Santuário do Senhor Jesus da Piedade com missas diárias e recolha de sangue no São Mateus

Após a abertura oficial da Feira de São Mateus e das Festas em honra do Senhor Jesus da Piedade, em Elvas, no domingo, 20 de setembro, o Santuário volta a assumir um papel central no programa religioso das festividades, com a realização de missas durante todos os dias, de manhã e à noite.

Entre os momentos de maior destaque está a tradicional Missa dos Doentes e dos Idosos, marcada para o dia 24, às 11 horas. No dia seguinte, também às 11 horas, realiza-se a Eucaristia de Consagração do Ano Escolar e de Bênção dos Alunos, uma iniciativa que pretende aproximar as novas gerações da devoção ao Senhor Jesus da Piedade.

O reitor do Santuário, padre Ricardo Lameira, sublinha a importância destas duas celebrações, recordando a forte adesão registada no ano passado.

“Vamos ter, para além das missas, a que já estamos habituadíssimos, na quinta-feira das festas, como já vivemos o ano passado, a missa própria dos doentes e dos idosos. O ano passado trouxe doentes e idosos em tão grande número”, afirma.

Já na sexta-feira, o Santuário volta a receber alunos das escolas do concelho para uma celebração dedicada ao novo ano letivo. Segundo o reitor, a iniciativa pretende incentivar, desde cedo, a ligação dos mais jovens à tradição religiosa local.

“A devoção ao Senhor da Piedade só vai crescendo se começar de pequenino, porque senão vai morrendo”, destaca o padre Ricardo Lameira. A celebração destina-se a “miúdos e mais graúdos” das escolas, que são convidados a consagrar ao Senhor da Piedade o novo ano escolar.

Recolha de sangue no dia 21

A vertente solidária também estará presente. Na segunda-feira, dia 21, o Santuário do Senhor Jesus da Piedade volta a acolher uma recolha de sangue, numa ação que o padre Ricardo Lameira considera uma verdadeira expressão de caridade cristã.

“É preciso perceber o que é caridade fraterna, o que é caridade cristã. Não é dar orações, é dar perdão e dar conforto aos outros”, afirma o reitor, apelando à participação da população.

O sacerdote alerta ainda para a importância das dádivas de sangue e para as dificuldades que podem surgir perante a falta de reservas nos bancos de sangue. “Hoje os bancos de sangue não têm sangue. Se tivermos um problema no nosso país, muitas pessoas vão morrer. Porque não há sangue para fazer as transfusões”, alerta.

O apelo tem também uma dimensão pessoal para o reitor do Santuário, que recorda ter recebido sangue em momentos determinantes da sua vida. “Se não fosse a transfusão de sangue de três pessoas, uma delas eu sei porque foi o meu pai, que deu sangue pela primeira vez para mim, e depois outras duas pessoas, fazem-me com que esteja desperto a esta necessidade”, recorda.

Por isso, deixa um apelo à comunidade: “Os que pudermos, não deixemos de dar sangue. É isto a caridade cristã: fazer o bem sem olhar a quem, sem saber a quem.”

Ao longo das Festas em honra do Senhor Jesus da Piedade, o Santuário manterá assim uma programação religiosa diária, conjugando a tradição e a devoção com momentos dirigidos a diferentes gerações e iniciativas de solidariedade.

Do Ballet ao Teatro: Município de Campo Maior volta a dar palco à formação artística

O Município de Campo Maior volta a promover, no ano letivo 2026/2027, os Projetos de Formação Artística, uma iniciativa que há mais de uma década tem permitido a centenas de campomaiorenses, de diferentes idades, desenvolver competências em várias áreas das artes do palco.

As inscrições para a nova edição já se encontram abertas e são gratuitas. Os interessados podem inscrever-se online, através de formulário próprio (aqui), ou presencialmente no Centro Cultural de Campo Maior.

Para este novo ano letivo, a oferta formativa inclui quatro áreas: Ballet Clássico, Viola, Dança Oriental e Teatro (através do projeto ‘Entre Palcos’). A vereadora Paula Jangita confirma que se mantém, assim, a aposta nas áreas que têm integrado a programação dos últimos anos.

“Vamos continuar com o Ballet Clássico, com a Viola, a Dança Oriental e o Teatro. Essa é a oferta que nós temos disponível, tal como nos anos anteriores”, explica a autarca, acrescentando que a Dança Contemporânea continuará a ser lecionada no Centro Escolar Comendador Rui Nabeiro.

Com a iniciativa, a autarquia pretende continuar a aproximar a população das diferentes expressões artísticas, garantindo uma oferta diversificada e acessível. Segundo Paula Jangita, as diferentes formações procuram chegar a públicos distintos. A Dança Oriental, por exemplo, é dirigida a crianças, adultos e também seniores, enquanto o Teatro, a Viola e o Ballet Clássico “têm uma componente mais direcionada para crianças e jovens”.

As aulas ainda não têm uma data oficial de início. “Ainda se estão a definir os horários, mas será no início de outubro”, adianta a vereadora.

Apesar de as inscrições serem gratuitas, os participantes podem subscrever um seguro de acidentes pessoais, com um custo anual de cinco euros e uma franquia de 50 euros. A subscrição é opcional. Quem não optar pelo seguro terá, obrigatoriamente, de entregar um Termo de Responsabilidade, através do qual o próprio ou o respetivo encarregado de educação declara abdicar da cobertura.

Com mais de uma década de percurso, os Projetos de Formação Artística procuram, assim, manter o acesso da comunidade campomaiorense à formação artística, proporcionando oportunidades de aprendizagem e de contacto com diferentes disciplinas das artes do palco.

RUA levam música de raiz portuguesa ao palco principal do São Mateus

Os RUA regressam a Elvas no próximo domingo, dia 20 de setembro, para atuar no palco principal da Expo São Mateus, naquela que será uma noite particularmente especial para a elvense Inês Ramos (na imagem), um dos elementos do grupo musical.

Depois de uma passagem pelas “Noites de Verão” de Elvas, há cerca de dois anos, os RUA voltam agora à cidade para integrar o programa principal das Festas em honra do Senhor Jesus da Piedade e da Feira de São Mateus. O concerto será marcado pela apresentação dos temas originais do grupo, que cruza diferentes estilos e instrumentos, com uma forte ligação à música e às tradições portuguesas.

“Os RUA são um grupo constituído maioritariamente por elementos de Lisboa”, explica Inês Ramos, acrescentando que o projeto reúne também músicos, tal como ela, do Alentejo.

Musicalmente, o grupo procura “explorar instrumentos, ritmos e cancioneiros tradicionais”, numa proposta que Inês Ramos define como “um projeto musical humano, com uma raiz portuguesa muito, muito forte” e assente sobretudo em músicas originais.

A formação reúne músicos com diferentes origens e experiências, numa mistura que, segundo a artista elvense, contribui para a identidade dos RUA.

Concerto aposta nos temas originais

Para o concerto do São Mateus, os RUA vão apostar essencialmente no seu repertório original. O grupo lançou um EP no final do ano passado e tem apresentado vários singles ao longo deste ano, incluindo “Senhora de Si”, lançado no final da semana passada.

A proposta dos RUA assenta, assim, numa forte componente de música portuguesa, com influências dos cancioneiros e das sonoridades tradicionais. “Os nossos temas puxam muito também aqui à música alentejana”, sublinha Inês Ramos, que acredita que essa ligação poderá contribuir para uma boa receção por parte do público elvense.

Uma noite de contrastes musicais

A atuação dos RUA antecede a dos Némanus, proporcionando uma noite de contrastes musicais. Apesar das diferenças entre as duas propostas, Inês Ramos considera que os espetáculos acabam por se complementar. “Na música, e acima de tudo na cultura, tudo está um bocadinho ligado”, afirma.

De um lado, os RUA apresentam uma proposta marcada pelos instrumentos e pelas raízes tradicionais portuguesas; do outro, os Némanus levam ao palco uma música de cariz “mais divertido”. Para a artista, será precisamente essa diversidade que poderá tornar a noite de 20 de setembro tão especial.

Inês Ramos regressa a casa

Para Inês Ramos, contudo, o concerto dos RUA terá um significado ainda mais especial por acontecer na sua cidade natal. “É sempre um gosto voltar a Elvas, e acima de tudo ao palco principal do São Mateus”, confessa a artista, que recorda que a última vez que pisou o palco principal do São Mateus, com um projeto seu (os Alma), foi há já mais de dez anos.

O regresso ao palco principal é, por isso, vivido com grande entusiasmo, mas também com algum nervosismo. “Em Elvas, como há uma expectativa maior, e como eu também quero fazer um ótimo trabalho, fico sempre um bocadinho mais nervosa”, admite. Ainda assim, garante estar “super feliz” e “agradecida” pelo convite.

A aposta nos artistas da terra

Inês Ramos aproveita ainda para agradecer à Câmara Municipal de Elvas pela aposta em artistas da terra na abertura dos grandes concertos da Expo São Mateus.

Para a jovem elvense, esta é uma dinâmica que “não se vê em muitos sítios”, considerando que Elvas se destaca pela quantidade e qualidade dos seus artistas. “Não há muitos sítios como Elvas”, afirma, defendendo a importância de dar espaço aos artistas locais nos principais momentos culturais da cidade.

Um dia especial para a artista

O dia 20 de setembro terá, por outro lado, um significado acrescido para Inês Ramos, uma vez que há alguns anos que não consegue estar presente na tradicional Procissão dos Pendões, devido a compromissos profissionais.

A possibilidade de conciliar a celebração religiosa com a atuação no palco principal torna o regresso à cidade ainda mais especial.

A música como prioridade

Atualmente dedicada sobretudo à música, Inês Ramos integra os RUA há cerca de “cinco ou seis anos”. A artista considera ter tido “a sorte” de ter sido encontrada pelos RUA, uma vez que, vivendo em Lisboa, sentia falta da componente musical e artística que tinha desenvolvido anteriormente com projetos e amigos de Elvas.

Com ensaios semanais e momentos dedicados à composição, os RUA atravessam atualmente uma fase de forte atividade criativa.

Embora reconheça que grande parte dos temas é composta por Renato (outro dos elementos da banda), Inês Ramos destaca a importância do processo coletivo: “É muito gratificante saber que toda a construção é feita por nós e que nós nos juntamos e há toda uma explosão criativa quando estamos juntos.”

Televisão fica, para já, em segundo plano

Enquanto a música assume atualmente um papel central na vida de Inês Ramos, a televisão e a representação permanecem em segundo plano.

Inês Ramos continua ligada à área, fazendo alguns trabalhos de publicidade, mas admite não saber se regressará, no futuro, a um projeto televisivo. “Pode ser que sim, nunca se sabe”, afirma, deixando a porta aberta para novos desafios, depois de ter integrado o elenco da novela “A Teia”, da TVI, em 2018.

Para já, o foco está nos RUA e no concerto de 20 de setembro, no palco principal da Expo São Mateus, em Elvas: uma atuação que permitirá ao grupo apresentar a sua música ao público elvense e que será, para Inês Ramos, um regresso particularmente emotivo à sua terra natal.

A entrevista completa a Inês Ramos para ouvir no podcast abaixo: