ser a modalidade com maior número de praticantes, reunindo entre 180 e 200 atletas, enquanto a ginástica conta com cerca de 120 e o judo com mais de 30. Para Natalino Borrega, o crescimento tem sido uma constante e o objetivo passa por chegar ao maior número possível de crianças do concelho.
“Todos os anos aumentamos o número. Todos os anos tentamos chegar ao maior número possível”, afirma, lembrando que Campo Maior tem cerca de 7.800 habitantes, dos quais aproximadamente 1.100 são crianças.
“O nosso objetivo é chegar à maior parte das crianças, porque o desporto faz muita falta”, sublinha.
Desporto desde cedo
Natalino Borrega defende também a importância de proporcionar às crianças contacto com diferentes modalidades desde idades muito precoces. Dá como exemplo a própria experiência familiar, considerando que a prática desportiva regular pode fazer parte da rotina das crianças sem representar uma sobrecarga.
“A minha filha tem três anos e já faz desporto todos os dias. Já faz judo, ginástica e vai fazer natação”, conta.
Para o coordenador de modalidades, a diversidade de experiências é uma das principais mais-valias que o clube pode oferecer aos jovens atletas. “Não é uma hora ao final de cada dia que vai fazer diferença”, considera, defendendo que a prática desportiva pode ser conciliada com a rotina familiar.
Mais do que promover a atividade física, o Sporting Clube Campomaiorense pretende proporcionar experiências que contribuam para o desenvolvimento pessoal das crianças e jovens.
Da competição às experiências fora do país
Entre os exemplos apontados por Natalino Borrega está a classe de ginástica Galguinni Gym, que reúne os atletas mais velhos. Nos últimos quatro anos, o grupo participou em duas edições do Festival do Sol, em Itália.
“Proporcionámos uma experiência a estes jovens que eles nunca mais se vão esquecer”, assegura.
A participação permitiu aos atletas viajar durante uma semana e contactar com outros grupos, incluindo formações de nível profissional. Uma experiência que, segundo o responsável, ultrapassa a dimensão estritamente desportiva. “E são estas coisas que nós queremos mostrar às crianças e que os vão preparar para a vida futura”, conclui Natalino Borrega.
Com o arranque da nova época, o Sporting Clube Campomaiorense pretende, assim, continuar a crescer nas diferentes modalidades e reforçar a sua presença junto da população mais jovem de Campo Maior, mantendo o desporto como uma ferramenta de formação, socialização e criação de novas experiências.
A edição de 2026 das Noites de Verão prosseguiu esta quinta-feira, 20 de agosto, na Praça da República, em Elvas.
O arranque da última etapa, de quatro noites, da iniciativa promovida pelo Município ficou marcado por um baile popular, animado pelo cantor e teclista Jorge Gomes.
Esta sexta-feira, 21 de agosto, a animação continua com a atuação do cantor elvense Jorge Góis, acompanhado por banda e coro, para apresentar o espetáculo “Me Va, Me Va”, de tributo a Julio Iglesias.
O Aqueduto da Amoreira, em Elvas, continua na corrida para ser consagrado como uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal e vai voltar a estar em destaque na televisão no próximo dia 29 de agosto, durante a final regional do Alentejo e Ribatejo do concurso.
A sessão, com transmissão em direto na TVI, será uma nova oportunidade para apresentar ao país a história e a importância de um dos maiores símbolos de Elvas. A representar o monumento estará José Manuel Martins, antigo guia do Forte de Santa Luzia e estudioso autodidata da história da cidade.
Três minutos para contar mais de 500 anos de história
Em entrevista à Rádio ELVAS, José Manuel Martins sublinha que o principal desafio será conseguir condensar séculos de história em apenas três minutos de televisão. “Lá só temos três minutos e não dá para quase nada”, explica, defendendo que, apesar do pouco tempo disponível, é fundamental dar a conhecer aos portugueses “o que é que se passou durante os 93 anos da construção” do Aqueduto da Amoreira.
Uma resposta à falta de água em Elvas
A história do monumento remonta ao século XVI, durante o reinado de D. Manuel I, numa altura em que Elvas enfrentava um grave problema de abastecimento de água. Segundo José Manuel Martins, a cidade possuía inúmeros palacetes equipados com poços e cisternas, mas a nascente subterrânea que abastecia a população acabou por secar. “Elvas ficou sem água. Então o rei D. Manuel teve que resolver o problema”, recorda.
A solução passou pela captação de água a cerca de 15 quilómetros da cidade, nomeadamente na zona da Serra do Bispo, perto de Vila Fernando, e por outras nascentes. A água era depois conduzida até Elvas através de uma gigantesca estrutura que viria a marcar para sempre a paisagem da cidade.
Um projeto que obrigou a elevar o aqueduto
O projeto não foi, contudo, simples. O aqueduto inicialmente construído tinha cerca de 25 metros de altura, mas a água não conseguia chegar aos pontos de abastecimento pretendidos.
“Tiveram que subir o aqueduto mais seis metros, que hoje é a altura que tem, 31 metros, para a água chegar à Fonte de São Lourenço e à Fonte das Viúvas”, explica o estudioso.
A construção obrigou também à criação de mecanismos extraordinários de financiamento. Entre eles esteve o chamado “real de água”, um imposto aplicado sobre determinados produtos de consumo.
93 anos de construção e uma chegada celebrada pela população
O processo foi longo e atravessou diferentes reinados e períodos políticos. Durante o período dos Filipes, a construção chegou a estar parada, mas acabaria por ser retomada, uma vez que o abastecimento de água era essencial para a cidade.
