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Graça Amiguinho candidata coletânea de contos sobre a história de Elvas ao Orçamento Participativo

A escritora elvense Graça Amiguinho surge entre os 14 candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo de Elvas, com o projeto “Elvas nas Brumas do Tempo”, uma obra literária que pretende dar a conhecer a história, as figuras e o património do concelho através de contos inspirados em factos históricos e ficção.

Em entrevista, a autora explica que a ideia nasceu da vontade de valorizar a identidade local através da literatura: “Escrevo há muitos anos e senti que a história, as pessoas e o património de Elvas mereciam ser conhecidos através da literatura.”

Treze contos para contar a história de Elvas

O projeto reúne 13 contos, cada um dedicado a uma personagem ou a um tema ligado à história do concelho, permitindo ao leitor viajar por diferentes épocas, desde a Idade Média até períodos mais recentes. Inicialmente concebida como um único livro com cerca de 500 páginas, a obra acabou por ser dividida em vários volumes para facilitar a leitura e a publicação.

Entre as figuras retratadas encontram-se António Tomás Pires, António Sardinha, José da Silva Picão e Públia Hortênsia de Castro. As histórias incluem também referências ao património material e imaterial de Elvas, como o Aqueduto da Amoreira, o Castelo, o Forte da Graça, a Ponte de Ajuda, a romaria do Senhor Jesus da Piedade e tradições populares das freguesias do concelho.

Segundo Graça Amiguinho, a componente ficcional surge para tornar a leitura mais apelativa, sem perder o rigor histórico. “Procuro ter conhecimentos da realidade, mas depois floreio as histórias. A imaginação é a mãe de um escritor”, assegura.

Preservar a memória através da literatura

A autora sublinha que o principal objetivo do projeto não passa pela vitória no Orçamento Participativo, mas sim pela divulgação da história e das tradições de Elvas junto de diferentes públicos.

“O meu objetivo não é vencer este concurso. O meu objetivo é que estes contos cheguem aos leitores e os ajudem a valorizar a memória da nossa cidade”, garante.

Graça Amiguinho considera que a coleção poderá ser utilizada em escolas, centros de dia e outras instituições, aproximando crianças, jovens e idosos do património histórico e cultural do concelho. Ao longo das histórias são retratadas as aldeias do concelho, os seus habitantes, tradições, costumes e acontecimentos marcantes que fazem parte da identidade elvense.

História e ficção de mãos dadas

Ao longo da obra são abordados episódios marcantes da história local, como a construção do Aqueduto da Amoreira, as Guerras da Restauração, a Guerra das Laranjas, a perda de Olivença e a batalha das Linhas de Elvas, sempre acompanhados por narrativas ficcionadas que procuram despertar o interesse do leitor.

A escritora explica que realiza uma investigação histórica rigorosa antes de escrever cada conto, procurando garantir a fidelidade aos factos, embora recorra à imaginação para construir personagens, diálogos e enredos que tornem a leitura mais envolvente.

Um projeto de 25 mil euros

O projeto apresenta um orçamento de 25 mil euros, destinado à edição de mil exemplares da obra. Apesar de reconhecer as dificuldades do processo de votação online do Orçamento Participativo, Graça Amiguinho mostra-se satisfeita por poder apresentar a sua proposta aos elvenses.

Caso o projeto não seja o mais votado, garante que continuará a procurar alternativas para concretizar a publicação: “Acho que é uma obra que não se pode perder. É a história da nossa terra, das nossas gentes, das nossas tradições e do nosso futuro”

Uma mensagem para o futuro

Entre os contos encontra-se ainda uma narrativa dedicada à Eurocidade Elvas – Campo Maior – Badajoz, estabelecendo uma ligação entre o passado e a cooperação transfronteiriça, que a autora considera fundamental para o futuro da região.

No final da entrevista, Graça Amiguinho deixa uma mensagem aos elvenses, destacando a importância de preservar a memória coletiva: “Um povo que conhece a sua história caminha com mais segurança para o futuro. O meu convite é para que todos descubram em Elvas nas Brumas do Tempo uma janela aberta para a nossa história. Se, depois de lerem estas histórias, olharem para Elvas com um pouco mais de orgulho e curiosidade, então o meu trabalho terá valido a pena.”

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

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