
A possível instalação do campo de tiro da Força Aérea no concelho de Alter do Chão tem vindo a gerar preocupação em Cabeço de Vide, sobretudo devido à eventual localização do projeto numa área que poderá coincidir com o perímetro de proteção das águas das Termas da Sulfúrea.
O alerta é lançado pelo secretário do Executivo da Junta de Freguesia de Cabeço de Vide, José Oliveira, que denuncia a falta de esclarecimentos por parte das entidades competentes, nomeadamente da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), após um pedido formal de informação enviado sobre a localização prevista para a infraestrutura.
Segundo a informação divulgada, uma imagem não oficial, mas considerada suficientemente detalhada para análise técnica, assinala a área destinada ao campo de tiro sobreposta ao Perímetro de Proteção das Águas das Termas da Sulfúrea. A comparação com os mapas oficiais indica que o local poderá coincidir ou entrar no perímetro de proteção da Concessão HM-36, área legalmente protegida para salvaguarda do sistema hidrogeológico que alimenta as termas.
De acordo com a legislação em vigor, qualquer intervenção, obra ou atividade suscetível de afetar o aquífero, os veios freáticos ou os mecanismos de recarga da água termal necessita de autorização prévia da DGEG. A Portaria n.º 152/2012 estabelece ainda restrições específicas para estas zonas de proteção, com o objetivo de preservar a integridade dos recursos hidrominerais.
O secretário da Junta de Freguesia de Cabeço de Vide alerta para a sensibilidade dos sistemas subterrâneos que alimentam as Termas da Sulfúrea: vibrações, escavações, compactação de solos ou eventuais fontes de contaminação podem interferir com os fluxos subterrâneos, reduzir caudais ou comprometer a qualidade da água mineral, colocando em causa um recurso considerado estratégico para a freguesia.
De acordo com José Oliveira, a ausência de resposta da DGEG ao pedido de esclarecimentos aumenta as dúvidas em torno do projeto e reforça a necessidade de transparência no processo. Em causa, garante, está a proteção de um património ambiental, económico e identitário de elevado valor para Cabeço de Vide e para toda a região.
Até ao momento, não são conhecidos esclarecimentos oficiais sobre a localização definitiva do projeto nem sobre a eventual compatibilidade da sua implementação com o regime de proteção das águas termais.


















