Ministro defende aceleração da Barragem do Pisão e critica demora na execução de grandes obras públicas

O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, defendeu, na passada terça-feira, 21 de julho, a necessidade de acelerar a concretização de grandes investimentos públicos, apontando a Barragem do Pisão como um exemplo dos prejuízos económicos e territoriais causados pelos atrasos na execução de obras estruturantes.

As declarações foram feitas em Campo Maior, à margem da inauguração da rede de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, uma infraestrutura aguardada pelos agricultores há cerca de 25 anos.

Para o governante, os atuais processos administrativos e judiciais associados à execução de grandes projetos são demasiado morosos, comprometendo o desenvolvimento dos territórios e aumentando significativamente os custos das obras.

“Temos que acelerar investimentos. É uma eternidade para ter uma declaração de impacte ambiental, é uma eternidade para se avançar com o concurso público. Nós temos que ser mais rápidos, no interesse do território, das pessoas e dos contribuintes”, afirmou.

Barragem do Pisão utilizada como exemplo dos custos da demora

José Manuel Fernandes considerou que a Barragem do Pisão ilustra bem os efeitos das sucessivas interrupções e atrasos no processo. Embora reconheça como legítimas as decisões dos tribunais e as posições assumidas pelas associações ambientalistas, sustentou que o prolongamento da obra terá custos elevados para o país.

“No final, quando fizermos as contas, vamos ver que a barragem foi feita, que teve um custo brutal, muito superior, e foi paga pelos portugueses, além do custo de oportunidade que se perdeu porque deixámos de a ter mais cedo, o que era extremamente importante para a população”, afirmou.

O ministro voltou ainda a criticar aqueles que, na sua perspetiva, se opõem à ocupação e valorização do território, referindo que o “impressiona muito quem preferia o deserto à ocupação do território”.

Agricultores, autarcas e empresários são “autênticos heróis”

Durante a intervenção, José Manuel Fernandes destacou igualmente o papel dos agricultores, autarcas e empresários, classificando-os como “autênticos heróis” pela capacidade de resistência perante os obstáculos burocráticos.

“Eu estou ministro da Agricultura porque existem agricultores. Todos aqueles que trabalham na área da agricultura só têm esse trabalho porque existem agricultores. Nós temos a missão de apoiar a agricultura, apoiar os agricultores e os contribuintes”, afirmou, acrescentando que a burocracia e os entraves administrativos representam “um prejuízo para Portugal e para os portugueses”.

Ministro identifica o Estado como um dos principais entraves

O governante identificou o próprio Estado como um dos principais fatores de bloqueio à concretização dos investimentos, embora reconheça que parte da legislação decorre de diretivas europeias que, segundo disse, estão atualmente em processo de revisão para simplificação.

Defendeu, por isso, uma mudança de cultura na Administração Pública, sustentando que os serviços devem procurar viabilizar os processos, desde que respeitem a legislação e o interesse público, em vez de privilegiar razões para os rejeitar.

Apelo à simplificação e à aceleração dos processos

“O que nós temos que fazer é ter legislação que concilie competitividade, sustentabilidade ambiental e coesão territorial e termos processos de decisão mais rápidos. Uma declaração de impacte ambiental não pode demorar cinco anos, uma decisão judicial não pode demorar 20. Os concursos públicos também demoram uma eternidade”, afirmou.

José Manuel Fernandes concluiu defendendo reformas que permitam acelerar os procedimentos administrativos e judiciais, garantindo simultaneamente o cumprimento da legislação e a salvaguarda do interesse público.

Falta de voluntários não trava a Mouraria de Cima: união mantém viva a tradição das Festas do Povo

A Rua da Mouraria de Cima, uma das cerca de uma centena de artérias de Campo Maior que, entre 8 e 16 de agosto, se transformará num autêntico jardim de flores de papel, vive o intenso trabalho de preparação para as Festas do Povo. Entre cortes, dobragens e montagens, o espírito de entreajuda mantém-se bem vivo, apesar das dificuldades em reunir voluntários suficientes.

