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Montemor: Comunidade Socio-Terapêutica Casa João Cidade encerrou Projeto Local Acessível (c/fotos)

A Comunidade Socio-Terapêutica Casa João Cidade, em Montemor-o-Novo, promoveu na manhã desta quinta-feira, 12 de março, a sessão de encerramento do projeto Local Acessível, uma iniciativa dedicada à promoção da inclusão e da acessibilidade no concelho. O projeto teve como objetivo principal permitir que os clientes da associação visitassem diversos estabelecimentos da cidade para identificar barreiras físicas e de comunicação.

Floriano Saiote, presidente da direção da Casa João Cidade, em declarações á RNA, referiu que as avaliações foram muito positivas “temos cerca de 60 e qualquer coisa por cento de selos atribuídos. No universo dos serviços que connosco colaboraram, só 33% é que não atingiram os objetivos. É um objetivo quase cumprido, atendendo a que este projeto também não é para acabar hoje. O processo é feito praticamente pelos nossos clientes, que começaram a identificar as dificuldades que sentiam em determinados serviços que precisavam do dia-a-dia, como por exemplo uma ida à farmácia, uma ida a um cabeleireiro, uma ida à segurança social, à rodoviária, todas as necessidades do dia-a-dia. Apesar de haver acessibilidades motoras, com rampas, mas depois havia a dificuldade na linguagem, no tempo, e isso foi-nos alertando para essas situações. Depois a equipa técnica interessou-se neste projeto e começamos a trabalhar nele, a identificar os locais, convidar proprietários para alguns trabalhos, e pronto, foram-se fazendo avaliações, houve uma avaliação também de uma instituição externa a nós, que neste caso foi a Cercimor”.

Patrícia Neca, do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, descreveu esta iniciativa como muito interessante, “porque permite uma maior participação das pessoas que são apoiadas pela organização na comunidade. Para além de promover essa participação, coloca aqui um enfoque num tipo de acessibilidade que por vezes é menos falado, que é uma acessibilidade ao nível da comunicação e da informação. Está aqui a sensibilizar toda a comunidade para a importância também de se adaptar a receber e a bem receber e a contar com a participação das pessoas com deficiência intelectual. É sem dúvida de louvar e isto é um projeto muito alinhado aqui com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que pretende promover a participação das pessoas na sociedade”.

Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, também esteve presente e adiantou o trabalho que a autarquia já fez e o que ainda falta fazer no âmbito das acessibilidades. “Fizemos ao longo dos últimos anos, um percurso muito positivo e muito interessante. Recordo que as preocupações relativamente à acessibilidade em edifícios principais começaram cedo e algumas delas até vinham de trás. Recordo, por exemplo, que no edifício dos Paços do Concelho, que é o edifício que sofreu uma intervenção talvez na década de 60, foi introduzido um dos primeiros elevadores que tivemos aqui na região, em edifícios públicos desta grande gama. Tem havido algumas preocupações. Portanto, os edifícios públicos têm vindo, a pouco e pouco, a ser adaptados e, na sua generalidade, eu julgo que estamos a responder positivamente. Ainda poderá haver algumas situações, mas serão situações pontuais. O problema maior é, em primeiro lugar, as dificuldades de acessibilidade dos arruamentos, precisam continuar a ser vistas. Às vezes não é apenas do ponto de vista teórico, é ir com as pessoas que usam a cadeira de rodas ou que usam outro tipo de locomoção para se perceber qual é o problema. As questões ligadas ao rampiamento de passeios e outras situações, que é importante um pouco por todo o lado. Temos as dificuldades que são naturais no centro histórico, porque é um centro histórico antigo e isso significa que não está adequado, às novas formas de mobilidade e, em particular, às dificuldades de mobilidade. Há muito trabalho para fazer, mas há um trabalho muito significativo que foi feito”.

Ao longo do desenvolvimento do projeto, os participantes avaliaram espaços como farmácias, cabeleireiros, supermercados e serviços públicos, destacando dificuldades como rampas insuficientes, barreiras de comunicação e limitações de tempo no atendimento. Uma avaliação externa, realizada pela Cercimor, que complementou as análises internas da associação.

Cristina Saloio, presidente da direção da Cercimor referiu que foi uma honra os clientes da sua instituição terem feito parte deste projeto, “porque realmente ao longo dos anos temos feito sempre estas parcerias e acho que cada vez mais é urgente e muito importante começarmos a trabalhar em conjunto. É um tema que para nós, como entidade, é muito importante, a questão das acessibilidades, a forma também como a comunidade lida no seu dia-a-dia com as pessoas com deficiência. E por isso, para nós, termos aqui este projeto de olharmos de uma forma diferente para a forma do comportamento que as pessoas têm para com as pessoas quando vão no seu dia-a-dia, nas suas rotinas, a uma loja, um supermercado, umas finanças, para nós é extremamente importante perceber como é que eles se sentem e ouvir pela voz de quem realmente vive as situações, dizerem-nos as suas opiniões e as suas sugestões para que, de alguma forma, também conseguirmos aqui movimentar até poderes políticos, financeiros, para mudarmos um bocadinho a nossa comunidade de forma, a que seja acessível a todos e que melhore a qualidade de vida de todas as pessoas”.

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