Skip to content

UÉ atribuiu Doutoramento Honoris Causa a Maria João Pires

A Universidade de Évora (UÉ) atribuiu o Doutoramento Honoris Causa a Maria João Pires, unanimemente reconhecida como uma das mais notáveis pianistas da sua geração e uma personalidade que transformou a música numa forma rara de escuta, de exigência, de humanidade e de responsabilidade. A cerimónia realizou-se neste dia 27 de maio, na Sala dos Actos do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora.

A cerimónia solene iniciou-se com o discurso do Reitor da UÉ, António Candeias, começou por dizer que a Universidade de Évora ao conferir o título de Doutora Honoris Causa a Maria João Pires “presta homenagem não apenas a uma das maiores pianistas do nosso tempo, mas a uma personalidade que transformou a música numa forma rara de escuta, de exigência, de humanidade e de responsabilidade”.

Após um momento musical, seguiu-se a Laudatio, proferida por Ana Telles, Professora do Departamento de Música da Escola de Artes da UÉ, também pianista, que começou por expressar a emoção ao “homenagear Maria João Pires”, confessando que as interpretações musicais da pianista “contribuíram em muito para que o piano viesse a tornar-se o meio mais eficaz de que disponho para comunicar comigo mesma e com o mundo que me rodeia”.

Após a Laudatio, seguiu-se o momento da imposição das Insígnias Doutorais, que foi longa e profundamente aplaudido.

Depois, a nova Doutora fez o seu discurso, tendo começado por descrever que o seu “trabalho foi incessantemente feito sobre a técnica instrumental através do corpo”.

Destacando que “a música nos toca de forma tão profunda”, Maria João Pires explicou que “a partitura é apenas informação potenciada. Só a energia física, emocional, temporal e interpretativa do músico a transformam em experiência viva.Essa energia deveria ser cultivada, alimentada e, sobretudo, guiada, gerida”.

Os momentos musicais da cerimónia estiveram a cargo da Escola de Artes da Universidade de Évora e do Coro da Universidade de Évora.

Após a cerimónia solene, decorreu no Claustro Maior, a sessão de cumprimentos, que contou com inúmeras individualidades nacionais e regionais, assim como muitos estudantes e admiradores de Maria João Pires.

Nascida em Lisboa em 1944, Maria João Pires começou a tocar piano sozinha aos três anos de idade, dando o seu primeiro concerto público aos 4 anos.

Entre 1953 e 1960, Maria João Pires estudou no Conservatório de Lisboa com o professor Campos Coelho e Francine Benoit. Aos 17 anos, recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar na Alemanha, primeiro na Musikhoschule de Munique com Rosl Schmid e depois em Hanôver com Karl Engel. Este último a quem Maria João Pires atribui o mérito de a ter ajudado a situar a música no contexto da vida.

A partir dos anos 80, começa uma carreira internacional. Incentivada por Claudio Abbado, toca pelo mundo inteiro com grandes orquestras e chefes de grande renome.

Grava para a Erato durante quinze anos e para a Deutsche Grammophon durante vinte e cinco anos. Têm-se dedicado, desde a década de 1970, a refletir sobre a influência da arte na vida, na comunidade e na educação, tentando descobrir como estabelecer esta forma de

pensar na sociedade, com vista a incentivar indivíduos e culturas a respeitar e partilhar ideias.

Em 1999 criou Belgais – Centro para o Estudo das Artes, onde desenvolveu coros para crianças de meios rurais e desfavorecidos; concertos experimentais e workshops para artistas e amadores. Maria João Pires complementou esta abordagem com projetos adicionais em Salamanca, Bélgica, aldeias SOS no Burundi e no Brasil.

Todos estes projetos visavam criar respeito mútuo, respeito por todas as culturas, bem como pelo meio ambiente, pela natureza e pela vida, abrangendo a Terra e tudo o que nos rodeia.

Compartilhe este artigo: