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APPACDM de Elvas volta a candidatar-se ao Orçamento Participativo para adquirir gerador elétrico

A APPACDM de Elvas volta a candidatar ao Orçamento Participativo do Município de Elvas um projeto destinado à aquisição de um gerador elétrico.

A iniciativa, avaliada em 25 mil euros, integra os 14 projetos submetidos à votação na edição de 2026 e pretende garantir energia segura e contínua aos cerca de 250 utentes apoiados pela instituição.

Apagão de 2024 evidenciou necessidade do equipamento

Em declarações à Rádio Elvas, o presidente da direção da APPACDM de Elvas, Luís Mendes, explica que esta é a segunda vez que a instituição apresenta o projeto (já o tinha feito em 2025), dada a importância do equipamento para assegurar o normal funcionamento das várias respostas sociais.

A necessidade tornou-se particularmente evidente durante o apagão de 2024, que deixou a instituição sem eletricidade durante cerca de 12 horas. Segundo Luís Mendes, a interrupção comprometeu gravemente o funcionamento dos serviços e criou dificuldades acrescidas no acompanhamento das pessoas com deficiência intelectual e multideficiência.

“Vários utentes manifestaram ansiedade, medo e instabilidade”, refere o responsável, acrescentando que as refeições tiveram de ser servidas com iluminação insuficiente, enquanto equipamentos essenciais ficaram inoperacionais. Houve ainda preocupação com a conservação de alimentos e medicamentos.

Perante uma situação para a qual, segundo Luís Mendes, não existem respostas previamente treinadas, a equipa da instituição teve de improvisar soluções para garantir a segurança e o bem-estar dos utentes.

“Instituições que acolhem pessoas com deficiência, dependentes de rotinas estruturadas e ambientes estáveis, não podem de maneira nenhuma ficar expostas a falhas energéticas prolongadas”, sublinha o presidente da direção.

Gerador garante continuidade dos serviços

O equipamento permitirá assegurar a continuidade das principais atividades e serviços da instituição, nomeadamente a alimentação, conservação de medicamentos, funcionamento de equipamentos essenciais e atividades terapêuticas, garantindo também maior estabilidade emocional aos utentes.

A preocupação é reforçada pelo atual contexto internacional, marcado por conflitos armados, instabilidade geopolítica e eventuais perturbações no setor energético. Embora Portugal disponha de uma rede elétrica estável, a instituição considera importante estar preparada para novas interrupções ou situações de emergência.

Equipamento terá capacidade de 160 kVA

O gerador previsto terá uma potência de cerca de 160 kVA, superior à potência atualmente instalada na instituição, que ronda os 100 kVA. A escolha resulta de um estudo técnico realizado para garantir que o equipamento consegue suportar integralmente o consumo energético das instalações e, simultaneamente, responder às necessidades futuras.

Os 25 mil euros previstos no Orçamento Participativo destinam-se essencialmente à aquisição do equipamento. Aos custos do gerador terão ainda de ser acrescentadas despesas relacionadas com a instalação, projeto e legalização, estimando-se que o investimento global possa ultrapassar os 30 mil euros.

Luís Mendes reconhece que a concretização deste investimento representa um esforço significativo para a APPACDM, que enfrenta diariamente despesas relacionadas com a manutenção das instalações, equipamentos, viaturas e restantes estruturas de apoio.

Instituição apela ao voto dos elvenses

Por isso, o presidente da direção deixa um apelo aos elvenses para que participem na votação do Orçamento Participativo, que decorre até 2 de outubro, e considerem a relevância deste projeto.

“É uma questão de proteção humana, é uma questão de segurança operacional para a instituição, é uma questão de resiliência institucional e é também uma responsabilidade social”, afirma.

O responsável lembra ainda que outras instituições e equipamentos sociais de Elvas já dispõem de sistemas de emergência deste tipo, considerando fundamental que a APPACDM possa também garantir esta resposta.

APPACDM garante que não vai desistir

Caso o projeto não seja escolhido nesta edição, Luís Mendes garante que a instituição não irá desistir e procurará outras soluções para concretizar a aquisição do gerador.

“Desistir é sempre a última coisa”, assegura, defendendo que o equipamento é uma necessidade que terá de ser resolvida a médio prazo.

A entrevista completa a Luís Mendes para ouvir no podcast abaixo:

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