À frente da organização dos trabalhos de ornamentação da rua estão Lucila Meira e Rute Pingo, que, curiosamente, não residem na Mouraria de Cima, mas que continuam profundamente ligadas ao local. Já em 2015 tinham sido também elas as cabeças de rua.

Lucila Meira explica que aceitou novamente o desafio de ser cabeça de rua para garantir que aquela artéria não ficava de fora da festa. “A minha rua não é esta, mas estou aqui a trabalhar e então juntei-me às vizinhas aqui da rua e demos o nome para ser cabeça de rua. Não havia mais quem quisesse ser cabeça de rua. Para a rua se arranjar alguém tinha que ser cabeça de rua e encarregar-se disso e nós tomámos essa decisão”, revela.

Já Rute Pingo recorda a ligação de décadas à rua, onde teve um comércio durante muitos anos: “Eu não moro aqui, mas tive aqui um comércio durante 30 anos e, por isso, considero a rua como minha.”

Moradores de outras ruas ajudam a colmatar a falta de voluntários na Mouraria de Cima

Uma das novidades deste ano é o reforço da equipa com pessoas de outras ruas da vila, uma situação pouco habitual, mas que surge como resposta à diminuição do número de participantes locais.

Segundo Rute Pingo, cerca de 20 pessoas estão envolvidas nos trabalhos, embora apenas uma parte pertença efetivamente à Rua da Mouraria de Cima. “Nos outros anos nunca vinha gente de fora da rua. Este ano é que está a acontecer isso, porque a rua cada vez vai tendo menos pessoas para fazerem as coisas. Então este ano houve um grupo de pessoas e um grupo de jovens que se prontificaram para nos vir ajudar”, adianta.

Trabalho em equipa e partilha de conhecimentos

Apesar da exigência do trabalho, o ambiente é marcado pelo consenso e pela colaboração. Depois de definido o projeto decorativo da rua, todos participaram na escolha das cores e aprenderam as técnicas necessárias para criar as tradicionais flores de papel.

Rute Pingo destaca o papel de uma moradora experiente, que transmitiu os conhecimentos ao restante grupo. “Aqui não se briga, chega-se a um acordo. Depois de termos o projeto da rua, combinámos as cores que queríamos, tudo num tom mais de rosa. Depois há uma pessoa aqui na rua, a vizinha Zica, que sabe fazer as flores e que nos ensinou. Foi ela que nos deu os moldes e ensinou a fazer a montagem das flores”, refere.

O futuro da tradição depende das novas gerações

Embora o entusiasmo continue presente, as responsáveis admitem alguma preocupação com o futuro das Festas do Povo, numa altura em que a população envelhece e se torna mais difícil encontrar quem assuma a responsabilidade de organizar as ruas.
Para Lucila Meira, a continuidade desta tradição centenária dependerá da disponibilidade dos mais jovens.

“É uma festa já muito antiga e nós queríamos que isto não acabasse, mas há pouca gente para trabalhar e não sei se conseguimos que se façam novamente as festas. Tudo depende da mocidade, porque os mais velhos vão partindo e os mais novos é que têm de apanhar essa responsabilidade. Desde que eles queiram, tudo se consegue”, garante.

O orgulho de ver a rua brilhar

Apesar do cansaço acumulado pelas longas horas de trabalho, a motivação mantém-se intacta. O objetivo é simples: fazer da Rua da Mouraria de Cima uma das mais bonitas das Festas do Povo.

Lucila Meira não esconde o orgulho pelo trabalho desenvolvido e a vontade de voltar a surpreender quem visitar Campo Maior.
“A nossa rua normalmente fica sempre mais bonita e este ano esperamos que o nosso trabalho seja também dos melhores. Para isso, nós temos de lutar para que isso aconteça. As nossas coisas são sempre melhores que as outras. Portanto, a rua, embora não seja nossa, temos orgulho que fique mais bonita. Esperamos aproveitar o trabalho que temos aqui, embora o cansaço nos esteja a querer vencer, mas nós não nos queremos deixar vencer pelo cansaço”, remata.