A obra foi finalmente concluída em 1622, momento que, segundo José Manuel Martins, foi vivido com grande entusiasmo pela população. “Foi a primeira vez que correu água dentro da cidade. Houve bailaricos e toque de charamelas”, conta, referindo-se às celebrações associadas à chegada da água à Fonte da Misericórdia.
O aqueduto que também transformou Elvas
O Aqueduto acabaria por ter também um papel importante na própria transformação urbanística de Elvas. A estrutura chegou a prolongar-se para dentro da cidade e ainda hoje existem vestígios dessa antiga construção.
José Manuel Martins recorda, por exemplo, que a atual Fonte da Misericórdia não corresponde ao local original onde a água chegou à cidade. “A fonte onde iniciou foi no Lar da Misericórdia, onde está hoje a estátua do rei D. Manuel I”, revela.
Uma obra ligada à defesa da cidade
O aqueduto está ainda ligado à construção de importantes estruturas defensivas da cidade. Com a evolução da artilharia, tornou-se necessário criar uma passagem que permitisse a entrada dos grandes canhões em Elvas sem destruir as muralhas.
“O viaduto foi feito para os canhões poderem entrar dentro da cidade”, explica José Manuel Martins, recordando que as dimensões dos canhões não permitiam que estes fizessem as curvas junto às portas da cidade.
A intervenção acabaria por alterar parte do próprio aqueduto e da rede de abastecimento, incluindo a construção de uma impressionante estrutura subterrânea. “É uma autêntica igreja debaixo do chão. É linda”, descreve o guia, referindo-se à grande estrutura subterrânea de canalização e proteção da água.
O aqueduto sobreviveu à Guerra da Restauração
A história do Aqueduto da Amoreira cruza-se ainda com os conflitos militares que marcaram Elvas. Durante a Guerra da Restauração, chegou a existir a possibilidade de o monumento ser destruído, mas a necessidade de garantir o abastecimento de água acabou por prevalecer.
“Na altura da Batalha das Linhas de Elvas, os espanhóis ainda pensaram em destruir o aqueduto, mas tiveram bom senso, pensaram duas vezes”, conta José Manuel Martins.
Apesar disso, houve danos provocados na parte superior do monumento, com os canais de água a serem deliberadamente destruídos. “A água, em vez de correr para a cidade, corria para o chão. Mas o monumento ficou erguido. Esta ganhámos nós”, afirma, associando a resistência do aqueduto à própria história militar de Elvas.
“A chave do reino” e o orgulho em ser elvense
Para José Manuel Martins, a história do monumento não pode ser dissociada da importância estratégica da cidade, conhecida como a “chave do reino”.
“Tenho muito orgulho em ser elvense e português”, afirma, sublinhando a importância de preservar e transmitir às novas gerações o conhecimento sobre o património local.
Essa ligação à história de Elvas acompanha José Manuel Martins desde jovem. O estudioso conta que nunca perdeu o interesse pelos livros de história e que a passagem pela Câmara Municipal acabou por aprofundar ainda mais essa paixão.
Uma vida dedicada à história e ao património
Mesmo depois de ter terminado a atividade profissional na Câmara Municipal, José Manuel Martins continua ligado à divulgação do património da cidade, através das visitas guiadas.
“Temos que gostar do que estamos a fazer, senão não vale a pena”, afirma.
Agora, o desafio é outro: levar essa paixão pelo património elvense à televisão e convencer os portugueses a votar no Aqueduto da Amoreira.
Aqueduto enfrenta forte concorrência
José Manuel Martins reconhece a importância da Barragem do Alqueva, o outro candidato na categoria “Grandes Obras” nesta fase do concurso, mas considera que a antiguidade e o reconhecimento internacional do monumento elvense são argumentos fortes. “O Alqueva é uma coisa recente. É uma grande obra, não há dúvida nenhuma. Mas o nosso aqueduto tem mais de 400 anos”, recorda.
O guia turístico recorda ainda que Elvas possui um reconhecimento internacional de enorme importância: a classificação como Património Mundial da UNESCO, atribuída em 2012. “Temos o selo da UNESCO”, destaca, lembrando o processo que levou à classificação da cidade e das suas fortificações.
A distinção, considera, teve também impacto direto no turismo e na notoriedade de Elvas. “As visitas aqui em Elvas triplicaram”, recorda José Manuel Martins, que durante os anos em que trabalhou na Câmara acompanhou de perto a evolução do número de visitantes aos monumentos da cidade.
Um apelo aos elvenses para votar
É com esse património, essa história e esse orgulho elvense que o Aqueduto da Amoreira vai agora enfrentar mais uma etapa na corrida às Sete Novas Maravilhas de Portugal.
José Manuel Martins deixa um apelo direto aos conterrâneos: “Espero que os nossos conterrâneos e amigos votem todos no Aqueduto da Amoreira”. E reforça: “É uma insignificância, não custa nada”.
O objetivo é conseguir mobilizar os elvenses dentro e fora do concelho e mostrar, uma vez mais, a força de um monumento que, há mais de cinco séculos, faz parte da identidade da cidade. “Nós nunca perdemos a esperança. Nós vamos e tentamos ver o que é que podemos fazer de melhor”, conclui José Manuel Martins.
Final regional realiza-se em Santarém
A final regional do Alentejo e Ribatejo realiza-se no dia 29 de agosto, no Jardim das Portas do Sol, em Santarém, com transmissão em direto na TVI, a partir das 15 horas. Elvas estará representada pelo Aqueduto da Amoreira e pela voz de quem há décadas se dedica a estudar, preservar e contar a história da cidade.