
Visitámos a Associação das Festas do Povo e falámos com quem, entre muito “jeitinho” e “vontade”, passa os dias a preparar as flores de papel que vão decorar as ruas.
As Festas do Povo de Campo Maior estão quase a regressar e, na associação e nas ruas da vila, o ritmo de trabalho é frenético. Fomos sentir o pulso a esta preparação minuciosa, onde centenas de voluntários trabalham diariamente para que, no próximo dia 8 de agosto, Campo Maior se transforme num autêntico jardim de papel.
“Desde as 7 da manhã na rua”

Para Concepcion Torre, que vive em Campo Maior há 46 anos e já conta com várias edições das festas no currículo, o esforço diário é feito com gosto. Atualmente a trabalhar na decoração da icónica Rua 25 de Abril, Concepcion explica que a rotina é exigente, mas a motivação é maior “Estamos a ajudá-los a terminar esta rua para depois ir para outra. Estamos nisto desde as 7 da manhã, todos os dias. Fazemos umas 40 cordas de flores por dia. Isto aprende-se fácil, é tudo uma questão de jeitinho… e vontade! E vontade há muita.”
Uma tradição que passa de geração em geração
Quem também conhece bem esta arte é Linda Caldeirão. Natural de Elvas, mudou-se para Campo Maior aos 16 anos e, logo no ano seguinte, rendeu-se à tradição das flores de papel. Já foi inclusivamente cabeça de rua por duas vezes e, este ano, assume uma tarefa crucial na preparação estética da sua rua. “Neste momento estou a atar as cordas que vão segurar os tetos da rua. Também faço flores, mas agora estou focada nos tetos. Com boa vontade aprende-se facilmente, mas claro que o jeitinho também conta muito.”

Questionada sobre se os trabalhos estarão todos concluídos a tempo da grande abertura, Linda mostra-se confiante, apesar de prever algumas “noites diretas” de trabalho na reta final “Há ruas que já estão praticamente terminadas, mas há outras que ainda estão um bocadinho atrasadas. Mas até lá, se Deus quiser, vai tudo ao lugar! Se vai ser preciso fazer diretas? Olha, sobre isso já nem digo nada… vamos a ver!”
As Festas do Povo de Campo Maior, conhecidas pela sua beleza e pelo caráter voluntário de toda uma comunidade, regressam oficialmente no dia 8 de agosto.




















