
O Alentejo não é apenas um destino para passar; é uma região para sentir, e o paladar é a porta de entrada privilegiada. Com a recente realização da Gala do Guia Repsol em Évora, o território consolidou o seu estatuto como um dos eixos gastronómicos mais vibrantes da Península Ibérica. O evento serviu para mostrar que a nossa força reside na união entre o produto, a tradição e o próprio território.
Para o presidente da Turismo do Alentejo, José Santos, a importância desta visibilidade ultrapassa as cozinhas dos grandes restaurantes. O que se promove é todo um ecossistema: desde quem produz o queijo, o vinho e os enchidos até ao chef que os transforma. “O Alentejo consegue pegar neste ecossistema e promover-se através de um turismo personalizado”, destaca o responsável, lembrando que a experiência de quem nos visita passa obrigatoriamente pelas herdades, pelos mercados e pelas provas que ligam o turista à terra.
Num mercado global cada vez mais padronizado, o Alentejo destaca-se pela sua “verdade”. A cozinha regional é apresentada como um património vivo, com influências que recuam séculos — desde os fenícios até à inovação dos dias de hoje. José Santos sublinha que este é o grande fator diferenciador: “É uma gastronomia que sai da alma, não é automática”. Esta identidade histórica faz da região um destino de eleição para quem foge do turismo de massas e procura algo genuíno.
Évora, como cidade âncora e porta de entrada, tem sido fundamental nesta estratégia de valorização. Embora o Alentejo seja ainda considerado um destino “novo” em termos de escala internacional, a aposta continua a ser na qualidade em detrimento da quantidade. O objetivo futuro é ganhar dimensão sem perder a essência, reforçando a competitividade do Alentejo enquanto palco de excelência para descobrir — e, acima de tudo, para regressar.
A estratégia turística para o Alentejo ganha novo fôlego com a distinção do Baixo Alentejo como Cidade Europeia do Vinho 2026, um reconhecimento que valoriza quase 6 mil hectares de vinha e a forte dinâmica de enoturismo em 13 concelhos. José Santos, presidente da Turismo do Alentejo, reforça que a região é um destino de proximidade ideal para o mercado espanhol, oferecendo um refúgio “tranquilo, seguro e personalizado”. A gastronomia, pilar central desta identidade, foi celebrada na recente Gala Repsol em Évora, onde a excelência lusa foi montra para dezenas de jornalistas ibéricos, destacando-se também o Algarve com as distinções máximas de “3 Sóis” para os restaurantes Vila Joya e Vista.
O horizonte de 2027, ano em que Évora será Capital Europeia da Cultura, é visto como o grande catalisador para a economia regional, com a programação oficial a ser anunciada já em setembro deste ano. Para o responsável do setor, este evento não se limitará à cidade, mas irá “catapultar” todo o Alentejo através de exposições e atividades descentralizadas, atraindo novos investimentos na hotelaria e restauração. Espera-se que este impulso cultural consolide a região como um dos destinos mais importantes da Europa, atraindo um fluxo crescente de visitantes que procuram a simbiose perfeita entre natureza, tradição e modernidade.















