Os Relíquia dão o pontapé de saída nas Festas de Vila Boim

As Festas em Honra de Nossa Senhora dos Remédios e São João Batista arrancam esta sexta-feira, 31 de julho, em Vila Boim, com um programa que alia tradição, animação e música. O principal destaque da primeira noite vai para o concerto de Os Relíquia, marcado para a meia-noite, no Palco Principal.

O programa tem início às 18h00, com uma garraiada na Praça de Touros, seguindo-se, às 18h30, a Missa de Abertura, na Igreja de São Francisco. Às 20h30, a Universidade Sénior de Vila Boim sobe ao Palco Coreto para uma atuação, antecedendo o baile com Jorge e Célia, às 22h00.

Depois do concerto dos Os Relíquia, a animação prossegue, com o regresso de Jorge e Célia ao palco, às 1h30. A noite termina ao som do DJ Gama, com um set especial dedicado aos anos 80, a partir das 02h30.

Rua 1.º de Maio une gerações e supera desafios para brilhar nas Festas do Povo de Campo Maior

A Rua 1.º de Maio, em Campo Maior, prepara-se para voltar a ser um dos cartões de visita das Festas do Povo. Com três troços trabalhados em conjunto, um pequeno grupo de moradores tem dedicado, desde o final de janeiro, centenas de horas à construção de um projeto que promete encher de cor a entrada da vila.

À frente da organização está Isélia Militão, que assumiu a responsabilidade de forma inesperada. A inscrição da rua foi inicialmente feita por João Manuel Grazina e por Lisete, mas ambos tiveram de abandonar o projeto por motivos de saúde. “Acabei por ficar eu à frente. Não tive escolha”, conta, fazendo questão de sublinhar que o trabalho nunca foi individual: “Temos ido fazendo tudo em conjunto”.

Um pequeno grupo para um grande desafio

Ao longo de vários meses, cerca de sete pessoas participaram regularmente na preparação das flores de papel e dos restantes elementos decorativos. Enquanto algumas trabalhavam nos serões organizados na rua, outras davam o seu contributo a partir de casa, cortando e colando materiais.

“Desde o final de janeiro começámos por fazer os serões. Uns faziam aqui, outros trabalhavam em casa. Depois juntávamos tudo na montagem”, explica Isélia.

A escassez de voluntários foi o maior obstáculo. Com uma rua extensa, muitas casas desabitadas e uma população envelhecida, o grupo viu-se obrigado a multiplicar esforços. “Foi muito complicado este ano. Chegámos a fazer dois serões por dia, um à tarde e outro à noite”, revela.

Apesar das dificuldades, a reta final é vivida com entusiasmo e algum alívio. “Estamos a começar a ficar felizes, porque andávamos um bocadinho stressadas. Agora queremos ver o projeto montado na rua. Achamos que vai ficar muito bonito”.

Um projeto pensado em conjunto

A escolha do tema nasceu do diálogo entre todas as participantes. Cada uma apresentou ideias até que se chegou a um consenso. O mesmo aconteceu com as flores e as cores. Inicialmente, a intenção era utilizar apenas uma tonalidade, mas uma sugestão enviada através do grupo acabou por mudar o rumo da decoração.

“Vimos que talvez uma só cor não ficasse tão bem. Juntámos três cores e estamos muito satisfeitas. Achamos que vai ficar uma rua muito colorida”.

O orgulho de mostrar a “rua mais bonita”

Para Isélia e para as restantes voluntárias, há uma certeza que não muda: “A nossa rua é sempre mais linda que as outras. É o nosso projeto, o nosso trabalho e muitas horas de dedicação”.

A longa noite da montagem

A noite de 7 de setembro será, como manda a tradição, o momento mais intenso. A montagem começará ainda durante a tarde, prolongando-se pela madrugada dentro. Entre arcos, flores, mesas na rua, refeições partilhadas e o som das pandeiretas, o objetivo é deixar tudo pronto ao nascer do dia.

