
Embora a Inteligência Artificial (IA) seja vista como uma tecnologia puramente “virtual”, o seu funcionamento depende de uma gigantesca infraestrutura física com um forte impacto ecológico. No programa “Ambiente em FM”, José Janela, da Quercus, alertou para a pesada pegada ambiental dos megacentros de dados (data centres), que operam ininterruptamente e exercem uma pressão sem precedentes sobre o território, a água e os recursos energéticos.
A dimensão destes projetos é, em muitos casos, colossal. Nos Estados Unidos, por exemplo, está projetado um centro de dados no Utah com 160 km² — uma área que supera em mais de uma vez e meia o tamanho de cidades inteiras como Lisboa (100 km²). Esta ocupação massiva do solo provoca impactos severos na paisagem e exige a construção de novas redes elétricas para responder a uma procura energética que não para de crescer, ameaçando aumentar as emissões globais de carbono caso não seja garantido o uso exclusivo de fontes renováveis.
Outro dos pontos críticos apontados pelo ambientalista é o consumo e a degradação dos recursos hídricos locais. Devido ao aquecimento extremo dos milhares de servidores que funcionam 24 horas por dia, estes complexos requerem sistemas de refrigeração contínua que consomem milhões de litros de água por ano. Este processo tem resultado numa acentuada perda de qualidade da água nas regiões onde os centros estão instalados, demonstrando que a revolução digital da IA acarreta custos físicos e ambientais profundos que urge regulamentar.
Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo:













