
Elvas celebra esta quarta-feira, 14 de janeiro, um dos momentos mais emblemáticos da sua história: a Batalha das Linhas de Elvas, travada há precisamente 367 anos e que garantiu a liberdade e a soberania de Portugal.
Dando conta que o feito de 1659 só é comemorado, desde o primeiro momento, em Elvas, o historiador elvense e cronista oficial da cidade, Rui Jesuíno, lembra que esta foi a principal batalha da Guerra da Restauração. “Mesmo só sendo feriado municipal, como é óbvio, a partir do século XX, não houve um ano em que, em Elvas, não houvesse comemorações, desde religiosas a outras”, assegura.
“Esta batalha advém de algo que correu mal: a tentativa de conquista falhada de Badajoz, pensada por João Mendes de Vasconcelos. Há depois uma fuga de todos aqueles que estavam em Badajoz para Elvas e um exército castelhano que vem socorrer Badajoz e que acaba por cercar a cidade de Elvas”, recorda o historiador.
A cidade esteve cercada desde outubro de 1658 até 14 de janeiro de 1659, “até que depois veio o exército de socorro português, vindo de Lisboa, e especialmente depois ali de Estremoz e Vila Viçosa, formado por muitos alentejanos, que veio socorrer a cidade”, avança Rui Jesuíno
Abertas as linhas, é travada a batalha no dia 14, “que só terminou na manhã de dia 15”. É precisamente no dia 15 que acaba por falecer “o grande herói da batalha”, André de Albuquerque Riba-Fria, “num ataque a um fortim que existia onde está hoje o Forte da Graça”.
A verdade é que travar o exército castelhano, em Elvas, era essencial para que não pudesse chegar a Lisboa. “Como diziam muitos reis castelhanos, ao longo da história, para conquistar Portugal era necessário conquistar Elvas, porque de Elvas a Lisboa era um passeio. E, se pensarmos bem, assim era, porque não há nenhum acidente orográfico, não há nenhuma serra, nem nenhum grande rio até ao Tejo. Portanto, era aqui que era necessário travar o exército castelhano e assim se fez, felizmente, no dia 14 de janeiro de 1659, e ainda bem que mais um ano estamos a festejar esta grande vitória”, remata Rui Jesuíno.