“Vamos montar, comer, beber, tocar a pandeireta e ficar aqui até às sete ou sete e meia da manhã, para aquilo que for preciso”, afirma.

A união que permanece para além das festas

Depois da inauguração, o espírito de comunidade continuará bem vivo. Entre jantares na rua e convívios diários, as voluntárias querem aproveitar cada momento das festas, conscientes de que, quando tudo terminar, vão sentir falta da rotina que as uniu durante tantos meses. “Quando isto acabar, vamos estranhar-nos umas às outras. Vamos ter saudades disto.”

No final, fica o convite a todos os visitantes e, naturalmente, com um toque de orgulho bem campomaiorense. “Venham a Campo Maior e comecem pela nossa rua. É logo à entrada. Quando virem a nossa, já não vão gostar tanto das outras. Venham desfrutar das Festas do Povo, porque como as de Campo Maior não há outras”, rematam.

Orçamento Participativo: Jorge Moita quer transformar Elvas num polo de design, arte e inovação social

O designer elvense Jorge Moita é um dos candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas, com o projeto “KKIDS_CELL ELVAS – Centro de Arquivo Vivo, Design e Produção Cultural Contemporânea”, uma proposta que pretende afirmar a cidade como um polo de criação artística, inovação social e sustentabilidade.

Em entrevista à Rádio Elvas, Jorge Moita explicou que o objetivo passa por criar uma plataforma capaz de dinamizar projetos de design contemporâneo, promovendo a economia circular, a produção cultural e a participação da comunidade.

“O KKIDS_CELL quer responder a problemas reais das comunidades através do design, sempre com foco na economia circular e na inovação social”, afirma o designer, sublinhando a intenção de trazer para Elvas experiências que tem vindo a desenvolver em diferentes pontos do país, em parceria com universidades, instituições culturais e entidades públicas.

Entre as iniciativas previstas estão a criação de um núcleo expositivo permanente dedicado ao arquivo do seu trabalho enquanto designer (Krv Kurva Design), a realização de residências artísticas, workshops, ações de formação e programas educativos intergeracionais, envolvendo crianças, jovens e seniores.

Jorge Moita destaca ainda o potencial de Elvas para acolher este tipo de projetos, referindo o estatuto de Património Mundial da UNESCO, os equipamentos culturais existentes e a localização estratégica da cidade na fronteira. Na sua perspetiva, estes fatores criam condições para atrair artistas e criadores nacionais e internacionais.

O candidato acredita também que o projeto poderá estabelecer ligações com outras estruturas culturais do concelho, como o Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), contribuindo para reforçar a programação artística do território, sobretudo num contexto em que o Alentejo se prepara para receber Évora Capital Europeia da Cultura 2027.

Durante a entrevista, Jorge Moita recorda igualmente o projeto SUSTENTAALE, desenvolvido em Elvas, que reuniu alunos da Academia de Dança de Elvas, a Universidade Sénior e o Hospital de Santa Luzia na criação de figurinos produzidos a partir de materiais reutilizados do bloco operatório. Apesar de não ter vencido a anterior edição do Orçamento Participativo, o projeto acabou por ser implementado, servindo de inspiração para a nova candidatura.

Segundo o designer, o KKIDS_CELL pretende funcionar como um espaço de colaboração entre associações, artistas e coletivos locais, promovendo a cocriação e o desenvolvimento de projetos com identidade própria para o concelho.

A candidatura apresenta um investimento de 25 mil euros, valor máximo previsto no regulamento do Orçamento Participativo, destinado à fase inicial de implementação da iniciativa. Jorge Moita considera que este financiamento representa “o pontapé de saída” para um projeto cuja continuidade dependerá do envolvimento do Município e de futuros parceiros.

No final da entrevista, o candidato apela à participação dos elvenses no processo de votação, incentivando a população a conhecer todas as propostas a concurso e a exercer o seu direito de voto, considerando o Orçamento Participativo uma importante ferramenta de cidadania ativa e de construção coletiva do futuro do concelho.

A entrevista completa a Jorge Moite para ouvir no podcast abaixo: