
O Comando Territorial de Portalegre da Guarda Nacional Republicana (GNR) assinalou, na manhã desta quinta-feira, 29 de outubro, em Fronteira, o seu 18.º aniversário. Na cerimónia (ver aqui), o comandante da unidade, coronel Luís Candeias, fez um balanço da atividade operacional, destacou os desafios da segurança no Alto Alentejo e reafirmou o compromisso da Guarda com a proteção das populações.
Durante o seu discurso, o responsável lembrou que, apesar de o atual Comando Territorial ter completado 18 anos, a presença permanente da GNR no distrito remonta a 29 de outubro de 1911, data em que foi instalada pela primeira vez uma força da Guarda em Portalegre. São, assim, 115 anos de presença ininterrupta no território.
O Comando Territorial de Portalegre é responsável pelo cumprimento da missão da GNR nos 15 municípios e em 68 das 69 freguesias do distrito, assegurando, segundo os dados apresentados pelo comandante, a segurança de 78% da população do Alto Alentejo e de 98% da área geográfica do território. A sua área de responsabilidade inclui ainda 210 quilómetros de fronteira com Espanha.
Proximidade com os idosos é uma das prioridades
O envelhecimento da população e a dispersão dos aglomerados habitacionais constituem desafios importantes para a atuação da Guarda no distrito. Neste contexto, Luís Candeias destacou o trabalho desenvolvido no âmbito da Operação Censos Sénior, através da qual são acompanhados 2.621 idosos identificados como estando em situação de especial vulnerabilidade.
O comandante salientou a importância das visitas regulares realizadas pelos militares, considerando que estas contribuem para reforçar a confiança, combater o isolamento e promover o bem-estar social.
“Para algumas dessas pessoas, estas visitas apresentam-se como as únicas que recebem durante longos períodos de tempo”, referiu, sublinhando o papel dos militares enquanto representantes de uma força de segurança humana, próxima e de confiança.
No domínio da criminalidade, o responsável afirmou que a atenção da GNR está particularmente direcionada para os crimes contra as pessoas, sobretudo quando estão em causa vítimas vulneráveis, sem descurar os crimes contra o património, que contribuem para o sentimento de insegurança.
Ao longo de 2026, a atuação policial resultou em 22 detenções, além de várias apreensões de objetos e bens.
Investigações por tráfico de droga e burlas resultaram em penas efetivas
Luís Candeias destacou também os resultados alcançados na investigação criminal, dando conta de decisões judiciais recentes em processos de elevada complexidade relacionados com o tráfico de estupefacientes e com burlas informáticas.
Segundo o comandante, os processos culminaram em condenações a penas de prisão efetivas entre seis e dez anos.
O responsável considerou que estas decisões representam o reconhecimento da qualidade das investigações realizadas pelos militares do Comando Territorial de Portalegre, destacando o rigor técnico, a persistência e o profissionalismo envolvidos.
Mais do que as condenações, acrescentou, os resultados demonstram que o trabalho desenvolvido pela GNR, muitas vezes prolongado e discreto, produz efeitos concretos no combate à criminalidade, na defesa da legalidade e no reforço da confiança dos cidadãos.
Sete mortos nas estradas do distrito em 2026
A sinistralidade rodoviária foi outro dos temas em destaque no discurso comemorativo. De acordo com os números apresentados pelo comandante, em 2026 foram registados 834 acidentes de viação na área de responsabilidade do Comando Territorial de Portalegre, dos quais resultaram sete vítimas mortais, 59 feridos graves e 218 feridos leves.
Os números levam a GNR a reforçar a aposta na prevenção e na fiscalização rodoviária, numa tentativa de reduzir a gravidade dos acidentes e salvaguardar a vida de quem utiliza as estradas.
O comandante chamou ainda a atenção para os resultados da atividade policial que não aparecem diretamente nas estatísticas, nomeadamente os crimes e as infrações que são prevenidos através do policiamento de proximidade e das operações realizadas diariamente.
Entre os eventos que exigiram um planeamento operacional específico, Luís Candeias apontou as Festas do Povo de Campo Maior, as 24 Horas de Todo-o-Terreno de Fronteira, o Festival Internacional de Música de Marvão, o Festival do Crato e a 40.ª edição da Baja Portalegre 500.
A realização destas iniciativas obrigou a mobilizar meios humanos e materiais significativos, sem interromper o serviço diário prestado às populações.
Comandante agradece empenho dos militares e civis
Tendo assinalado, a 23 de setembro, dois anos à frente do Comando Territorial de Portalegre, Luís Candeiras aproveitou a ocasião para agradecer publicamente o trabalho dos militares e funcionários civis da unidade.
Apesar das dificuldades sentidas ao nível dos recursos humanos e materiais, o comandante considerou que a missão atribuída ao Comando tem sido cumprida, destacando o contributo de todos os que asseguram diariamente a segurança e a proteção das comunidades.
O responsável evocou ainda os militares falecidos no cumprimento do dever, recordando, em particular, o guarda principal José valter Canastreiro.
Na parte final da intervenção, Luís Candeias defendeu que a atuação da GNR deve continuar a combinar firmeza e determinação no combate à criminalidade com solidariedade, humanismo e tolerância na relação com as pessoas e as comunidades.
“Cabe-nos a nós estar próximos daqueles que são a razão de ser da nossa existência, proporcionando-lhes proteção e segurança, porque é isso que legitimamente esperam de nós”, afirmou.
O comandante terminou reafirmando o compromisso do Comando Territorial de Portalegre em responder às necessidades dos residentes e de todos os que visitam o Alto Alentejo, procurando manter o território entre os mais seguros do país.
“Somos Guarda Nacional Republicana. Uma força que demonstra humanidade, que está próxima das pessoas, em que os habitantes do Alto Alentejo e todos os que nos visitam podem confiar”, concluiu.