14 anos de Património Mundial marcam o percurso de Elvas: elvenses avaliam o impacto da distinção

Elvas assinalou, no final de junho, os 14 anos da classificação como Património Mundial da UNESCO. A distinção, atribuída em 2012, continua a projetar a cidade além-fronteiras e a atrair visitantes.

Mas será que os elvenses consideram que este reconhecimento tem sido bem aproveitado? A Rádio ELVAS saiu à rua para ouvir a opinião dos ouvintes.

Um dos entrevistados reconhece que a classificação contribuiu para o aumento do turismo e para a requalificação de alguns espaços, mas considera que os benefícios económicos ainda ficam aquém do esperado. “Sinto que há muito mais movimento a nível do turismo”, afirma, embora considere que o dinheiro deixado pelos visitantes “fica aquém”. Por outro lado, refere que se “tem notado que há requalificação” do património.

Também houve quem destacasse o potencial ainda por aproveitar. Uma elvense descreve Elvas como “uma cidade extraordinária”, mas entende que continua “muito pouco explorada a nível cultural e mesmo ao nível do seu próprio património”, defendendo que “Elvas tem muito mais para dar”.

Outros ouvintes sublinham os efeitos positivos da distinção da UNESCO. Uma das entrevistadas considera que a classificação “trouxe muito turismo” e que a cidade está “mais viva”, com “mais pessoas na rua”, acrescentando que o património “está muito valorizado”.

Na mesma linha, outro elvense refere que a diferença é evidente quando comparada com o período anterior à classificação, apontando o crescimento da restauração, das dormidas e do número de visitantes que chegam em excursões. Apesar disso, considera que continua a existir património pouco valorizado, defendendo uma maior aposta na promoção do património religioso, através da criação de uma rota dedicada às igrejas da cidade.

As opiniões recolhidas pela Rádio ELVAS revelam, assim, que a população reconhece a importância da classificação de Elvas como Património Mundial da UNESCO e o impacto positivo que esta teve na cidade. Ainda assim, muitos consideram que há áreas onde é possível reforçar a valorização e promoção do património local.

Bloco Operatório do Hospital de Elvas de “portas abertas” esta quinta-feira para profissionais de saúde e crianças

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo promove esta quinta-feira, 23 de julho, uma iniciativa de “Portas Abertas” no Bloco Operatório do Hospital de Santa Luzia, em Elvas.

Com a iniciativa, a ULS do Alto Alentejo pretende aproximar a comunidade e os profissionais de saúde da realidade do bloco operatório, promovendo a confiança, a literacia em saúde e a humanização dos cuidados.

Durante a visita, os participantes terão oportunidade de conhecer a requalificação realizada no Bloco Operatório, descobrir o modo de funcionamento, os circuitos e as tecnologias utilizadas, bem como esclarecer dúvidas e contactar diretamente com a equipa de profissionais.

O programa divide-se em dois momentos distintos. Entre as 10h00 e o meio-dia, decorre uma sessão dedicada às crianças, articulada com instituições escolares, que inclui atividades pedagógicas e visitas orientadas ao Bloco Operatório. A ação pretende fomentar, desde cedo, a literacia em saúde, despertando a curiosidade e promovendo o conhecimento sobre o ambiente hospitalar.

Já entre as 14h00 e as 15h00, a iniciativa é dirigida aos profissionais de saúde da ULS Alto Alentejo, proporcionando um momento de partilha, integração e conhecimento da organização e funcionamento do espaço.

Segundo a ULS Alto Alentejo, o projeto assenta na ideia de que “conhecer é o primeiro passo para confiar”, reforçando a importância da proximidade com a comunidade e da valorização das equipas de saúde.