
A associação Oficinas do Convento, em Montemor-o-Novo, está a assinalar três décadas de atividade com um conjunto de iniciativas que incluem publicações digitais, valorização de obras artísticas na cidade e um evento transdisciplinar previsto para novembro.
Ao longo dos últimos 30 anos, a associação tem desenvolvido trabalho nas áreas da criação artística, investigação em construção em terra e reabilitação patrimonial, mantendo uma forte ligação ao espaço do Convento de São Francisco, que continua a ser um dos principais desafios estruturais da associação.
Segundo o diretor artístico das Oficinas do Convento, Tiago Froes, uma das principais missões da associação passa não só pelo desenvolvimento de projetos e formação de pessoas, mas também pela recuperação dos espaços que ocupa. “Uma das missões é, claro, a capacitação não só de pessoas e do desenvolvimento de projetos que por lá passam, mas dos espaços do próprio convento, que tem sido uma luta desde o início”, afirma.
O responsável sublinha que a atividade decorre em condições exigentes, uma vez que a associação continua instalada num edifício em ruína, situação que representa uma preocupação constante. “Continuamos a ocupar uma ruína, isto é muito importante que se saiba. A nossa atividade anda muito, como se costuma dizer, no fio da navalha, no limiar do ser possível, devido às estruturas que ocupamos. Se há qualquer acidente relacionado com a própria estrutura, claro que temos tudo em cheque”, refere.
Apesar das limitações, a requalificação dos espaços tem sido um eixo central do trabalho desenvolvido pela associação, incluindo projetos fora do convento. “Tem sido também um dos grandes centros da nossa atividade, embora se veja menos para o lado de fora, que é realmente a requalificação, dentro do que nós conseguimos, dos espaços do convento, bem como de outros espaços que entretanto já protocolamos e também já reabilitamos”, explica.
Entre os exemplos destacados está a transformação dos antigos lavadouros do bairro de São Pedro, que desde 2015 funcionam como centro cerâmico. Ao longo dos anos, os projetos das Oficinas do Convento têm evoluído de forma interligada, mantendo como eixo estruturante o trabalho com a terra e a investigação em construção sustentável. “A terra é uma questão que nos acompanha, as questões da arquitetura e de trabalhar com a terra e com aquilo que pisamos, com a argila local e com os solos, na produção de objetos contemporâneos, mas por outro lado também na produção de tijolo tradicional para aplicações em arquitetura”, afirma Tiago Froes.
A investigação nesta área tem vindo a ganhar dimensão, com o desenvolvimento de um laboratório dedicado às práticas de construção em terra e ao cruzamento entre saberes tradicionais e tecnologias contemporâneas. “Existe aqui muita procura dessa relação e desse serviço que prestamos à comunidade, não só à comunidade local, mas também nacional e internacional, a nível de especialidade dentro da construção em terra”, acrescenta.
Este trabalho tem sido acompanhado por outras áreas emergentes, como a fabricação digital e a construção de máquinas que permitem trabalhar materiais tradicionais com novas abordagens tecnológicas.
No âmbito das comemorações dos 30 anos, a associação está a lançar uma série de newsletters digitais que reúnem testemunhos de colaboradores e parceiros que marcaram a história da instituição. “Os 30 anos têm uma série de newsletters que vão saindo agora ao longo deste ano, a nível digital, com textos de pessoas que foram colaborando connosco desde o início até aos dias de hoje”, explica o diretor artístico.
Outra das iniciativas passa pela valorização de obras artísticas existentes na cidade de Montemor-o-Novo, algumas das quais permanecem pouco visíveis ao público. “Vamos pontuar também as obras de arte que temos em Montemor. Algumas das peças ou intervenções passam despercebidas na cidade e se calhar é tempo de lhes dar um bocadinho de relevo”, refere.
As celebrações deverão culminar, em novembro, com a realização de um evento transdisciplinar que reunirá diferentes áreas artísticas e científicas, refletindo a identidade da associação. “Em novembro faremos um evento transdisciplinar, como é hábito e perfil da nossa genética”, conclui Tiago Froes.















